Programa de seleção oferece chance para atletas brasileiros jogarem por universidades mexicanas

Anderson Gonçalves e Vinicius Las Casas- Valinor Conteúdo
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O calendário brasileiro de Futebol Americano já possui atividades que preenchem uma temporada, o que mantém nossos jogadores em constante atividade. Logo, com atletas sempre em ritmo de jogo, a performance tende a melhorar, criando novas oportunidades para aqueles que desejam se dedicar exclusivamente ao FA.

Mas, ainda há uma ideia equivocada de que a prática de Futebol Brasileiro em bom nível só é possível nos Estados Unidos. Para quem sonha em ter carreira fora do país no FA, existe um programa universitário no México, que seleciona atletas todos os anos para defenderem times de universidades do país do nacho, que podem culminar até na ida para uma equipe profissional, incluindo times da NFL, o panteão do esporte no mundo.

E o responsável por fazer essa ponte Brasil-México se chama Rodolfo Alfredo Ruiz Morales , de 35 anos, que viveu sua vida dentro do Futebol Americano. Rodolfo se aposentou da vida como atleta em 2015 e iniciou o processo de captação de talentos no Brasil para as fileiras do FA no México.

Segundo ele, 24 jogadores, além de treinadores e até árbitros participaram do programa, participando de eventos internacionais de FA.

Rodolfo tem experiência no esporte, com passagens pela na Romênia, além de Itapema White Sharks ,Gaspar Black Hawks, Paulina Mavericks e Galo FA, como jogador e treinador. Essa vivência o credenciou para se tornar consultor de recrutamento internacional para algumas universidades no México e nos Estados Unidos.

Rodolfo contou à reportagem o que pode atrair jogadores brasileiros para o programa no México. Uma vida esportiva bem estruturada e também a chance de estudar e concluir o ensino superior fora do Brasil.

-No nível universitário, o campeonato mexicano é o segundo mais forte do mundo, pois já que possui 3 divisões e atualmente o país é tricampeão mundial. O objetivo do programa é conseguir que os jogadores brasileiros vivam a experiência de jogar neste nível e também possam obter um diploma universitário-disse Rodolfo, que explicou como os atletas tupiniquins podem acessar o programa.

-A forma como os jogadores brasileiros podem participar de um processo seletivo para fazer parte de uma universidade mexicana é entrando em contato comigo ( nas contas de Instagram e Facebook rodofredo32). É muito importante enviar seus vídeos com as melhores jogadas e também treinamentos, para poder mostrar aos diferentes treinadores das universidades mexicanas. Assim, há chance do jogador obter uma bolsa e também outros benefícios-explicou.

Nota da redação: nos perfis de Rodolfo estão os contatos virtuais e telefônicos para os interessados em mais detalhes.

Outro possível benefício do programa mexicano é ter uma proximidade com o olimpo do Futebol Americano, a NFL, como contou o consultor.

-O programa pode ser mais um passo para ficar perto da NFL. Mas não é tão fácil. Algumas universidades como a Tec de Monterrey estão entre as que mais enviaram jogadores para a NFL, já que a relação entre a liga ONEFA(Liga mexicana de FA) e a NFL é muito bom e o atleta pode participar e ser direcionado para diferentes testes-explicou.

Parceria com o FA Brasil

Rodolfo Alfredo afirmou que terá parcerias no país, para a realização de eventos que aproximem ligas, clubes e atletas para o México e até para a liga universitária dos EUA, a NCAA.

-Desde 2014 venho ajudando os jogadores brasileiros a realizarem o sonho de vir para o México jogar. Fiz esse trabalho até o fim do ano passado. A partir de 2021, estaremos colaborando com a FA Brasil para poder realizar diferentes eventos de futebol americano no Brasil, para poder selecionar jogadores não só para o campeonato mexicano, mas também para a NCAA, onde temos trabalhado desde este ano. A ideia é procurar cinco jogadores brasileiros que tenham talento entre 15 a 17 anos para participarem do próximo World Bowl-disse, para em seguida falar do calendário de seleção;

-A seleção será uma vez por ano. E repito: agora é também para participar de universidades do México e dos Estados Unidos, além de alguns times da Europa-explicou o consultor, que revelou ter vagas para mulheres neste processo de intercâmbio.

-Há oportunidades para as mulheres também participarem das universidades mexicanas para que joguem equipadas e também flag football, tendo o mesmo percentual de bolsas, moradia e alimentação que os jogadores masculinos. O número de vagas pode depender das necessidades das universidades. Mas se o jogador atender aos critérios de idade e características buscadas pelas universidades, pode haver um encaixe.

Rodolfo comentou que o programa está em expansão, indo para outros países da América Latina, como Venezuela, Peru, Colômbia, além da Romênia, no leste Europeu, totalizando 28 jogadores no projeto, sendo
15 brasileiros, 2 colombianos, 1 venezolano, 2 peruanos, 1 romeno e 7 mexicanos.

-Este ano, dois brasileiros fazem parte da Universidade de Chihuahua. Outros três estão na Universidade de Celaya e quatro na Universidade do Século 21 em Toluca. Eles vão jogar este ano a liga universitária do México-concluiu.

O material humano de qualidade já existe no Brasil, como mostra interesse de programas de recrutamento como o de Rodolfo. Com iniciativas assim, em breve o país será exportador de talentos para outras ligas?