Profissionais avaliam o FIFA 18: “Estou feliz que acabou, ponto”

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Transmissão de uma das partidas do ano competitivo (Reprodução-Twitch)
Transmissão de uma das partidas do ano competitivo (Reprodução-Twitch)

Recentemente, a grande final da FIFA eWorld Cup 2018 encerrou a temporada profissional de FIFA 18. Mosaad “Msdossary” Aldossary, da Arábia Saudita, venceu o belga Stefano “StefanoPinna” Pinna por 4-0 e garantiu o segundo título do país, além de uma premiação individual de US$ 250 mil. Com o final do ano competitivo e na expectativa pelo lançamento do FIFA 19, marcado para 28 de setembro, fizemos um balanço do que a edição de 2018 teve de positivo e negativo, com entrevistas com Kurt “Kurt0411” Fenech, terceiro colocado geral e vice-campeão do Xbox na eWorld Cup e com Pedro “Resende7” Resende, brasileiro que chegou mais longe na competição na história, caindo nas oitavas de final para o futuro campeão.

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Conhecido por não medir palavras na hora de criticar o game e nem na hora de se colocar como o melhor jogador de FIFA de todos os tempos, Kurt declarou estar feliz que acabou o ciclo do FIFA 18, projetou um próximo ano dominando o cenário e se mostrou otimista para as mudanças na jogabilidade do 2019. Mais contido, Resende analisou as falhas do 18 e não mostrou muita esperança com mudanças para a próxima edição.

Velocidade e força se sobressaem aos outros atributos e geram reclamações

Apesar de ter sido um sucesso de vendas e em transmissões, FIFA 18 foi alvo de muitas críticas, principalmente em relação a jogabilidade. Tanto entre os profissionais quanto entre os jogadores casuais, a EA foi criticada por fazer um jogo em que alguns jogadores de overall baixo são mais úteis do que grandes nomes do futebol, muito por conta de suas características. Para um game que tenta simular o esporte real, a empresa acabou entregando um produto em que velocidade e capacidade de chute são as únicas características importantes para jogadores de meio de campo e ataque, por exemplo.

Com isso, nomes como Lozano, do PSV, se transformaram em cartas mais utilizáveis do que jogadores consagrados como Özil e Kroos. Kurt, terceiro colocado geral na eWorld Cup e finalista do Xbox, sempre foi um dos mais vocais em relação aos problemas do game. Para ele, velocidade e chute sempre vão se sobressair, mas a esperança é de que a EA melhore o restante dos atributos na próxima edição.

“Obviamente (velocidade e chute) vão sempre ser fatores cruciais, mas seria bom se jogadores como Kroos ou Busquets pudessem ser mais efetivos e melhores utilizados no 19”, afirma o atleta de Malta.

Resende, brasileiro melhor colocado em uma eWorld Cup na história, segue na mesma linha. “É algo complicado de se discutir, eles realmente tentam aproximar todas as notas, refletindo o jogador da vida real, porém o jogo te induz a seguir tais regras e escolher jogadores que mais se habituam a ela, como por exemplo uma agilidade maior quando se vai virar um jogo e ter mais posse de bola. Mas acredito que a EA poderia fazer um jogo em que encaixassem vários estilos de jogo e não inutilizasse esses jogadores”, comenta.

Falta de responsividade e gols bugados também incomodam

Para Kurt, outro grande problema do game é a falta de responsividade dos jogadores virtuais em relação aos comandos dados por quem segura o controle. “Penso que os principais problemas são que o jogo é muito lento, é muito fácil de manter a posse de bola e a falta de responsividade dos jogadores na hora de conduzir a bola e driblar”, reclama.

O atleta de Malta é conhecido por não se calar diante dos problemas do jogo, ao contrário. Durante todo o ano, foi muito comum ver Kurt reclamar da jogabilidade de FIFA 18 em seu Twitter, em entrevistas ou até mesmo durante campeonatos. Outra reclamação do atleta e da comunidade é o “gol de saída de bola”, um problema que durou quase todo o ano. Após marcar um gol, era nítido que sua equipe “dormia” em campo e ficava fácil para o adversário descontar, visto que sua defesa estava mal montada e o primeiro chute depois da saída de bola sempre era um chute mais difícil do goleiro defender.

Durante as semifinais do Mundial de Clubes, Kurt chegou a levantar da cadeira e abandonar a partida depois de tomar o terceiro gol de saída de bola no mesmo duelo. Convencido pela organização do evento depois de mais de dez minutos de discussão, voltou para sua cadeira e terminou o jogo tocando a bola de lado e sem o menor interesse em tentar se classificar.

Para se ter ideia de como Kurt se estressou com os problemas do FIFA 18, quando perguntado sobre o que ele achou do jogo em geral durante o ano, apenas respondeu: “estou feliz que acabou, ponto”.

Outro ponto bastante criticado pela comunidade em geral foi o chute rasteiro cruzado. Ao assistir qualquer torneio profissional ou jogar um dos modos mais competitivos do Ultimate Team, é fácil de perceber que a maioria dos gols marcados sai em uma jogada só, o chute rasteiro cruzado.

Uma das novidades da EA para a versão 2018 do FIFA, o chute rasteiro cruzado se dá quando o jogador aperta o botão de chute duas vezes e exerce o comando para que seu atacante bata com força na bola e mantendo ela no chão. Apesar de ser um chute comum e realmente efetivo no futebol real, no FIFA ele se transformou na grande arma de todos os jogadores.

Devido a um tempo de resposta baixíssimo dos goleiros e uma força desproporcional dos atacantes, o chute rasteiro, principalmente cruzado, é certeza de gol em 90% das ocasiões que ele é executado dentro da área e ainda é uma arma perigosa nos chutes de longa distância. Para Resende, a novidade não foi um erro, mas se mostrou exagerada.

“Acho que não pode se dizer que foi um erro. Isso é uma habilidade a mais que o jogo pode ter, mas acredito que poderia ser mais ‘nerfado’, ou seja, não tão eficiente em algumas circunstâncias”, analisa.

Se não vinha através de um chute rasteiro, o gol, normalmente, acontecia aos 45 minutos de cada etapa, outra grande reclamação da comunidade. Era muito comum que as jogadas “dessem mais certo” durante os minutos finais de cada tempo e mais gols saíssem nesses momentos. Além disso, os pênaltis também foram alvo de muita queixa, principalmente por existir uma cobrança que era impossível dos goleiros defenderem. Ao bater rasteiro e fraco com a seta apenas um pouco para o canto, o goleiro adversário não tinha o que fazer por conta das animações de defesa do jogo: ou ele ficava no meio e via a bola entrar passando fraca ao seu lado ou tentava pular para o canto e via ela passar por baixo de sua barriga.

Salão preparado para a eWorld Cup em Londres (EA Sports)
Salão preparado para a eWorld Cup em Londres (EA Sports)

Organização é um ponto positivo

Se a jogabilidade foi tão criticada por jogadores profissionais ou casuais, o mesmo não se pode dizer da organização dos torneios, quase unanimidade entre todos aqueles que jogam ou acompanham o FIFA. Desde as transmissões e comentários até o tratamento com os profissionais, a EA foi quase perfeita durante o ano.

Durante os principais torneios, era comum ver os telespectadores exaltando a quantidade de jogos disponíveis para assistir, além do trabalho dos comentaristas, com dois nomes ganhando destaque: Spencer Owen, um dos fundadores do Hashtag United e um dos pioneiros no mundo competitivo do game, e Chukwuma “ChuBoi” Morah, comentarista e entrevistador que é um favorito entre os fãs por conta de seu carisma e da sua capacidade de análise.

Ao ser perguntado se tinha algo para reclamar em relação a organização, Kurt foi enfático. “Absolutamente nada, meu único problema é com o que acontece em campo. Os torneios esse ano, especialmente a eWorld Cup, foram organizados perfeitamente”.

“Não há reclamações. Nos dois torneios em que viajei, qualquer problema que havia eles se movimentavam para resolver, sendo assim não há o que reclamar”, concorda Resende.

Weekend League também foi bastante contestada

O principal modo de jogo do FIFA 18 é o Ultimate Team. O modo fantasy consiste em juntar a melhor equipe possível e competir online ou offline com seu elenco. O Ultimate é, também, a forma de classificação para os campeonatos profissionais. Para conseguir disputar alguma etapa do Global Series Qualifier, que dava vaga para o Global Series Playoffs que, então, dava vaga para a eWorld Cup, o jogador precisava finalizar algum mês previamente estabelecido entre os 64 melhores do mundo no seu console, com base nos resultados da Weekend League.

O grande problema, porém, é que a Weekend League consiste em 40 jogos durante uma janela de três dias do final de semana (sexta a domingo). Em um cenário em que duas derrotas nos 160 jogos necessários a se disputar durante um mês podem fazer a diferença entre classificar ou não, jogar 40 jogos de, em média, 25 minutos cada em um final de semana é exaustivo.

Até mesmo para os jogadores mais casuais e que não se importam com a classificação para os torneios, apenas com as recompensas recebidas pela maratona, dedicar cerca de 12 horas do seu final de semana exclusivamente para o FIFA não é algo que anima. Com isso, o modo foi um dos mais criticados durante todo o ano e a EA já anunciou mudanças para a próxima edição do game.

O que esperar para o próximo ano

Durante a disputa da eWorld Cup, a EA anunciou diversas novidades para a próxima edição de FIFA. Entre elas, mudanças no comando de chute, novas possibilidades de arranjos táticos antes e durante as partidas e um novo modo de classificação para os torneios profissionais. Para Kurt, apesar de todos os problemas, não é preciso mudar muita coisa. “Para o 19 é apenas termos um gameplay rápido, divertido e responsivo”, explica.

Apesar de ansioso, Resende não espera que mudanças drásticas sejam feitas para a próxima edição do game. “Estou realmente ansioso para saber sobre a jogabilidade, por mais que eu acredite que não vá mudar tanto. Torço para corrigirem alguns erros em coisas que não aconteceriam na vida real”, comenta o brasileiro.

Quando perguntado se a EA consulta jogadores profissionais para melhorar o game, Kurt disse que com certeza sim, mas que seu nome não está entre os consultados, provavelmente por conta da sua personalidade e por ele deixar claro nas redes sociais o que acha que deveria melhorar. Apesar disso, o atleta de Malta está otimista para a próxima edição de FIFA.

“Do que eu tenho ouvido, existem muitas razões para ser otimista em relação ao 19. Então, sim, acredito que haverão mudanças significativas que levarão o jogo para o próximo nível”, relata.

Terceiro colocado geral e vice-campeão do Xbox na eWorld Cup, Kurt projeta um próximo ano ainda melhor. “O melhor torneio (eWorld Cup) que eu já joguei na vida, uma pena que eu não consegui dar o passo além. Agora é só aproveitar o momento que eu tive esse ano, construir em cima dele e elevar meu jogo para não só ganhar, mas dominar os próximos eventos”, conclui o autoproclamado melhor jogador de FIFA de todos os tempos.

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