Promotoria da Espanha retira acusações de fraude e corrupção contra Neymar

Neymar deixa tribunal em Barcelona

Por Joan Faus e Fernando Kallas

BARCELONA (Reuters) - Procuradores espanhóis retiraram nesta sexta-feira todas as acusações de fraude e corrupção contra o atacante brasileiro Neymar e outros reús em processo por sua transferência do Santos para o Barcelona em 2013.

Os procuradores queriam uma pena de dois anos de prisão para Neymar e o pagamento de uma multa de 10 milhões de euros, no caso movido pela empresa brasileira de investimentos DIS, que detinha 40% dos direitos de Neymar quando ele estava no Santos.

A DIS argumenta que não recebeu sua fatia legítima da transferência porque o valor real foi subestimado.

"Não há o menor indício de crime", disse o promotor Luis García Cantón a um tribunal de Barcelona depois que todos os réus prestaram depoimento no julgamento, pedindo ao juiz a "absolvição de todos os réus".

A promotoria também pedia uma pena de cinco anos de prisão para o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell e uma multa de 8,4 milhões de euros para o Barcelona.

No início do julgamento, a DIS disse que estava exigindo uma pena de cinco anos de prisão para Neymar e uma multa total de 149 milhões de euros para os réus.

Uma fonte próxima à família Neymar disse à Reuters que seus representantes legais Baker Mckenzie reivindicariam custas pelo que consideram imprudência, má fé e abuso de processo. Eles também se reservam o direito de reclamar por danos.

Neymar terá o direito de dar a palavra final - via videoconferência - na próxima segunda-feira, no último dia do julgamento.

Um documento judicial divulgado em julho alega que o Barcelona iniciou negociações em 2011 com Neymar, pagando-lhe 40 milhões de euros para garantir sua transferência quando seu contrato com o Santos expirasse em 2014.

"Acho excessivo considerar que oferecer 40 milhões de euros é um crime", disse o promotor, chamando-o de bônus de contratação.

Antes de o promotor retirar suas acusações, Rosell minimizou o pagamento de 40 milhões de euros.

"É como quando você compra um apartamento e dá uma entrada... está pagando para ter um direito futuro prioritário do que você quer adquirir", afirmou o ex-dirigente do Barcelona em depoimento.

José Domingo Barral, ex-presidente do Grupo Sonda, que inclui a DIS, disse ao tribunal que um representante do Barcelona ofereceu 5,5 milhões de euros duas vezes - a última em 2015 - para que a queixa da DIS fosse retirada.

A DIS recebeu 6,8 milhões de euros - 40% do preço oficial da transferência de Neymar de 17,1 milhões de euros.