Prisão de Queiroz cai sobre Bolsonaro como um cometa

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Fabricio Queiroz é levado por agentes após ser localizado na casa do advogado de Bolsonaro em Atibaia (SP). Foto: Nelson Almeida/AFP (via Getty Images)
Fabricio Queiroz é levado por agentes após ser localizado na casa do advogado de Bolsonaro em Atibaia (SP). Foto: Nelson Almeida/AFP (via Getty Images)

Faz mais ou menos um mês que o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) acusou o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), de telefonar insistentemente para seu braço direito, o motorista e PM aposentado Fabrício Queiroz, durante a campanha de 2018. Wiztel, que a família Bolsonaro acusava de estar por trás de uma suposta perseguição policial no estado, acabava de receber uma visita da Polícia Federal em sua residência. Era alvo de uma ação que investiga supostos desvios na área da Saúde.

Flávio pensou ter ido à forra, mas acabava de produzir uma revelação contra si.

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“Você (Witzel) botava assessor pra ligar pra ele, pra saber onde eu tava, pra ir atrás de mim na campanha, porque sabia que o Queiroz estava do meu lado trabalhando. Um cara correto, trabalhador, dando sangue por aquilo que ele acredita”.

O homem correto, trabalhador, que dava o sangue por aquilo que ele acredita acaba de ser preso em Atibaia (SP) a mando da Justiça do Rio. A ação contou com o apoio do Ministério Público e a Polícia Civil de São Paulo.

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Submerso desde o fim de 2018, quando o Coaf (Conselho de Atividades Financeiras) identificou movimentação atípica em sua conta bancária -- coisa de R$ 1,2 milhão, com viés de alta --, Fabrício virou o aliado tóxico de quem a família tentou se afastar de toda forma. Na época ele trabalhava como assessor do gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio.

A suspeita é que ele fosse o operador de um esquema de rachadinha que consistia em morder parte do salário de funcionários do então deputado, parte deles supostamente fantasmas e com ligações com a milícia, e distribuir ao aliado. Na outra ponta, o hoje senador, dono de imóveis e lojas no Rio, é investigado por suposta lavagem de dinheiro.

Em maio de 2019, o próprio Flávio Bolsonaro disse que errou em confiar demais no ex-assessor.

Bolsonaro pai xingou a mãe de um eleitor que, certo dia, perguntou por onde andava o Queiroz. 

Exonerado logo depois da campanha, depois que um policial federal alertou a família de que havia uma investigação contra o aliado, segundo o empresário Paulo Marinho, o fantasma de Queiroz reapareceu em forma de áudios de WhatsApp em meados do ano passado. Em um deles, orientava um interlocutor a obter uma boquinha no Congresso: “Tem mais de 500 cargos, cara, lá na Câmara e no Senado. Pode indicar para qualquer comissão ou, alguma coisa, sem vincular a eles em nada. 20 continho aí pra gente caía bem pra c…”

Em julho, que surgiu em outubro, parecia mandar um recado à família: “O cara lá está hiperprotegido. Eu não vejo ninguém mover nada para tentar me ajuda aí. É só porrada. O MP tá com uma pica do tamanho de um cometa para enterrar na gente. Não vi ninguém agir”.

Pouco depois, em setembro, o advogado de Jair Bolsonaro, Frederick Wassef, foi questionada, em uma entrevista à repórter da GloboNews Andreia Sadi, do paradeiro do ex-assessor encrencado da família. Respondeu que não sabia porque não era advogado dele.

Nove meses depois, Queiroz finalmente foi localizado. Estava na casa de Wassef no interior paulista.

O alvo da operação era o ponto de ponto de intersecção entre o advogado, Bolsonaro e o ex-assessor que, sabe-se agora, passou a campanha o tempo todo ao lado do hoje senador fazendo até triagem dos telefonemas para o filho do presidente.

Enquanto Queiroz era detido em São Paulo, no Rio uma equipe do Ministério Público e da Polícia Civil cumpria um mandado de busca e apreensão em um imóvel que consta na relação de bens do presidente. Segundo testemunhas, de dentro era possível ouvir barulhos de marretadas nas paredes da casa, onde morava uma pessoa ligada ao gabinete de Flávio Bolsonaro no Senado -- e suspeita de repassar R$ 19 mil a Queiroz. 

Os agentes saíram de lá com duas sacolas carregadas.

Quase um ano depois, Queiroz parecia saber o que dizia quando previu a passagem do cometa.

Pelos lastros, o cometa acaba de estraçalhar o verniz anti-corrupção, real como nota de 3, que marcou o discurso e a campanha de Bolsonaro até a Presidência.

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