Prisão em que Brittney Griner está detida na Rússia é acusada de violar direitos humanos: ‘como nos gulags’

A jogadora de basquete Britney Griner está presa na Rússia desde fevereiro por tráfico de drogas após ter sido flagrada com substâncias proibidas no país durante o desembarque de um voo. Ela foi condenada a nove anos de prisão em outubro, quando acabou transferida do centro de detenção onde estava para a colônia penal IK-2, na Mordóvia, a 500 km de Moscou.

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A prisão é descrita por pessoas que conhecem o local como das mais duras do país. As colônias penais são notórias pelo tratamento abusivo dos presos, superlotação e condições adversas. Nadezhda Tolokonnikova, integrante do grupo musical Pussy Riot, chegou a fazer greve de fome durante sua passagem pelo local e denunciou ter sido submetida a 17 horas de trabalho por dia, além de sofrer constantes ameaças.

— Há privação do sono, pressão para cumprir quotas de trabalho impossíveis, [ficamos] reclusas, a gritar constantemente, sem parar, [tendo de] lutar por coisas mínimas — contou Tolokonnikova à NBC.

A socióloga Olga Zeveleva afirmou que o local é conhecido pelas queixas sobre as violações dos direitos humanos ocorridas ali, reiterando que o IK-2 “é o lugar que qualquer preso quer evitar”.

O centro penitenciário era usado como um gulag, campo de trabalho forçado existentes na antiga União Soviética, e mantém o mesmo aspecto “como se tivesse parado 50 anos no tempo”, segundo relato de Judith Pallot, professora de Oxford que visitou o local em 2017.

— Mandaram a Griner para a pior prisão de toda a Rússia. São normais os espancamentos, as torturas e quase não há assistência médica. Se não estiverem trabalhando, as prisioneiras têm de fazer trabalhos físicos muito duros, como cavar valas ou partir blocos de gelo. Se alguém se negar, vai para uma cela de castigo, um espaço mínimo e gélido. Os barracões têm entre três a cinco casas de banho para 100 ocupantes. Não há água quente. As condições são de escravatura — conta Tolokonnikova.

Transferência

A estrela do basquete americano estava presa na Rússia há mais de oito meses quando foi transferida para uma colônia penal para cumprir o restante de sua sentença. A decisão foi tomada depois que a Justiça negou seu recurso para reduzir a pena de nove anos por posse de drogas no mês passado. O caso tornou- se parte de uma disputa geopolítica entre Moscou e Washington, e os EUA vêm tentando garantir um acordo para sua libertação.

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Griner, de 32 anos, está detida na Rússia desde fevereiro, quando funcionários da alfândega do aeroporto de Sheremet’evo, em Moscou, encontraram dois cartuchos de cigarro eletrônico contendo óleo de haxixe em sua bagagem, quando viajava para se juntar ao time russo UMMC Ekaterinburg durante a intertemporada no basquete dos EUA. Ela alega que usa cannabis medicinal para o tratamento de diversas dores provocadas por lesões e que teve permissão de um médico americano.

Um tribunal russo a condenou em agosto por tentar contrabandear narcóticos, e um tribunal de apelação confirmou sua sentença de nove anos de prisão em outubro. Griner, que se declarou culpada, pediu desculpas pelo que chamou de ofensa inadvertida.