Principal desafio de Pato no São Paulo será entrar no ‘ritmo’ de Cuca

Colaboradores Yahoo Esportes
Alexandre Pato em sua primeira passagem pelo São Paulo (Alexandre Schneider/Getty Images)
Alexandre Pato em sua primeira passagem pelo São Paulo (Alexandre Schneider/Getty Images)

Por Rodrigo Coutinho (@RodrigoCout)

O São Paulo confirmou nesta quarta a contratação de Alexandre Pato, que retorna ao Tricolor Paulista depois da passagem que teve em 2014 e 2015. O Yahoo Esportes se propõe a analisar o encaixe do mais novo astro do elenco do Morumbi no time que se formará com Cuca, técnico que assume o comando na próxima semana. Obviamente que este exercício se baseia naquilo que Cuca vem entregando recentemente como modelo de jogo em suas equipes, e o que o atacante vem fazendo dentro de campo. Num primeiro momento é como encaixar bossa nova e heavy metal. Entenda:

Cuca é um dos técnicos mais vencedores do futebol brasileiro nos últimos anos. Ganhou Brasileirão e Libertadores, campeonatos estaduais, trabalhou fora do país e se estabeleceu no mercado. Seu último trabalho foi no Santos, em 2018, quando conseguiu recuperar o futebol da equipe e implementou suas ideias. Diretrizes bem claras! O sobrenome de Cuca como técnico é intensidade! Essa palavra que virou moda no futebol de hoje quer dizer o máximo possível de energia empregada em uma ação. E representa isso com times que marcam forte já no campo de ataque, inclusive obedecendo a encaixes nos adversários a partir dos homens de frente. Com a bola, cobra movimentos de profundidade de seus ‘’avantes’’, velocidade em trocas de posição, disposição para receber o jogo direto e brigar pela ‘’segunda bola’’ muitas vezes. Ou seja, Cuca é heavy metal!

Alexandre Pato é o refinamento técnico em pessoa. Jogador de qualidade indiscutível na finalização e no passe final para os companheiros, habilidoso, inteligente e acostumado a vestir grandes camisas do futebol internacional. Passou os últimos dois anos no Tianjian Tianhai (ex-Tianjin Quanjian) da China, onde se destacou e marcou 34 gols em 58 jogos, uma ótima média. Pato, porém, não se enquadra muito naquilo que Cuca pediu a seus atacantes nos trabalhos mais recentes. É um jogador de ritmo mais cadenciado, pouco afeito e colaborar extensamente sem a bola e notoriamente pouco intenso. Em suma, bossa nova…

Isso quer dizer então que não dará certo? Difícil responder essa pergunta sem o convívio de ambos no dia a dia. Nunca trabalharam juntos e dividirão vestiário pela primeira vez. Cuca pode criar um modelo que beneficie as características de Pato e absorver do atacante toda a qualidade nos metros finais do campo. Ao mesmo tempo, Pato pode encarnar uma versão jamais vista em seu desempenho. Tudo ainda no campo da especulação e da projeção, mas algo diferente precisará acontecer.

O próprio Pato chegou a sofrer críticas em diversos momentos da sua carreira justamente pela ausência de algumas valências que Cuca vê como primordiais para atacantes de suas equipes. Inclusive o treinador, de acordo com informações de repórteres muito bem informados nos bastidores do Tricolor, não vetou, mas também não se empolgou tanto com a ideia de ter o ex-atacante da Seleção em seu plantel.

Pensando em um cenário de disputa posição e até mesmo desenho tático baseado no que Cuca gosta de montar, é difícil não termos um duelo direto entre Pablo e Pato. O treinador não tem utilizado dupla de ataque há alguns anos. Quase sempre um trio de frente, com dois jogadores de maior mobilidade e poder de recomposição pelos lados, e outro mais à frente. Nessa futura ‘’queda de braço’’, Pablo acaba preenchendo os requisitos que Cuca costuma escolher. Começou mal o ano, mas vale lembrar que é o centroavante de uma equipe extremamente desorganizada em 2019. Ainda não teve um coletivo que lhe proporcionasse render.

Pato e Pablo têm movimentações bem similares em campo (Rodrigo Coutinho)
Pato e Pablo têm movimentações bem similares em campo (Rodrigo Coutinho)

Aconteça o que acontecer, é sabido que a contratação de Alexandre Pato representa mais uma ação da diretoria do São Paulo no sentido de oferecer grandes nomes e diminuir a pressão em cima de uma administração caótica. Ao contrário de alguns bons nomes trazidos no mercado de dezembro e janeiro, pouco estudo e preocupação em adequar o novo reforço à realidade de futebol que virá com Cuca. Qualidade não falta na dupla, mas só o tempo dirá se bossa nova e heavy metal podem tocar no mesmo diapasão e em harmonia.

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