'Pioneiros', presidentes se unem no 'Fla-Flu da paz' em prol do futebol brasileiro

João Mércio Gomes

Depois de reviravolta sobre liminar da Justiça por torcida única na final da Taça Guanabara, a relação dos presidentes de Flamengo e Fluminense se estreitou. Na manhã deste sábado, Eduardo Bandeira de Mello e Pedro Abad conversaram com a imprensa, lado a lado, na sede do Tricolor nas Laranjeiras. A dupla se uniu durante a semana com o mesmo objetivo: clássico com a presença das duas torcidas. A decisão do desembargador Gilberto Clóvis Farias Matos, tomada na tarde de ontem, agradou os clubes.

- Torcida única não é solução, não garante a paz no estádio. A confusão acontece fora. A campanha pela paz demorou, os clubes brasileiros poderiam ter feito isso há muito tempo. Estamos juntos nessa - disse o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, em coletiva nas Laranjeiras.

Para o presidente tricolor, as instituições se destacaram pela atitude de cobrar os direitos dos torcedores, da qual considera pioneira no país. Abad seguiu a mesma linha do rubro-negro e sugeriu ao clássico mineiro que adote o mesmo modelo.

- Atlético-MG e Cruzeiro fazem jogos com torcida única. Novamente, o Fla-Flu se mostra pioneiro. Talvez nossa atitude possa fazer com outras torcidas percebam o quão importante é esse movimento - revelou o presidente, antes de completar o raciocínio - A torcida única não quer dizer mais nada em relação a confusão. Hoje, através das redes sociais se marca briga longe dos estádios.

Os presidentes aproveitaram para convocar as torcidas organizadas na campanha pela paz nos estádios. Os dois aprovam a festa promovida por estes, mas pedem que não confundam a rivalidade com a violência.

- Sou fã das torcidas organizadas, via esse movimento fazendo espetáculos. Infelizmente por conta dessa minoria ficamos sem os espetáculos no estádio. Não fiquem nessa de provocação, vamos cuidar do estádio, cuidar do Engenhão. As torcidas organizadas que tiverem assistindo esse momento poderiam - afirma Bandeira, antes de Abad completar.

- É um movimento bacana, fora do Rio de Janeiro você vê as torcidas organizadas. São figuras importantes, mas sempre são manchadas pela minoria. Espero que elas possam se portar amanhã em um estádio que não é de Flamengo e de Fluminense. Sem violência. Provocação só dentro de campo, no estádio.

Ao final da coletiva, Eduardo Bandeira de Mello e Pedro Abad se abraçaram e apertaram mãos. Os presidentes ainda fizeram um 'tour' pelas Laranjeiras e conversaram, sozinhos, por mais alguns minutos. O clássico no Nilton Santos está marcado para amanhã, às 16h. Por enquanto, a final terá a presença das torcidas e, pelo bem do futebol carioca, sem violência no estádio.













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