Presidente da Fifa ajudou a me libertar, diz homem que invadiu campo durante Copa no Catar

Homem invade o campo durante partida entre Portugal e Uruguai pela Copa do Mundo do Catar

Por Philip O'Connor e Hani Richter

(Reuters) - O manifestante que invadiu o campo durante o jogo da Copa do Mundo entre Portugal e Uruguai segurando uma bandeira com o arco-íris disse à Reuters que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, interveio para garantir que ele fosse libertado pelas autoridades do Catar.

Vestindo uma camiseta azul com a mensagem "Salve a Ucrânia" na frente e "Respeito pelas Mulheres Iranianas" nas costas, Mario Ferri, que usa o apelido de Falco, foi abordado pelo pessoal de segurança e levado para longe.

"Gianni Infantino é inteligente --Falco é livre, sem problemas no Catar", explicou ele em uma entrevista de sua casa na Itália pela plataforma Zoom.

O homem de 35 anos disse que pensava que Infantino, que nasceu na Suíça e é filho de imigrantes italianos, queria evitar um incidente diplomático ou uma cobertura negativa da mídia, então ele interveio para que ele fosse libertado.

A Reuters entrou em contato com a Fifa para pedir comentários.

"A polícia do Catar é muito parecida com cavalheiros, muito amigável, me perguntou se eu queria água, café, um croissant. Muito amigável", disse ele.

Ferri disse que ficou sob custódia por cerca de meia hora quando o presidente da Fifa apareceu de repente.

"Depois de entregar meus documentos pessoais à polícia, eu estava esperando e em 30 minutos, Gianni Infantino, ele é o presidente da Fifa, veio para me ajudar", explicou ele.

INVASÕES ANTERIORES

Ferri disse que Infantino o reconheceu de invasões de campo anteriores --ele afirma ter feito 11 no total, inclusive nas Copas do Mundo de 2010 e 2014.

"Ele me perguntou: 'Por quê? O Catar é muito perigoso para você, mas eu tenho o plano de ajudá-lo'. Ele foi falar com pessoas importantes da polícia do Catar, e em 30 minutos eu estava livre. Estava livre, fora do estádio."

Ferri revelou que passou um mês atuando na ajuda humanitária em Kiev, capital da Ucrânia, e isso teve um efeito profundo sobre ele.

"Lembro-me de tudo, lembro-me das crianças que fugiam de suas casas, das senhoras idosas e dos homens idosos que não tinham casas, comida ou água. É muito importante para mim parar a guerra", disse ele.

Ferri deixou o Catar e diz que vai continuar com seus protestos

"Estou sempre tentando lutar por um novo mundo, não quero guerra no mundo. Eu quero a paz no mundo", disse ele.