Presidente da Federação Internacional de Vôlei é alvo de operação do MP do Rio

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Ex-presidente da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e atual presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), Ary Graça

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O ex-presidente da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) e atual presidente da Federação Internacional de Vôlei (FIVB), Ary Graça, foi alvo nesta quinta-feira de operação do Ministério Público e da Polícia do Rio acusado de participar de esquema de fraude tributária na cidade de Saquarema (RJ), onde fica o centro de treinamentos da CBV, inclusive com verba do patrocínio do Banco do Brasil (BB).

A polícia e o MP estão desde o início da manhã no apartamento de luxo de Graça, em frente à praia do Leblon, na zona sul da cidade, para cumprir um mandado de busca e apreensão. Ele não foi encontrado no local. Os agentes também foram à sede da CBV na capital fluminense.

O MP e a polícia cumprem no total 14 mandados de busca e apreensão no Rio e na cidade de Saquarema.

Ary Graça é um dos 10 denunciados por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa voltada para a prática de fraudes tributárias em Saquarema. Um ex-prefeito da cidade também é um dos alvos da operação.

Segundo as investigações, foram criados decretos para estimular a migração fictícia de empresas ao município de Saquarema para que pagassem menos impostos, configurando crimes de fraude tributária e fiscal. Dezenas de empresas chegavam a ter sede no mesmo endereço, segundo as investigações.

A verba do patrocínio do Banco do Brasil (BB) para a CBV também era usada para contratações fictícias, superfaturadas e fraudulentas, de acordo com investigações.

O manejo ilegal dos recursos era feito pelo ex-presidente da CBV e por ex-dirigentes da confederação. "Ary Graça Filho manejava os recursos de patrocínio do Banco do Brasil à entidade por ele administrada em favor de si próprio e do grupo criminoso, celebrando contratos com empresas recém-criadas, sem estrutura de pessoal e estabelecidas em sedes fictícias" disse o MP em nota.

"Apesar de possuir sede na capital, a CBV celebrou contratos que não foram devidamente executados com empresas estabelecidas em Saquarema por meio do esquema ilegal de fraudes tributárias", acrescentou a nota.

Ary Graça já esteve envolvido em outras investigações sobre o uso impróprio do patrocínio do Banco do Brasil. "O BB desconhecia o uso indevido dos recursos da CBV", disse um promotor do MP a jornalistas.

Procurada, a defesa do dirigente não foi encontrada.

A CBV afimou em nota que a Polícia Civil esteve nas instalações da confederação no Rio e em Saquarema or conta de uma investigação iniciada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em 2013 sobre ex-dirigentes da entidade.

"De acordo com as investigações, a CBV teria sido vítima dos seus então dirigentes, que teriam criado contratos fictícios para desviar dinheiro da instituição", disse.

"A atual gestão da confederação cooperará integralmente com a investigação e, se forem comprovados prejuízos financeiros à CBV, tomará todas as medidas necessárias para que estes valoes sejam integralmente ressarcidos à comunidade do voleibol."

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