Presidente da CBT destaca força das mulheres e busca para trazer um WTA para o Brasil

Luiz Candido/Luz Press


Rafael Westrupp, presidente da Confederação Brasileira de Tênis, conversou com o Tênis News e destacou a força do tênis feminino brasileiro e a nova geração que está chegando para o masculino.

Nossas meninas derrotaram a Argentina, no meio de novembro, ganhando vaga no Qualifier Mundial da Billie Jean King Cup com vitória na Argentina contra o time rival por 3 a 1, com Bia Haddad Maia vencendo dois jogos de simples e Laura Pigossi dando o ponto decisivo. Além disso, Bia terminou o ano no top 15 e foi indicada ao prêmio WTA Player Awards 2022 na categoria “Most Improved Player”. Pigossi entrou no top 100 e concorre a premiação Newcomer of The Year e está na briga por vaga no Australian Open; e ainda teve o retorno com sucesso de Luisa Stefani, ganhando três títulos e entrando no top 50; Ingrid Martins vencendo seu maior torneio e colando entre as 100 melhores, além dos ótimos resultados de Carol Meligeni, que se consolidou.

"Ano extremamente positivo para o tênis feminino. Tivemos por algum momento duas tenistas no top 100, algo inédito para o tênis brasileiro. Luisa voltando com tudo, saudável, se sentindo bem em quadra, sem dor, joelho 100% recuperado. Ela, com todo o potencial, conseguiu voltar bem e com resultado enorme. Carol está super sólida no circuito, quando não belisca uma final ou semi de simples, pega final de dupla. Ingrid teve a primeira oportunidade como convocada e está fazendo por merecer pelos resultados em duplas", disse Westrupp.

O próximo duelo do Brasil em busca da vaga no Finals para o fim de 2023 será a Alemanha fora de casa: "Acredito no time homogêneo, é natural a liderança da Bia, por todo o histórico e ascensão que ela teve, mas hoje temos uma número 2 muito forte, uma número 3, 4 e 5. Se for necessário uma jogar como número 2 hoje ou outra amanhã, qualquer uma tem capacidade. E a Bia puxando... Vejo que é um time forte para disputar qualquer nível de Billie Jean King Cup, os resultados são consequência de qualquer momento."

De acordo com Westrupp, um dos motivos para tal crescimento foi o investimento em torneios no Brasil e também parceria com Federações, como a portuguesa, que proporcionou diversos convites para Bia Haddad Maia em seu retorno ao fim de 2020 e começo de 2021.

"É um calendário que se iniciou, com muita luta, lá no fim de 2020, buscando um grande parceiro comercial para esse circuito, junto com nosso patrocinador Máster que é o BRB, que acreditou no projeto da plataforma de desenvolvimento do tênis, beach tennis e do tênis em cadeira de rodas. Entra a Unilever com a marca Dove e o BRB, compondo a questão financeiro para promovermos os eventos que se iniciaram em outubro do ano passado com torneios de US$ 25 mil masculino e feminino, na mesma data, e desde o princípio a Laura, Carol, Ingrid, Thaisa (Pedretti), Gabi (Cé) jogando o circuito e em casa conquistando pontos importantes para atingir uma meta que é jogar o quali do Australian Open com os pontos conquistados no Brasil. Então os pontos conquistados com o calendário daqui no Brasil foram fundamentais e aí logicamente elas vão para outra prateleira."

"A Bia, em março de 2021, estava jogando o Dove Men+Care. Na Argentina, eu me lembro muito bem, ela fez uma semi contra a Carol, que teve match-point, depois a Bia, com todo merecimento, ganha e dali..."

"Só que não limito apenas ao calendário que fazemos. Na parceria formal entre CBT e Federação Portuguesa de Tênis, relação institucional e direta que construímos com o presidente da FPT, usamos na retomada da Bia, ganhando convites para torneios em Portugal, performou de forma brilhante ganhando e sendo vice em outros. Dali foi para 500, 400 do mundo e foi o processo".

"A Laura Pigossi, no torneio de Barranquilla (começo de novembro), teve um problema de inscrição e falamos com o Davi Samudio, presidente da Federação Colombiana. Laura me ligou e falou 'Rafa, preciso de ajuda...tal. Conseguimos o wild card e retribuiremos em algum momento. Essa final em Barranquilla salvou outros 80 pontos que ela defendia e fez com que ela se mantivesse mais ou menos no mesmo ranking. Então foi a construção de poder otimizar por meio de nossas relações as oportunidades com nossos jogadores
e jogadoras lá fora também."

Falando nas mulheres, o Brasil recebe essa semana, na Rio Tennis Academy, no Rio de Janeiro, o maior torneio, o Aberto da República, um ITF W60 com US$ 60 mil em premiação. A CBT organizou anos atrás um torneio WTA 250 em Florianópolis. Westrupp afirma que tentou trazer essa competição de volta ao país, mas não houve data no calendário.

"Nesse momento, se a CBT pudesse trazer um WTA, seria um WTA 250, estrategicamente faz mais sentido do que um 125. Um torneio 125, a Bia não pode jogar porque está dentro do top 20, legal para Carol, Laura, Gabi, Thaisa, Ingrid. Para a Luisa, um 125 também já não serve mais a dupla. Pensaria que valeria a pena um WTA 250. A CBT já foi procurar a WTA e nos foi informado que só tem data disponíveis para um 125 no calendário. Infelizmente, não há um 250 disponível. Não é por falta de vontade da CBT."

Outro fator, além da questão da participação de nossas maiores jogadoras, que Westrupp aborda para não trazer o WTA 125 é o caderno de encargos que aumentam os custos: "Nesse momento, a realização de um WTA 125 é muito maior que um W100 da ITF, com premiação de US$ 100 mil, pois o caderno de encargos da WTA é muito maior que o da ITF e, no fim, um W100 oferece praticamente a mesma pontuação. Estrategicamente, hoje conseguimos quase fazer um torneio e mais 60% de outro de um WTA 125."

Se o feminino vai bem, no masculino temos Thiago Monteiro consolidado, perto do top 70 e os demais ainda chegando fora dos 200, 300 melhores. Em contrapartida, o Brasil conquistou feito inédito do título da Copa Davis juvenil em Antália, na Turquia, com João Fonseca, Pedro Rodrigues e Gustavo Almeida, derrotando times como Itália, Estados Unidos e França.

"Mérito dos meninos e seus treinadores e famílias, do capitão Rodrigo Ferreiro e também do Departamento de Alto Rendimento, que desde 2017 vinha sendo liderado pelo Eduardo Frick com o Patrício Arnold. Agora entra o Ivan Machado como Coordenador de Alto Rendimento. É um cara que vem do College, fez faculdade nos EUA com bolsa. Foi número 1 do Brasil de 18 anos, é conhecedor da modalidade. Está há seis anos como gerente geral da Cosat, tem conhecimento administrativo. A gente oferece como entidade a melhor estrutura para que essa garotada possa se desenvolver da melhor forma. O resultado é momento, poderíamos ter sido vice ou outro, mas o resultado começou a se construir no Sul-Americano na Argentina. Ganhar da Argentina lá é sempre complicado. Acredito que temos uma luz brilhando em um futuro próximo."

"Embora estejamos em uma entressafra no masculino, além dos meninos que logo, logo vão estar subindo como o Gustavo Heide, que está voltando de lesão, o Pedro Boscardin, que estava em fase incrível, teve uma lesão séria. Tem alguns nomes que vemos como um futuro. Não é em cinco ou dez anos, mas logo. Pucinelli se consolidando, mas não olhando para ranking ou idade, mas sim o processo de construção CBT e atletas, a confiança é muito grande para manter o alto nível que o feminino atingiu agora, mas também grandes nomes surgindo para entrar no top 150 dos brasileiros no masculino."

Westrupp garante que para 2023 teremos sequência na série de torneios da entidade e também na parceria com a Unilever para o Circuito Dove Men+Care: "Estamos bem confiantes que daremos sequência. A estratégia da Unilever em nível continental foi de retirar o investimento de alguns países, tem todo o contexto de Copa do Mundo. É sempre uma dificuldade se trabalhar em ano pré-Copa, ano de Copa e ano pós-Copa por várias razões, mas estamos bem confiantes de renovar e manter o mesmo volume de torneios para 2023.

Há uma estratégia enquanto Confederação, realizar os torneios profissionais, os challengers e ITF W60 a partir de junho do ano que vem. Quando acabar Roland Garros começam a contar as 52 semanas para o ranking olímpico, então entendemos que é mais importante realizar esses torneios após o término de Roland Garros para que os tenistas brasileiros que não têm panorama de classificação definido possam fazer seus pontos por aqui. Isso não exclui a possibilidade de torneios no primeiro semestre."