Isolamento, treino em casa e cartilha: Como a preparação física no futebol age durante a pandemia

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Foto: Getty Images
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Por Caio Alves (@CaioAlves)

Depois de chegar na Europa, foi questão de tempo para que o novo coronavírus atingisse e se espalhasse no Brasil. Entidades responsáveis tentaram continuar com o futebol, mas logo foram impedidos. Com as atividades suspensas em quase todo o mundo, o prejuízo se torna cada vez maior. Embora o lado econômico seja um dos mais citados e importantes, a preparação física dos atletas, os protagonistas do esporte, também requer atenção.

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Ao entrar nas redes sociais de jogadores, é comum se deparar com fotos e vídeos dos mesmos praticando exercícios físicos nos quintais de casa. Essa é, inicialmente, a solução que os clubes encontraram para manter a condição clínica. Ainda assim, principalmente sendo um contexto jamais encontrado anteriormente, não se sabe se é a melhor e mais efetiva medida a ser tomada no momento.

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O preparador físico Diogo Missena é um dos que buscam se adaptar. Integrante da equipe principal do Botafogo, o profissional explica como auxilia seus jogadores: “Por conta do distanciamento social, precisamos nos reinventar. Precisamos nos preocupar com alimentação, saúde mental, atividade física, social e outros. Um caminho é identificar qual a estrutura esse atleta dispõe em sua residência para individualizar ao máximo suas necessidades e possibilidades. Programas de treinamento são encaminhados para os atletas. Vídeos de análises de jogos e treinos, acompanhamento das atividades em tempo real ou vídeos, contato telefônico e vídeo-chamadas são algumas possibilidades que estamos utilizando”.

Com a paralisação geral, os torneios de base também foram afetados. O Bahia, tanto pelas categorias inferiores quanto pelo profissional, enviou cartilhas de exercícios aos funcionários. “Cada categoria, cada preparador físico planejou e enviou planos de treinos. Tem um trabalho geral de manutenção de força, resistência e outras qualidades físicas, atendendo, também, diferentes individualidades dos atletas de forma interna. Dessa forma, tentamos minimizar a perda que a gente vai ter”, relata Daniel Feliú, preparador da equipe sub-15.

É comum imaginar os jovens sendo mais prejudicados do que atletas das equipes principais. Para Daniel, no entanto, acontece o oposto: “O adulto, em relação a intensidade do jogo e a demanda que eles têm, cada detalhe importa ainda mais. Qualquer perda de condição física vai afetar muito mais. A gente tem um pouco mais de folga porque os torneios não são tão contínuos”, garante.

Enquanto órgãos responsáveis buscam soluções para questões econômicas e do próprio calendário, alguns clubes já tentam, ao menos, voltar à rotina de treinos presenciais. Altamiro Bottino, coordenador científico com passagens por clubes como Botafogo, Fluminense, Palmeiras e São Paulo, além da Seleção Brasileira sub-20, entende que as equipes devem considerar uma nova pré-temporada: “Vão ter que fazê-lo como tal. Cabe lembrar que não são cenários parecidos. As férias são cercadas de leveza, prazer e diversão. O momento atual é totalmente diferente. Estamos vivendo algo que nunca se viu, o que torna tudo cinzento.”

Para Bottino, pouco importa o semestre que o futebol for retomado, desde que haja tempo para preparação. “Se a CBF quiser cumprir todos os jogos de todas as competições ainda este ano, o espaço entre os jogos será muito pequeno. Haverá um grande risco de queda da imunidade dos jogadores pelo pouco tempo de recuperação. Especialistas têm alertado que o vírus ainda ficará entre nós por um longo tempo, portanto, jogadores submetidos a uma carga excessiva de jogos, viagens e estresse serão alvos de infecções”, analisa.

Durante a pandemia, o ideal e recomendado por especialistas é que todos, com exceção aos que realmente não podem, permaneçam em isolamento social. Tanto Altamiro Bottino quanto Daniel Feliú e Diogo Missena esperam que o vírus, com a responsabilidade e o esforço de todos, seja contido brevemente. Enquanto isso, o futebol, refém do COVID-19, busca, de maneira bilateral, o melhor caminho para o desfecho da temporada.

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