Prefiro não jogar esse jogo, diz Italo sobre interferência de Medina

BRUNO RODRIGUES
Folhapress
SÃO PAULO, SP, Brasil, 22-12-2019: Coletiva de imprensa na Japan House com o surfista Italo Ferreira, que conquistou o título mundial de surfe na última quinta (19). (Foto: Bruno Santos/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, Brasil, 22-12-2019: Coletiva de imprensa na Japan House com o surfista Italo Ferreira, que conquistou o título mundial de surfe na última quinta (19). (Foto: Bruno Santos/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Três dias após conquistar seu primeiro título mundial de surfe, Italo Ferreira, 25, já está com a cabeça na Olimpíada de Tóquio-2020, a primeira que contará com a modalidade na história.

Classificado para os Jogos ao lado do compatriota Gabriel Medina, o potiguar de Baía Formosa projeta uma disputada acirrada contra o bicampeão por uma medalha nas águas japonesas, a exemplo do que foi a última etapa do circuito, no Havaí, na qual disputou a final com Medina e ficou com o troféu.

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"Gostaria que o Filipe [Toledo] estivesse [na Olimpíada]. Seria um ouro, uma prata e um bronze. Mas vai ser só uma prata e um bronze... Quer dizer, um ouro e uma prata, me confundi. Eu levo o ouro e o Gabriel leva a prata", brincou Italo, em entrevista coletiva neste domingo (22), em São Paulo.

Foi justamente a queda de Filipe Toledo em Pipeline, no Havaí, que assegurou a classificação de Italo e Medina para a Olimpíada. Cada país terá dois representantes por gênero nos Jogos.

Em Pipeline, nas oitavas de final, Gabriel Medina cometeu deliberadamente uma interferência na onda do também brasileiro Caio Ibelli, tirando do rival as chances de virar o jogo no fim da bateria. Apesar de perder sua melhor nota como punição, conseguiu somatória suficiente para superar Ibelli e seguir na competição.

Para Italo, a artimanha do colega para se classificar não condiz com sua forma de enxergar o surfe competitivo.

"É um esporte individual, né. A gente batalha pelo melhor, tentamos fazer a melhor performance e acabamos deixando a amizade fora disso. O Gabriel é muito competitivo, até no futebol de mesa ele briga para ganhar", diz o potiguar.

"Eu prefiro não jogar esse tipo de jogo e não me preocupar com meu adversário. Acho que você tira o foco de você mesmo. As pessoas me perguntavam com quem era a minha bateria e eu respondia 'não sei, estou preocupado comigo, com minha mente'. Essa é minha linha de raciocínio. Eu prefiro jogar o meu jogo", completa.

Italo Ferreira retornará para Baía Formosa para curtir alguns dias com a família. O surfista de 25 anos retomará os treinos a partir da segunda metade de janeiro, já iniciando sua preparação de olho no circuito mundial e na Olimpíada de Tóquio.

Segundo ele, que começou a surfar aos oito anos de idade com uma tampa de isopor em Baía Formosa, a experiência nas águas da cidade natal poderá ser útil na Olimpíada.

“O Japão é bem parecido com onde eu moro. É uma onda nem tão grande, nem tão forte e com um pouco de vento, então nisso acredito que eu tenha um pouco de vantagem por surfar essa onda desde criança”, analisou.

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