Portuguesa completa 100 anos e, apesar desta década, só posso dizer "muito obrigado"

Jorge Nicola
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Eu, meu filho e meu pai em uma das várias tardes de torcida e sofrimento no Canindé
Eu, meu filho e meu pai em uma das várias tardes de torcida e sofrimento no Canindé

Meu primeiro amor atende pelo nome de Associação Portuguesa de Desportos. Do tipo de amor para sempre. Insubstituível, incondicional e inabalável, mesmo diante de tantos motivos. Sim, senhora Portuguesa, os últimos anos têm sido trágicos. Segunda divisão estadual, fora de qualquer das quatro divisões do Campeonato Brasileiro pela terceira temporada seguida, dívida de R$ 300 milhões, risco de o Canindé ser leiloado, complexo social totalmente abandonado e destruído...

Mas uma das coisas que aprendi com meu pai, responsável por me fazer luso, foi que um torcedor da Portuguesa não vive de títulos ou de conquistas. Vive única e exclusivamente da própria Portuguesa. E é isso que tento transmitir para o meu filho em todas as idas ao Canindé.

Preciso admitir que nem sempre contei tudo para ele. No auge da ingenuidade do Luca com seus quatro, cinco anos, não haveria a necessidade de ele saber que a vitória contra o Rio Claro não era na primeira divisão. O problema é que ele já completou oito e está tomando pé da nossa realidade.

Mas só vim escrever essas palavras para parabenizar a Portuguesa. Sim, minha amada Lusa completa cem anos desde sua fundação nesta sexta-feira, 14 de agosto. Um século de muitas glórias, histórias, contribuições para o futebol brasileiro e até para a seleção, e um pouco de títulos. Eu, por exemplo, vi duas conquistas da Copa São Paulo (e me diverti muito em ambas). Também festejei uma Série B do Brasileiro como se não houvesse amanhã.

Família reunida em mais um jogo no Canindé: agora com meu irmão e meu sobrinho
Família reunida em mais um jogo no Canindé: agora com meu irmão e meu sobrinho

Ainda vi a Lusa ficar no “quase” na final do Brasileirão de 1996, contra o Grêmio, e em algumas semifinais estaduais. O Corinthians adorava acabar com minhas esperanças de título enquanto pré-adolescente.

A Portuguesa atingiu o fundo do poço no ano passado. Está bem longe de sair de lá, e nem estou aqui para vender falsas ilusões, mas aos pouquinhos a coisa dá sinais de melhora. Nesta quinta, o presidente Antonio Carlos Castanheira assinou com a Estrella Galicia o maior patrocínio (do ponto de vista financeiro) desde 2013, data da última participação na Série A.

O time também não atrasa mais salários - o que não passa de uma enorme obrigação, mas que era praxe em 2015, 2016, 2017, 2018, 2019... As centenas de processos trabalhistas, passo a passo, estão se transformando em acordos.

Ainda acho que a salvação da Portuguesa passa pela venda do terreno onde está o Canindé. Entre os projetos apresentados recentemente, um deles prometia a construção de sete edifícios comerciais e um shopping. Em troca da cessão do espaço, a Lusa teria todas as suas dívidas quitadas e ganharia um estádio menor, além de um clube social vertical, no fundo do terreno. E ainda ficaria com uma participação nas receitas do shopping e das torres comerciais.

Sonhar não custa nada. E, como brasileiro, não desisto nunca. Parabéns, Lusa!! Ansioso pelos próximos cem anos.