Por que tão mortal? O coronavírus "engana" o corpo humano, dizem especialistas

Nathan Vieira
·3 minuto de leitura

Neste ano de 2020, fomos todos pegos de surpresa pela COVID-19, que inclusive continua a se espalhar pelo globo e, em meados de setembro, a marca de um milhão de mortes foi alcançada pela infecção. No entanto, quais aspectos exatamente fazem com que essa doença seja tão mortal?

Um dos aspectos que leva a ser tão perigoso é que nos estágios iniciais de uma infecção, o vírus é capaz de enganar o corpo. Acontece que o coronavírus SARS-CoV-2 corre pelos pulmões e vias respiratórias e o sistema imunológico acha que tudo está bem. Então as células do corpo começam a liberar substâncias químicas como um sinal de alerta para o resto do corpo e o sistema imunológico. No entanto, o coronavírus tem uma capacidade incrível de desligar esse alerta químico, fazendo isso tão bem que a pessoa nem sabe que está doente.

De acordo com o professor Paul Lehner, da Universidade de Cambridge, quando se olha para as células infectadas no laboratório, não é possível afirmar se elas foram infectadas. Além disso, a quantidade de vírus em nosso corpo começa a atingir o pico um dia antes de começarmos a ficar doentes, mas leva pelo menos uma semana para que a Covid progrida a ponto de as pessoas precisarem de tratamento hospitalar. Esse é um grande contraste com o Sars-CoV original, de 2002. Ele era mais infeccioso dias depois que as pessoas ficaram doentes, então eram fáceis de isolar.

Outro aspecto que leva a COVID-19 a ser tão mortal, segundo a professora Tracy Hussell, da Universidade de Manchester, é que se trata de algo novo, então não há imunidade anterior, o que pode ser um grande choque para o sistema imunológico. Aprender a combater uma nova infecção envolve muitas tentativas e erros do sistema imunológico.

Um dos aspectos que leva a ser tão perigoso é que nos estágios iniciais de uma infecção de COVID-19, o vírus é capaz de enganar o corpo(Imagem: Gerd Altmann/Pixabay)
Um dos aspectos que leva a ser tão perigoso é que nos estágios iniciais de uma infecção de COVID-19, o vírus é capaz de enganar o corpo(Imagem: Gerd Altmann/Pixabay)

A COVID-19 começa como uma doença pulmonar, mas mesmo assim, causa coisas estranhas e incomuns e pode afetar todo o corpo. O professor Mauro Giacca, do King's College London, diz que muitos aspectos são exclusivos da doença, diferente de qualquer outra doença viral comum. Ele diz que o vírus faz mais do que simplesmente matar as células pulmonares: ele também as corrompe. Células foram vistas se fundindo em células massivas e com mau funcionamento.

Além disso, o professor Giacca diz que é possível ter regeneração completa dos pulmões após uma gripe severa, mas isso não acontece com a COVID-19. "É uma infecção bastante peculiar", afirma. A coagulação do sangue também atrai atenção, e conta com histórias de médicos que não conseguiram colocar um cateter em um paciente porque ele foi imediatamente bloqueado com sangue coagulado.

Esses efeitos de corpo inteiro podem ser devido à porta celular pela qual o vírus passa para infectar nossas células, chamada de receptor ACE2. Pode ser encontrada em todo o corpo, incluindo nos vasos sanguíneos, fígado e rins, bem como nos pulmões. O vírus pode causar uma inflamação descontrolada em alguns pacientes, fazendo com que o sistema imunológico fique acelerado, com consequências prejudiciais para o resto do corpo.

Fonte: Canaltech

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