Por que os 42,7 mil novos casos desta quarta são o recorde do Brasil?

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Dados apresentados nesta quarta totalizaram 42,7 mil novos infecções de Covid-19. (Foto: REUTERS/Diego Vara)
Dados apresentados nesta quarta totalizaram 42,7 mil novos infecções de Covid-19. (Foto: REUTERS/Diego Vara)

O Brasil registrou nesta quarta-feira (24) um acréscimo de 42.725 casos novos de Covid-19 durante as últimas 24 horas no País. Com isso, já são 1.188.631 infectados desde o início da pandemia do novo coronavírus, segundo dados do Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde).

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O número de novos casos em si já chama a atenção pelo fato de serem tão altos que aparecem somente abaixo do recorde de 54.771 casos, ocorrido no último dia 19, quando o país ultrapassou a marca de 1 milhão de confirmações. No entanto, os 42,7 mil novos infectados desta quarta podem ser considerados o dado diário mais elevados.

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Isso por que os casos divulgados no dia 19 de junho traziam dados represados de dias anteriores e que não haviam sido contabilizados. O erro aconteceu, segundo o Ministério da Saúde, na plataforma “e-SUS” - sistema para armazenamento dos casos ambulatoriais do coronavírus.

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Em nota emitida no dia 19, horas depois da divulgação, a pasta comandada interinamente pelo general Eduardo Pazuello afirmou que o forte aumento na quantidade de casos aconteceu por uma instabilidade na rotina de exportações de dados estaduais, principalmente da Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo. Juntos, os novos casos desses Estados representam 27.436 infecções, disse o ministério.

Na prática, os 54.771 casos incluíram as mais de 27 mil novos infectados desses três estados. Com isso, os 42.725 registrados nessa quarta podem ser considerados um triste recorde para o país durante a pandemia da Covid-19.

MINISTÉRIO RECONHECE ‘FALSO-PLATÔ’ E AUMENTO NOS CASOS

Após comunicar, na última semana, ver uma tendência de estabilização da curva de casos e mortes por Covid-19, o Ministério da Saúde informou nesta quarta (24) que o país ainda registra avanço nos casos da doença.

A análise tem como base a comparação com dados mais recentes, os quais têm apontado aumento nos registros. “Tínhamos falado que a curva parecia que tendia à diminuição de casos, mas vemos que nessa semana tivemos aumento significativo”, disse o secretário de vigilância em saúde, Arnaldo Correia de Medeiros.

Segundo Medeiros, a média diária de novos casos teve aumento de 22% na última semana em comparação à anterior. Até então, dados das semanas anteriores apontavam para uma possível desaleceração no ritmo de aumento.

“Parecia que a curva estava chegando a um platô, mas entre a 24ª e 25ª semana epidemiológica, tivemos um aumento de novos casos”, disse. O mesmo ocorreu em relação à média diária de novas mortes na última semana, que voltou a registrar avanço após um primeiro sinal de queda.

O CENÁRIO BRASILEIRO

Além dos casos, que já superam 1,18 milhões, também foram registrados nas últimas 24 horas mais 185 mortes, segundo dados divulgados tanto pelo Ministério da Saúde quanto pelo Conass.

O país, que tem perto de 212 milhões de habitantes, é superado apenas pelos Estados Unidos no que diz respeito ao número de casos e de infectados, que possuem cerca de 2,3 milhões de infecções confirmadas e 121 mil óbitos.

O vírus avança em ritmos diferentes em cada região do país, de dimensões continentais.

Desde o início da pandemia, o presidente Jair Bolsonaro considerou as medidas de isolamento social adotadas pelos estados para freá-la como um "remédio pior que a doença", devido ao seu impacto econômico, e atribui a prefeitos e governadores as perdas humanas e econômicas da crise.

Estados como São Paulo (com mais de 13 mil mortos) e Rio de Janeiro (mais de 9 mil), onde a doença chegou primeiro, registraram respectivamente 284 e 142 mortos por Covid-19 nas últimas 24 horas e encabeçam a lista de contágios e mortes.

Mas as capitais dos dois estados iniciaram um processo gradual de reabertura econômica, depois de mais de dois meses de uma quarentena "morna", que restringiu as atividades comerciais, mas não obrigou as pessoas a ficarem em casa.

O estado vizinho de Minas Gerais não descarta impor um 'lockdown' para conter a escalada de casos e evitar o colapso do sistema de saúde, após uma flexibilização do isolamento social que levou o estado a registrar um recorde de 51 mortes em 24 horas.

Na região sul, que acaba de entrar no inverno, a situação também começa a se agravar. Na capital paranaense, as autoridades curitibanas advertem que o sistema de saúde poderia colapsar se a população não colaborar.

No norte, Manaus, no Amazonas, que viu seu sistema de saúde colapsado em maio, fechou seu hospital de campanha esta semana e registrou apenas oito mortos por Covid-19 nas últimas 24 horas.

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