Por que o Flamengo pode se tornar um "Real Madrid" na América do Sul

Flamengo esteve em três das últimas quatro finais de Libertadores (Marcelo Cortes/Flamengo)
Flamengo esteve em três das últimas quatro finais de Libertadores (Marcelo Cortes/Flamengo)

Maior torcida do Brasil, recorde atrás de recorde de arrecadação no continente, categorias de base em franca evolução e um elenco superior aos outros. Esses quatro pontos ajudam a explicar os 11 títulos do Flamengo desde 2019 e justificam a possibilidade de o clube alcançar uma hegemonia nunca antes vista no futebol brasileiro.

É considerável a diferença do Flamengo de hoje para outros times que tiveram supremacia, como o São Paulo campeão mundial de 2005 e tri brasileiro (2006, 2007 e 2008). Aquele Tricolor nunca foi o mais rico do país. Nem o mais popular. O sucesso se baseou em uma excelente infraestrutura e na escolha perfeita de jogadores e integrantes da comissão técnica.

O Flamengo atual também apresenta a fórmula são-paulina de 15 anos atrás. Mas tem muito mais. A começar pela capacidade de faturar. Em 2021, em meio à pandemia, o Rubro-Negro se tornou o primeiro clube brasileiro a ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão de receita. A conta fechou, de acordo com o balanço financeiro, em R$ 1,08 bilhão.

Nesta temporada, embalado pelos R$ 60 milhões de prêmio da Copa do Brasil e R$ 85 milhões da Libertadores, já é possível cravar que a arrecadação flamenguista ultrapassará R$ 1,1 bilhão. Contra cifras bem mais modestas dos concorrentes: Corinthians e Palmeiras devem ficar na casa de R$ 750 milhões, enquanto o Atlético-MG, empurrado pela venda de um shopping por R$ 340 milhões, tende a se aproximar de R$ 600 milhões.

A torcida tem papel fundamental em tamanha diferença, mas o mérito também é do departamento de marketing e das categorias de base. Em 2022, o Flamengo vai faturar pelo menos 50% a mais em acordos comerciais do que seus rivais.

Já as categorias de base foram capazes de gerar na última década, com transferências de atletas para o exterior, algo próximo a R$ 700 milhões. E mais dinheiro vem por aí com João Gomes, Matheus França, Victor Hugo, Hugo Souza, Petterson...

Não fosse pelo Palmeiras, bastante sólido dentro e fora das quatro linhas, e a hegemonia rubro-negra já teria causado desespero nos concorrentes. Vale lembrar que, em três anos, o Flamengo ganhou duas Libertadores, dois Brasileiros e uma Copa do Brasil.

Para fechar, é importante lembrar da promessa do vice-presidente de futebol do clube, Marcos Braz, de que o Flamengo se reforçaria com três ou quatro jogadores para o Mundial de Clubes da Fifa, em março. E que uma dessas novidades é um atleta de nível mundial.