Por que julgamos a mulher que posta foto do corpo?

Marcela De Mingo
·5 minuto de leitura
Uma bunda sim, e ela é nossa! (Foto: Reprodução/Instagram)
Uma bunda sim, e ela é nossa! (Foto: Reprodução/Instagram)

Ser mulher em um país como o Brasil é complexo. Deixando de lado (mas sem jamais esquecer) a questão da desigualdade de direitos e oportunidades, temos a objetificação do corpo feminino, que aqui ainda anda em velocidade máxima. Na prática, isso significa que as mulheres têm medo de mostrar o próprio corpo por conta do desejo masculino, aparentemente incontrolável, quanto se pegam escondendo o que gostam em si mesmas com receio do que as pessoas vão pensar - afinal, o julgamento alheio é sempre forte.

O reflexo desses medos e receios é perceptível de duas maneiras. Primeiro, pelos índices altíssimos de violência sexual que temos no Brasil, uma prova prática e, infelizmente, triste de como a objetificação é levada a extremos por aqui. A segunda maneira é pelo reforço de padrões de beleza, do "corpo perfeito", que já recheou inúmeras capas de revista e faz o mercado da beleza feminina faturar milhões anualmente.

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Entram na contramão de tudo isso movimentos que, sim, são tímidos se comparados à força de todo um sistema de pensamento, mas abrem espaço para questionamentos importantes. O #bodypositivity é um exemplo, que prega uma forma mais positiva e amorosa das mulheres olharem para o próprio corpo. O #acnepositivity é outro, dessa vez, voltado para os rostos com acne, uma condição tão comum no mundo todo.

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Movimentos como esses ganham reforço na boca de famosas que, comumente, se tornam objeto de desejo mundo afora e tem cada passo seu julgado porque, de fato, são pessoas públicas. Recentemente, algumas delas, como Gisele Itié e Anitta, usaram as redes sociais para questionar um fator interessante: porque a mulher, quando posta uma foto do corpo no Instagram, é julgada e criticada, mas o mesmo não acontece com um homem? E quando mulheres aparecem ultrassexualizadas em clipes de rap ou até em ensaios de revistas? Por que isso não é questionado?

Dizem as más línguas que, na verdade, isso tudo é só uma forma dessas mulheres "chamarem a atenção". E se for isso mesmo? E se tudo que aquela mulher quiser é chamar atenção porque ela se sente bem com o próprio corpo e quer que outras mulheres aprendam com ela? Qual o problema disso? Temos medo de exibir o corpo por uma série de motivos, um deles sendo de os homens acharem que uma foto da nossa bunda é uma permissão para o assédio sexual, mas é preciso começar de algum lugar.

Esta sou eu, mostrando minha bunda no meu Instagram

Conversas importantes já se tornaram mais comuns - elas invadiram até o 'BBB' -, mas a questão do corpo ainda precisa ser normalizada. Se uma mulher quer mostrar o próprio corpo, que ela possa fazê-lo livremente e sem medo do escrutínio alheio. Afinal, dificilmente o mesmo nível de crítica atinge um homem quando ele decide postar uma foto do tanquinho malhado ou do corpo na praia, certo? Veja só o Gusttavo Lima.

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Dito isso, vale relembrarmos algumas mulheres que recentemente, levantaram essa bola nas redes sociais e exibiram - com orgulho - seus corpos no Instagram, questionando padrões e gerando uma nova onda de discursos empoderadores.

1.Pitty

Recentemente, a cantora Pitty usou a sua conta no Instagram para liberar uma imagem em que aparece nua, à distância, de perfil. Personagem ativa nas pautas feministas por aqui, a cantora já deu entrevista ao jornal "Destak" falando sobre a maneira como encara o seu próprio corpo e como o mundo o vê. "A sociedade se acostumou a tratar o corpo feminino como coisa pública e a vontade da mulher como secundária", disse.

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2. Gisele Itié

Atriz reconhecida pela extensa carreira na televisão, Gisele Itié confessou recentemente que tinha vergonha de mostrar as formas nas redes sociais justamente por conta dos olhares julgadores de quem a acompanha. "Depois de anos eu consegui postar a tal foto da bunda. MAS morrendo de vergonha, afinal 'o que as pessoas vão pensar?'. MAAAS a vontade de me desafiar está sendo maior... poderia postar a foto com uma mensagem de auto ajuda? Poderia. Mas preferi falar a real", escreveu.

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3. Anitta

Vamos combinar, Anitta sempre foi uma personagem polêmica. No entanto, a cantora tem levantado pautas importantes para os seus seguidores. Uma das mais recentes foi a problemática de mostrar o corpo livremente nas redes sociais. "Esta sou eu, mostrando minha bunda no meu Instagram. Agora, uma pergunta especial considerando que o Dia Internacional da Mulher foi celebrado ontem… você pode usar bundas femininas nos seus clipes e cantar letras explícitas para obter visualizações e, ao mesmo tempo, dizer que as mulheres que mostram seus próprios corpos em suas redes sociais não merecem respeito? Estou confusa", escreveu ela.

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4. Gracyane Barbosa

Conhecida pelo corpo super em forma, Gracyane Barbosa levantou no seu perfil do Instagram outra bola importantíssima: o que é um corpo feminino e o que é um corpo masculino? Na legenda de uma das postagens, ela joga o questionamento ao abrir o jogo sobre um comentário feito com frequência sobre o seu próprio corpo: de que ele parece o de um homem. "Foi, e ainda é, inadmissível para muitos aceitar, que uma mulher pode ser forte. Ser mulher nunca foi fácil. Ser mulher alvo de machismo reproduzido por diversas mulheres, me tornou exatamente o que sou. Nunca foi fácil e eu nunca esperei que fosse. Jamais desistirei de chegar aos meus objetivos, estou só no começo do caminho", escreveu ela.

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5. Preta Gil

Sempre muito vocal a respeito do assunto, Preta Gil também usou as redes há algumas semanas para comentar sobre a sua relação com o próprio corpo. O seu enfoque fala, na lata, sobre acreditar na necessidade de seguir um padrão e buscar, aos poucos, uma relação mais saudável e baseada no amor-próprio e no conforto consigo mesma: "Quem me vê hoje pode achar que eu sempre tive essa relação mais liberta com meu corpo, mas nem sempre foi assim. O processo de autoamor para mim e minha geração não foi fácil, sou de uma época em que não tinha outra alternativa a não ser o padrão. O único corpo possível era magro e sarado. Eu tentei me enquadrar nesses padrões, mas adoeci meu corpo e minha alma. Foi uma longa jornada até aqui", escreveu ela.

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