Por que algumas seleções adotam cores diferentes daquelas que tem nas bandeiras de seus países?

Quem acompanha a Copa do Mundo no Catar já deve ter se perguntado por que algumas seleções não utilizam as cores das bandeiras em seus uniformes. É o caso da Austrália, por exemplo, que joga com as cores amarelo e verde.

Tendo em sua bandeira apenas azul, vermelho e branco, a seleção australiana adotou as cores amarelo e verde em seu uniforme a partir de 1984, e a explicação está na flora do país. O verde e amarelo se referem à acácia, uma árvore considerada símbolo da nação. Os australianos têm tanto apreço por sua árvore, a acácia-de-ouro — conhecida também como "golden wattle" —, que criaram até um dia para comemorar a florada dela, 1º de setembro, o Wattle Day. A árvore também aparece no brasão-de-armas da Austrália, ao lado do famoso canguru.

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Assim como o país da Oceania, outro competidor das eliminatórias asiáticas exibe um uniforme com cores diferentes da sua bandeira. Uma das teorias para a seleção japonesa adotar o azul como cor principal está relacionada à Universidade de Tóquio. Em 1930, quando a equipe havia sido formada pela primeira vez, foi escolhido o azul claro porque era a cor do uniforme utilizado pela antiga Universidade Imperial de Tóquio, de onde saíram alguns dos jogadores do time.

Também existem outras motivações para o time nipônico usar esta cor. O Japão teria optado pelo azul porque representaria as águas ao redor do arquipélago japonês ou para evitar confusão com outras seleções asiáticas que já usam vermelho, como China e Coreia do Sul. A Associação de Futebol do Japão não tem documentos oficiais que expliquem o motivo da escolha da cor. No entanto, os “Samurais Azuis” já utilizaram o vermelho, de 1989 a 1991. Contudo, a equipe não desempenhou o esperado e foi eliminada das classificatórias para a Copa do Mundo de 1990 e dos Jogos Olímpicos de Seul e Barcelona.

Como os japoneses possuem uma forte cultura da superstição, as cores da bandeira foram trocadas novamente pelo azul. Coincidentemente, a maré de azar em campo acabou e a seleção se classificou para a Copa do Mundo de 1998, na França.

A seleção alemã adotou a cor branca para estampar predominantemente seu uniforme. Mas não há branco na bandeira alemã, formada por três listras horizontais nas cores preto, vermelho e amarelo. Mas, então, por que a escolha da cor?

Os germânicos usam branco em alusão ao antigo reino da Prússia, que predominava no território alemão no início do século 20. Os prussianos tinham uma bandeira branca com uma águia e listras pretas gravadas. O uniforme seguiu mesmo após a dissolução da Prússia, em 1932, durante o regime nazista.

Realeza homenageada

A Holanda também possui outra cor para os trajes oficiais da seleção por conta da realeza do país. Os holandeses ainda possuem monarquia como regime institucional e a cor oficial da família real é a laranja.

Não foi sempre que a Laranja Mecânica vestiu essa cor. Em sua primeira partida oficial contra a Bélgica, em 1905, os jogadores vestiram o uniforme na cor branca com listras em vermelho, branco e azul. Com o passar do tempo, a seleção holandesa adotou a cor laranja em seu uniforme principal. Ela representa a dinastia que reina o país, a Orange-Nassau.

Apesar de não estar presente na Copa do Mundo de 2022, a Itália é outro país a adotar a pigmentação azul. A cor da camisa da famosa Squadra Azzurra — Esquadra Azul, é uma homenagem aos Savóias, família real que protagonizou a unificação da Itália no século 19.

Mas o azul não foi a única cor do time italiano. Nas duas primeiras partidas oficiais da seleção, o uniforme era branco, simplesmente pelo fato de o tecido ser mais barato. E assim, a cor oficial da realeza italiana passou a tingir o uniforme da seleção em 1911, quando o país ainda era uma monarquia.

Em 1937, a equipe adotou um modelo todo preto, cor símbolo do governo fascista de Benito Mussolini. O modelo teve vida curta e o azul voltou a ser a cor da camisa da seleção da Itália depois da Segunda Guerra Mundial, em 1945.