Por que A Vingança dos Sith é o melhor e mais corajoso encerramento de Star Wars

Foto: 20th Centery Fox/ Everett Collection
Foto: 20th Centery Fox/ Everett Collection

Por Thiago Romariz* — Na semana do 4 de maio de 2020, dia internacional de Star Wars, A Vingança dos Sith, terceiro capítulo da trilogia prequel, completa 15 anos e se firma como o melhor dos encerramentos da saga.

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Com o fracasso de A Ascensão Skywalker ainda latente, revisitei os últimos momentos de Anakin como um Jedi para comprovar que o Episódio III é, de fato, a comprovação do amadurecimento da série de George Lucas (e do próprio) em muitos aspectos.

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De antemão, vamos tirar os defeitos e simples traços de histórico que fazem Star Wars ser o que é. O excesso de efeitos visuais não é novidade. Lucas mergulhou com tudo na revolução gráfica do início dos anos 2000 e tornou esta trilogia seu sonho de criança.

Tudo que ele não podia incluir nos originais aqui ele colocou em dobro. Por outro lado, porém, o Episódio III é de longe o mais equilibrado dos prequels e tem efeitos menos nocivos à narrativa - e menos Jar Jar Binks.

Ao mesmo tempo, a infantilidade tradicional dos roteiros de Star Wars surge em momentos desnecessários e quase destrói momentos cruciais da jornada Skywalker. O ponto mais baixo deste aspecto são os diálogos, que nunca foram um primor na franquia, mas aqui se tornam um calo na narrativa.

Do "me abrace como em Naboo" até o "você está quebrando meu coração, Anakin", a química inexistente do casal Padmé e Anakin chega ao ápice com falas risíveis em momentos importantes. 

Dito tudo isso, o trunfo maior do filme está na coragem de desconstruir o principal herói e fazê-lo no meio de cenas de ação tensas e, muitas vezes, depressivas. No fundo, este é naturalmente o mais triste dos filmes de Star Wars, ainda que o planeta inteiro soubesse do final.

Não existe esperança como em Retorno de Jedi, nem revelações como em Ascensão. Vingança é sobre a derrota de um escolhido. Um sujeito que deveria salvar o mundo e, na verdade, acaba matando crianças. A polêmica cena de Vader assassinando jovens na Academia Jedi é compreensível, mas faz sentido se pensarmos no horror que o vilão representa para a galáxia na trilogia seguinte.

A tragédia de Anakin, garoto tirado da mãe e que testemunha a morte dela nos próprios braços, começa pelo desespero para salvar sua amada e filhos e termina no rompimento com seu mentor. O duelo entre Vader e Obi-Wan é um balé na lava que destrói aos poucos o Anakin que resta naquele corpo, literalmente.

Entre uma luta e outra ainda se vê o domínio armamentista imposto pelo Imperador, com claríssimos traços de totalitarismo político - e aqui talvez tenhamos a cena mais atemporal da história de Star Wars, junto com "Eu sou seu pai", quando Padmé diz "e assim morre a democracia, com aplausos", mostrando o domínio completo que Palpatine tem sobre a galáxia.

Poderíamos ainda falar sobre Grievous, o general robótico que entra em cena com quase nenhuma introdução e movimentos arrebatadores, representando a essência da mitologia de Lucas - zero explicação, 100% visual e muito espaço para exploração em outras mídias.

A cena de abertura com quase 30 minutos de duração é dirigida de forma sublime, misturando naves, sabre, comédia e o início da queda de Anakin. A Vingança dos Sith carrega defeitos inerentes à saga, mas envelhece melhor do que a maioria dos filmes dela e se mostra mais maduro que quase todos eles.

Episódio III é um filme que botou o vilão na posição de protagonista sem medo de contar uma história sobre derrotas e perdas, e como escolhas erradas podem te levar ao fracasso. E tudo isso com a audiência sabendo do final. George Lucas se redimiu de muitos erros dos capítulos anteriores por algo que muitas vezes falta ao cinemão atual: coragem.

*Thiago Romariz é jornalista, professor, criador de conteúdo e atualmente head de conteúdo e PR do EBANX. Omelete, The Enemy, CCXP, RP1 Comunicação, Capitare, RedeTV, ESPN Brasil e Correio Braziliense são algumas das empresas no currículo. Em 2019, foi eleito pelo LinkedIn como um dos profissionais de destaque no Brasil no prêmio Top Voice.

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