Por que a morte do general iraniano Qassem Soleimani deve preocupar os investidores

Yahoo Finanças
<em>Manifestantes seguram imagens do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, durante um protesto contra o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani, líder da unidade de elite Força Al Quds, e do comandante da milícia iraquiana Abu Mahdi al-Muhandis, que foram mortos em um bombardeio no aeroporto de Bagdá, em Teerã, no Irã, em 3 de janeiro de 2020. WANA (West Asia News Agency)/Nazanin Tabatabaee via REUTERS</em>
Manifestantes seguram imagens do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, durante um protesto contra o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani, líder da unidade de elite Força Al Quds, e do comandante da milícia iraquiana Abu Mahdi al-Muhandis, que foram mortos em um bombardeio no aeroporto de Bagdá, em Teerã, no Irã, em 3 de janeiro de 2020. WANA (West Asia News Agency)/Nazanin Tabatabaee via REUTERS

Quando o bom desempenho de um mercado é puramente baseado na esperança e não em fundamentos essenciais – como foi o caso do mercado de ações norte-americano no final de 2019 – um único evento que prejudique o motor dessa esperança pode alterar dramaticamente a percepção de risco das ações por um longo período de tempo.

Os investidores estão prestes a relembrar esta dolorosa lição.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

SIGA O YAHOO FINANÇAS NO INSTAGRAM

BAIXE O APP DO YAHOO FINANÇAS (ANDROID / iOS)

O índice de futuros Dow Jones Industrial Average caiu mais de 350 pontos na sexta-feira. O preço do ouro disparou e atingiu o valor mais alto dos últimos quatro meses, e o preço do barril de petróleo chegou perto dos U$ 70 após a morte do principal general iraniano, provocada pelos Estados Unidos.

Leia mais sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã

O general Qassem Soleimani foi morto após um ataque aéreo norte-americano com drones em Bagdá, informação confirmada pelo Pentágono na noite de quinta-feira. Soleimani, um dos maiores nomes da política do Oriente Médio, liderava uma unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã. Ele supostamente estaria envolvido em ataques recentes à embaixada dos Estados Unidos no Iraque, e estaria planejando outras ofensivas contra os interesses norte-americanos na região.

Especialistas acreditam que a execução de Soleimani vai piorar a já terrível relação entre os Estados Unidos e o Irã, negativamente influenciada, em boa parte, pelas duras sanções impostas ao país islâmico pelos norte-americanos.

Uma resposta iraniana diante da morte de Soleimani é vista como inevitável – o que não se sabe é se qualquer ação levaria o país a um conflito militar contra os Estados Unidos e seus aliados, e se este conflito seria capaz de prejudicar o crescimento global.

“Em geral, a chance de guerra é de 40%,” disse Henry Rome, estrategista do Eurasia Group. “Nós dividimos a guerra em dois subcenários: um conflito limitado (batalhas intensas por uma semana e pelo menos 100 mortos) e um grande conflito (um conflito afetando toda a região que duraria vários meses e envolveria um período prolongado de ataques contra a infraestrutura petrolífera regional). No cenário que indica uma chance de 40% de guerra, a probabilidade de um conflito limitado é de 70%, e a de um grande conflito é de 30%”.

Esses números não são muito reconfortantes.

Os investidores não devem tratar o aumento das tensões com o Irã como um evento de um único dia. É preciso se lembrar de que o excelente desempenho do mercado de ações norte-americano de 2019 – e o bom começo de 2020 – foi impulsionado pela esperança – parcialmente pela esperança de que a economia dos Estados Unidos se recupere em 2020 em meio a um panorama mais seguro em relação à guerra comercial.

Também há uma esperança de que o crescimento das grandes corporações norte-americanas chegue aos 10% – ou mais – impulsionado pelo baixo índice de inflação, preços baixos do petróleo e taxas reduzidas do Federal Reserve.

As avaliações do valor das maiores companhias dos Estados Unidos superaram os padrões históricos, mesmo com sinais limitados – ou inexistentes – indicando uma melhora no crescimento econômico do país.

Leituras sobre a saúde da produção manufatureira dos Estados Unidos, por exemplo, têm sido, na melhor hipótese, heterogêneas. No entanto, é provável que parte desta esperança cega nos mercados seja revogada na forma de realização de lucros. É improvável que os investidores tenham precificado adequadamente o aumento do risco geopolítico (que pode incluir preços muito mais altos do petróleo se o Irã tentar fechar o estreito de Ormuz) em suas perspectivas para 2020.

“Claramente, a maior preocupação para a economia mundial é de que os eventos saiam do controle e os Estados Unidos iniciem uma ofensiva militar completa contra o Irã,” afirmaram estrategistas da Capital Economics. A empresa estima que uma guerra entre Irã e Estados Unidos poderia reduzir o PIB global em cerca de 0,5%.

Enquanto isso, Valentin Marinov, estrategista do Credit Agricole SA, escreveu em uma mensagem para os clientes do banco europeu que a execução de Soleimani pode reduzir as esperanças que estavam sendo depositadas na recuperação da economia global.

É uma pena.

Brian Sozzi

Leia também