Por que a masculinidade tóxica é prejudicial para todos os funcionários

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Foto: Getty Images
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Muitos ambientes de trabalho ainda são dominados por posturas de masculinidade tóxica. É comum que predominem atitudes de concorrência implacável e agressiva, que ainda por cima acabam se tornando a norma para alcançar o sucesso no mundo dos negócios.

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De acordo com uma pesquisa do Equality Group, uma consultoria especializada em ajudar as empresas a atrair, reter e desenvolver talentos diversificados, 21% dos britânicos declararam que seus locais de trabalho são dominados por uma cultura machista que dificulta o avanço das mulheres na carreira e na sociedade.

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"Masculinidade tóxica é um termo usado para descrever ações normalmente associadas ao comportamento dos homens, como competição excessiva ou agressividade extrema nas relações interpessoais, além da repressão das emoções", explica Kate Cooper, líder de pesquisas, políticas e normas do Institute of Leadership & Management. "Na forma mais extrema, envolve ainda menosprezar qualquer atitude que não seja vista como masculina, ou seja, tudo o que pode ser associado à feminilidade."

Ou seja, a assim chamada masculinidade "tóxica" corresponde a uma percepção do que seria a visão do homem arcaico e atrasado. Algumas normatizações de gênero incluem parecer ser "durão" e desprezar sinais de fraqueza ou vulnerabilidade.

"Isso afeta as mulheres de duas maneiras: primeiro, elas costumam ser excluídas de oportunidades de seleção e promoção por não apresentar comportamentos associados à ideia de boa liderança. Segundo, elas são incentivadas a reproduzir esses comportamentos machistas para conseguir avançar na carreira", afirma Cooper.

"No contexto da liderança, podemos perceber isso pelas palavras associadas a líderes, que costumam ser as mesmas usadas para descrever comportamentos considerados masculinos", explica ela. "Por exemplo, os adjetivos decidido, confiante e corajoso, fortemente associados ao universo masculino.

Em ambientes de trabalho em que a liderança é vista de forma extremamente masculina, associada a um só gênero, muitas vezes as mulheres são excluídas, acrescenta Cooper. "Esse padrão também costuma ser usado para explicar por que as mulheres não conseguem ocupar tantos cargos de gestão e liderança, pois as características de um bom líder estão associadas ao universo masculino."

Pela primeira vez desde que a Bolsa de Valores de Londres foi criada, em 1571, o FTSE 350 tem 30% das posições de diretoria ocupadas por mulheres. Os dados mais recentes do 30% Club, organização que incentiva a uma maior representação feminina em diretorias, mostram que 903 dos 3.008 cargos de liderança são ocupados por mulheres. Apesar do progresso, ainda há um longo caminho a percorrer para chegar à igualdade de gênero.

Isso se deve, em parte, ao fato de que a cultura corporativa machista é, ao mesmo tempo, causa e consequência da desigualdade de gênero nos níveis de gestão, um problema que muitas vezes é ignorado.

"Uma pesquisa recente da Harvard Business Review revela que os homens são muito mais propensos a promover outros homens, porque identificam neles características que admiram, mesmo que essa predisposição seja inconsciente", acrescenta Kate. A pesquisa também comprova que, mesmo que uma mulher demonstre comportamentos "tradicionalmente masculinos" no local de trabalho, como agressividade ou monopolização das conversas, é provável que ela seja desfavorecida.

No entanto, as mulheres não são as únicas vítimas da masculinidade tóxica. Os homens também podem sofrer as consequências. Ela pode, por exemplo, levar os homens a reprimir sentimentos para satisfazer essas expectativas limitadas de masculinidade. No mundo dos negócios, se não forem vistos como dominadores ou agressivos, eles também podem acabar perdendo oportunidades.

"Nenhuma cultura descrita como tóxica pode ser considerada benéfica", afirma Cooper. "A masculinidade tóxica é muito prejudicial para as organizações por causa dessa noção limitada, que além de excluir as mulheres, também exclui muitos homens."

Essa cultura também pode provocar a exclusão de pessoas por sexualidade, gênero, raça e deficiências.

"Isso muitas vezes se manifesta em brincadeiras que, como mostra a nossa pesquisa, podem ser prejudiciais no ambiente de trabalho. Essas brincadeiras machistas tóxicas são excludentes por natureza, mesmo quando essa exclusão não é intencional. Elas podem ser agressivas, brutas, competitivas, muito duras, e essas são todas características associadas à masculinidade tóxica", explica Cooper.

Comentando a pesquisa do Equality Group, a fundadora da iniciativa, Hephzi Pemberton, afirma que os dados são um alerta para a necessidade de culturas mais inclusivas e positivas no mundo corporativo.

"Como sociedade, precisamos nos esforçar para acabar com o assédio, o bullying e o comportamento inadequado no ambiente de trabalho, criando e implementando políticas positivas", diz ela. "Embora a situação tenha melhorado, ainda há uma série de passos que as empresas precisam seguir para aprimorar a cultura organizacional. Sem dúvida, aumentar a diversidade nas diretorias e equipes de liderança de todo o país, ou seja, contratar mulheres e minorias étnicas, que podem contribuir com novas ideias, vai mudar a cultura organizacional para melhor."

Lydia Smith

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