Por diversidade, fotógrafo cria agência de influenciadores negros

André Damião quer ver mais diversidade em todos os campos da nossa sociedade. Foto: Adriano Reis/Divulgação
André Damião quer ver mais diversidade em todos os campos da nossa sociedade. Foto: Adriano Reis/Divulgação

Pensando na urgência de diversidade e representatividade em todos os campos da nossa sociedade, o influenciador e fotógrafo André Damião criou uma agência de influenciadores negros em Madureira, no Rio de Janeiro.

Segundo ele, é importante que exista pluralidade no mercado. “Como comunicador, já fiz inúmeros trabalhos onde eu era o único negro”, explicou em entrevista ao Yahoo. Damião também afirma sempre se questionar sobre o que o público gostaria de ver e leva isso em consideração ao fazer seu trabalho.

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Com o sucesso, Damião viajou para Angola e ministrou seu primeiro curso de rede social. Segundo ele, a viagem foi fundamental para que ele atingisse outro patamar como profissional. “Essa viagem me deu a oportunidade de falar sobre a comunicação do Brasil, levar cultura, arte e entretenimento”, disse.

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Leia a entrevista completa:

Como veio a ideia da agência?

André Damião: A ideia do selo veio pela urgência de diversidade e representatividade na área que eu atuo na comunicação. Como comunicador, já fiz inúmeros trabalhos onde eu era o único negro. Criei um selo pra trazer pluralidade racial no mercado.

Quando começou? 

Damião: Iniciei meu trabalho na fotografia em 2011. Em 2018, inaugurei o escritório físico.

Por qual motivo ela é importante? 

Damião: Ela é importante por ser gerada por um comunicador negro. Então, na hora de mover e criar, além de CEO, faço parte do público alvo que quero atingir. Sempre me questiono o que eu gostaria de ver enquanto público.

Como que é o processo de orientação dessas pessoas? 

Damião: O processo de orientação começa off-line. Começa conhecendo o influenciador, o que ele cria, gostaria de criar, e qual público gostaria de atingir. A partir da análise, seguimos com o trabalho de estudos de rede, criação de conteúdo e direcionamento artístico.

Me conte sobre sua viagem para Angola. Como foi?

Damião: A viagem para Angola me consolidou em um patamar artístico internacional. É incrível você viver a experiência de expansão. Além de viver um outro formato de comunicação, com naturalidade do protagonismo negro. Essa viagem me deu a oportunidade de falar sobre a comunicação do Brasil, levar cultura, arte e entretenimento.

Como ministrou o curso? 

Damião: Além do workshop, ministrei consultorias em empresas e para artistas locais. Saí da Angola com convites para 2020. Estou estudando possibilidades e me preparando para o retorno.

Me conte sobre seus projetos.

Damião: Hoje estou fechando alguns ciclos. Passei muitos anos retratando outras pessoas, dando identidade, conceito, em shooting assinado por mim. Agora chegou a vez de me retratar. A fotografia tem um espaço muito grande na minha vida, me moveu e me deu autoridade para retratar inúmeras questões que talvez não conseguisse me expressar. A fotografia me deu voz, abertura e alcance pra ser quem sou hoje.

Isso mostra outra vertente sua?

Damião: Vai ser importante estar em um novo formato na comunicação. Sou mais que um fotógrafo e estou mostrando isso. Para 2020, darei continuidade no selo de influenciadores. Também continuarei com a Trip Damião, que é meu projeto de viagem. E estou investido em mais um projeto solo que, em breve, compartilharei sobre. 

Qual a importância de ter cada vez mais influenciadores negros?

Damião: A importância vai além de representatividade (que por si só já é muito). Mas ter influenciadores negros atualmente no Brasil é um ato de reparação história. Durante muito tempo o mercado foi excludente. 

Por qual motivo essas pessoas são importantes?

Damião: Além das campanhas, é importante a presença de pessoas negras no processo criativo. As ações que são “boicotadas” por falta de diversidade, ou por reproduzir conteúdo racista são boicotadas por não terem diversidade na equipe. Estamos em um processo de mudança e é preciso ter não só igualdade, mas equidade nos espaços. Principalmente nos espaços remunerados.

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