Por criação da Libra, ex-CEO do Bahia analisa possibilidade de união dos clubes

Pedro foi dirigente do Esquadrão entre 2015 e 2017 (Divulgação/Assessoria de Imprensa)


O futebol brasileiro vive novamente um debate importante e que pode definir seu futuro em meio a abordagem da proposta de formação de uma nova liga, dessa vez nomeada como a Liga do Futebol Brasileiro (Libra).

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A proposta envolve os 40 clubes da Série A e B e já avançou em alguns pontos, contando com a adesão de algumas equipes. Entretanto, nem todas concordaram com a formatação inicial do projeto e, consequentemente, essa falta de alinhamento absoluto divide o total das equipes em blocos.

O acontecimento mais recente foi a divulgação de uma carta-proposta divulgada por alguns dos clubes que não estão totalmente de acordo com a proposta original e pediram mudanças nos termos.

Pedro Henriques, ex-vice-presidente e ex-diretor executivo do Bahia, comentou a dificuldade em chegar a um denominador comum que seja capaz de satisfazer a todos os anseios. Entretanto, também pontuou que existe um avanço palpável no tema, podendo se acreditar na possibilidade concreta de que o projeto saia da teoria e entre no caráter prático.

- Sem dúvidas é algo real. Claro que haverá conflito de interesses, pois quem se beneficia pela atual distribuição não vai ficar satisfeito com uma mudança. A realidade é que houve uma alteração de cenário importante nas negociações de 2016 (direitos de transmissão de 2019 à 2024). Foi ali, com a chegada da Turner, através do Esporte Interativo, que se implementou pela primeira vez no Brasil o modelo de distribuição 50-25-25. Isso fez com que o Grupo Globo reagisse e finalmente mudasse seu modelo para o atual 40-30-30. Foi uma evolução, indiscutivelmente. No entanto, com a não inclusão do Pay-per-view nesse modelo de divisão, as distorções ainda se mantiveram. Penso que é inevitável, para haver uma liga, que o modelo seja mais equitativo. Creio que não importa tanto se 50-25-25 ou 40-30-30, a grande questão a definir é a diferença máxima entre quem mais arrecada e quem menos arrecada na competição. Chegar a um consenso sobre esse número é o desafio - disse.

O ex-dirigente destacou, ainda, que a dificuldade em unir os interesses próprios de cada um dessas equipes é o maior obstáculo para o avanço da discussão no Brasil:

- Acredito que todos os clubes estariam unidos nas agendas de calendário e profissionalização da arbitragem. O principal ponto de divergência, sem dúvidas, é a divisão de receitas pois, infelizmente, muitos dirigentes pensam de forma limitada, no seu clube, sem perceber que o crescimento da competição, no médio e longo prazo, o beneficiará. Outro ponto delicado deve ser o fair play financeiro pois, certamente, haverão aqueles que entendem que não deve haver intervenção externa na gestão dos clubes. Mas a realidade é que a profissionalização da gestão é algo imperativo para profissionalização do nosso futebol e é inadmissível vermos tantos absurdos na gestão dos clubes brasileiros que atrasam salários, direitos de imagem, impostos e as mais variadas obrigações para montarem elencos que não tem condição de pagar e ter conquistas em campo que são construídas em cima de verdadeiras fraudes.

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