Polícia pede DNA a famílias para identificar mortos pela milícia do Rio

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Polícia tenta identificar vítimas da milícia no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)
Polícia tenta identificar vítimas da milícia no Rio de Janeiro (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Polícia suspeita que ossadas são de vítimas da milícia “Caçadores de Ganso”, que atua desde 2016 na região

  • Corpos foram encontrados em poço de 14 metros de profundidade

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A Polícia Civil do Rio de Janeiro tenta identificar as ossadas de vítimas da milícia encontradas nesta semana em Queimados, no Rio de Janeiro. Já foram pedidos exames de DNA para duas famílias para ajudar no processo de análise dos corpos.

As ossadas vão ser analisadas por um perito antropólogo, mas uma análise preliminar sugere que sejam ossos de homens. A polícia afirma que eles foram mortos pela milícia "Caçadores de Ganso", porque já foram encontrados no mesmo local corpos de pessoas mortas a golpes de facão por integrantes da organização criminosa.

Os ossos estavam enterrados em um poço de aproximadamente 14 metros de profundidade. O trabalho de escavação foi realizado na quarta-feira (11) e na quinta (12), com a ajuda de uma retroescavadeira. Roupas, chinelos e botas foram encontrados junto com os ossos humanos. Um dos crânios encontrados estava com um aparelho dentário com borrachas vermelhas, o que pode ajudar na identificação.

Poço onde foram encontradas ossadas das vítimas da milícia em Queimados, Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)
Poço onde foram encontradas ossadas das vítimas da milícia em Queimados, Rio de Janeiro. (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

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A polícia afirma que pelo menos uma das vítimas foi assassinada em 2016, quando a milícia Caçadores de Ganso começou a atuar nos condomínios do Minha Casa Minha Vida em Queimados. O delegado Moises Santana, titular da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense, afirma que começaram a identificar as vítimas traçando perfis de possíveis suspeitos com envolvimento no tráfico, já que é assim que a milícia opera na região:

“Eles buscam matar pessoas envolvidas com crimes de roubo, traficantes. Só que nisso eles matam usuários, pessoas que andavam com usuários. Eles matam quem eles acham que tinham a ver com o crime. Eles buscavam fazer uma limpeza social”, contou Santana durante coletiva de imprensa.

Ele conta, ainda, que com o tempo a organização criminosa passou a executar pessoas por desavença, brigas por causa do envolvimento com mulheres e até simples demonstrações de poder. De acordo com informações do G1, em julho já haviam sido identificadas pelo menos 23 vítimas do grupo, mas o número real de mortes pode chegar a 100.

No dia 18 de julho, 27 suspeitos de integrar a Caçadores de Ganso foram presos, inclusive o vereador Davi Brasil Caetano (PTdoB).

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