PL Brasil: A Inglaterra precisa de um Tite

Voltemos um pouco para o passado. Para a Copa do Mundo de 2002, especificamente, quando o futebol inglês caminhava a pequenos passos para se popularizar aqui no Brasil. Ashley Cole, Rio Ferdinand, David Beckham, Paul Scholes, Robbie Fowler e Michael Owen compunham a respeitável esquadra inglesa para o mundial daquele ano. Mas nem só de estrelas vive uma equipe vitoriosa. Sob o comando do sueco Sven-Göran Eriksson, o English Team saiu derrotado justamente para nós, brasileiros, nas quartas de finais. Reveses como esse se tornariam cada vez mais recorrentes a partir de então.

O filme se repetiu na Copa do Mundo de 2006. Vimos de novo uma delegação recheada de craques e bons jogadores como Steven Gerrard, Frank Lampard e John Terry. Mas vimos de novo essa mesma Inglaterra ser eliminada nas quartas de finais em jogo pra lá de polêmico contra Portugal. Após o mundial na Alemanha, Steve McClaren assumiu o comando da seleção no lugar de Eriksson, mas o comandante inglês só conseguiu piorar a situação. Resultado? English Team sequer classificado para a Eurocopa de 2008. A primeira vez em 24 anos de competição.

Na África do Sul, a Inglaterra de Fábio Capello terminou a fase de grupos em segundo lugar jogando contra seleções de níveis teoricamente inferiores: Estados Unidos, Eslovênia e Argélia. No mata a mata, mais uma eliminação. Desta vez, nas oitavas, contra a Alemanha.

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É difícil de acreditar que essa geração não tenha ganhado nada! (Foto: Getty Images)

Para finalizarmos a linha do tempo e refrescarmos a memória de um passado não muito distante: Inglaterra em último lugar do seu grupo na Copa do Mundo de 2014 e eliminada para a modesta Islândia nas oitavas da Euro 2016. No plantel estavam bons jogadores como Harry Kane, Wayne Rooney, Jamie Vardy, Raheem Sterling e Adam Lallana. Vexame atrás de vexame! 

O futebol nacional, pelo menos, se desenvolveu como nunca. O desastre de Hillsborough em 1989 e o Relatório Taylor, publicado um ano depois, escancararam os erros de segurança e organização do futebol inglês, fazendo com que a liga se tornasse o campeonato de futebol mais valioso e mais assistido no mundo inteiro. Transações valiosas, estádios cheios, jogos emocionantes (não entraremos em mérito aqui se a Premier League se elitizou ou não) já fazem parte da cultura futebolística do país.

O que falta para a seleção inglesa engrenar, então? Ora, basta olharmos para a lista de treinadores desde a saída de Sven-Göran Eriksson. Steve McClaren, Stuart Peace, Roy Hodgson e Sam Allardyce nunca ganharam títulos expressivos em suas carreiras como técnicos. Além disso, são técnicos antiquados, que pararam no tempo. Fabio Capello até estava em alta na época em que assumiu a esquadra inglesa, porém, hoje em dia, não passa de utreinador mediano.

A Football Association vem pecando – e muito – na escolha de seus treinadores. Gareth Southgate, que por um acaso estava na Copa de 2002 como jogador, é muito inexperiente para um cargo de tamanha responsabilidade. Estamos falando de uma das maiores e mais tradicionais seleções de futebol do mundo! O jovem comandante inglês ainda pode provar o seu valor, mas a tendência é que ele se torne apenas mais um Dunga nessa caminhada.

Dele Alli Eric Dier Wayne Rooney England Russia Euro 2016

A atual geração é boa. Falta quem organize (Foto: Getty Images)

A Inglaterra precisa de um Tite para reencontrar outro título de grande expressão (os Leões levantaram a taça de 1966). Um técnico moderno e experiente que consiga extrair o melhor dos seus jogadores, que consiga dar uma cara para a equipe e que construa um padrão de jogo bem definido. A Inglaterra precisa de um verdadeiro líder fora dos gramados, como o técnico brasileiro vem sendo.

A nova geração não é tão brilhante quanto as anteriores, mas anima. Dele Alli, Eric Dier, Marcus Rashford, Ross Barkley, Ward-Prowse, Nathan Redmond e John Stones são jovens promessas que podem dar muito certo no futuro. Algumas já mais lapidadas que outras, mas, no geral, bons jogadores. Tudo depende da maneira como essas peças serão utilizadas e exploradas nas próximas competições. E aí, novamente, a importância de um técnico lúcido e que entenda o cenário futebolístico atual.

O planeta bola é regido por federações, cartolas, marketing e interesses políticos. Estamos cansados de saber. Talvez esses sejam os motivos pelos quais a Football Association esteja escolhendo tão mal os seus técnicos. Ou talvez a F.A seja despreparada e esteja realmente pecando em suas análises internas. Mas uma coisa é certa: é necessário que o English Team tenha um comandante de verdade para alçar voos maiores daqui em diante. Caso contrário, continuará sendo uma seleção que mete medo em ninguém.