Pituca critica 'pessoas responsáveis pelo Santos', após proposta com clube japonês não evoluir

Fábio Lázaro
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Após negociação frustrada com o Kashima Antleres (JAP), o meia Diego Pituca demonstrou insatisfação pela forma com que a diretoria do Santos lidou com a condução do processo.

Na última semana, o Comitê de Gestão e o Conselho Fiscal do Peixe aprovaram uma proposta de 1,6 milhões de dólares (R$ 8,2 mi) do clube japonês pelo jogador. Como a atual gestão se encontra nos últimos três meses de mandato, o negócio teria que ser levado para a aprovação do Conselho Deliberativo, mas na última quinta-feira (17), dia da Assembleia Extraordinária, o presidente Orlando Rollo entrou em contato com a Mesa Diretora do Conselho pedindo para retirar o assunto de pauta, a fim de que o presidente eleito, Andrés Rueda, tomasse a decisão a partir do dia 01º de janeiro. Irritado, o Kashima retirou a oferta por Pituca, que, por sua vez, se viu desrespeitado pelo representantes do Alvinegro.

- Todos sabem do meu carinho e devoção com o Santos, meu clube de coração desde criança, e acho que todos entendem também que sou profissional. Ganho minha vida e sustento minha família com esta atividade, seja no Santos, seja em qualquer outro clube no qual eu já defendi, com salário em dia ou atrasado, sempre com dedicação e profissionalismo. Me entristece demais a falta de respeito com a qual venho sendo tratado não pela entidade, mas pelas pessoas responsáveis pelo Santos. Sigo meu trabalho de cabeça erguida, em busca da tão sonhada final da Libertadores, mas peço a aqueles que representam os interesses do Santos respeito e consideração por tudo que já fiz com esta camisa - disse o meia em nota oficial.

Após a posse do novo Comitê Gestor e Conselho Deliberativo, nesta segunda-feira (21), o presidente em exercício, Orlando Rollo, considerou a proposta boa, mas disse que a decisão de pedir para que ela fosse retira-la da votação foi em conjunto com o grupo que assumirá em janeiro. Além disso, ele considera que o fato do Peixe ter se classificado para as quartas de final da Libertadores, um dia antes da assembleia, e assim angariando 2 milhões de dólares (R$ 10,3 mi), faria que os conselheiros fossem contrários a negociação.

- A gente julga ser uma proposta muito boa, acima do valor de mercado, pelo fato da gente considerar que são só 50% dos direitos do jogador. Mas é a mesma questão do Lucas Veríssimo, a gente não se sente confortável em negociar o atleta faltando poucos dias do mandato. Foi mais uma questão que a gente passou para o próximo presidente, Andrés Rueda. Por que a gente manteve a negociação, a proposta no Conselho Deliberativo, para ser o nosso Plano B, caso o Santos na passasse na Libertadores - afirmou Rollo.

O mandatário santista ainda disse que o superintendente de esportes, Felipe Ximenes, está na busca para tranquilizar, tanto o jogador, quando o seu agente.

- Quem tá à frente dessa questão é o professor Felipe Ximenes, nosso executivo, superintendente de esportes, ele que está falando pessoalmente com o Diego Pituca e o seu agente, no sentido de tranquilizar o atleta. Existe um dispositivo estatutário que nos últimos três meses, nenhum atleta pode ser negociado sem o aval do Conselho Fiscal e Deliberativo. E é muito difícil o atleta, os agentes, os outros clubes entenderam que esse dispositivo raro existe, pelo que tenho conhecimento isso só existe no Santos. Ninguém acredita que isso existe. E isso cria dissabores, já criou com o Benfica (no "caso Veríssimo), está criando agora com o Kashima - pontuou o Orlando.

Por sua vez, o presidente eleito, Andrés Rueda, se manteve cauteloso, reconheceu a necessidade de conversar com Diego Pituca e exaltou o profissionalismo do jogador.

- O Kashima retirou a proposta. Agora a gente tem que conversar com o Pituca, que é um jogador com um profissionalismo ímpar, a gente tá tranquilo com a posição dele e isso vai ser resolvido, pretendo, antes do começo do ano espero ter uma posição tranquila do jogador - externou Rueda.

No futebol japonês, Pituca ganharia mais de 1 milhão de dólares (R$ 5,1) por ano, além de outros benefícios. A possibilidade de criar a família em um país de primeiro mundo também empolgava o meio-campista, que é casado e tem uma filha de cinco meses.