Piscina de ondas tem história secular

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Quem teve a ideia de (re)criar o mar no meio do deserto? (Stab)
Quem teve a ideia de (re)criar o mar no meio do deserto? (Stab)


Por Emanoel Araújo

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Dezembro já estava na metade e o surfe já encerrava as atividades no ano de 2015. Adriano de Souza vencera o campeonato e, quando todos imaginavam que o surfe de elite chega ao fim, o mundo se surpreendeu com este vídeo:

Para muitos, Slater inaugurava uma nova era no surfe. Hoje o Yahoo Esportes mostra que Surf Ranch não é o início, mas o fim de uma busca antiga da humanidade: reproduzir a força e fúria do mar através de uma onda mecânia.

:: 1886 - ONDA REAL

A primeira empreitada custou muito aos cofres públicos. Durante o reinado de Luis II da Baviera (1863-1886), a região foi absorvida pelo Império Alemão e, sem muitas atribuições administrativas, “vossa realeza” se voltou a patrocinar artistas e gastar o projeto arquitetônico: um “fabricador de onda”

Luis II usava barco para “pegar onda” (Reprodução)
Luis II usava barco para “pegar onda” (Reprodução)


Ao que consta, o rei da Baviera, também conhecido como “Rei Louco”, fugia das críticas a seus gastos se refugiando em seu lugar preferido no castelo. Uma nessa gruta eletrificada [imagem acima] geravam energia para o lago. Relato dos súditos afirmam que ele ficava horas sobre o barco, se balançando de acordo com a ondulação formada.

:: 1929 - SONHO ALEMÃO

O fascínio atravessou o império e chegou na república. No início do século XX, a Alemanha era pioneira no setor mecânico. É de lá o primeiro registro da piscina de ondas, na forma mais literal da palavra:


:: 1969 – POPULARIDADE NOS EUA

Em meados de 1965, estreava nos Estados Unidos uma série de televisão sobre uma adolescente californiana que descobre o surfe. Gidget populariza o esporte e, em 1969, surge a Big Surf. Próximo ao deserto do Arizona surge uma piscina que produz, a cada 6 segundos, ondas de meio metro. A dinâmica era a mesma de uma descarga: água era bombeada na parte de cima e lançada com força na piscina. Detalhe: surfistas eram permitidos apenas na última hora de atividade do parque (17-18h).


:: 1985 – UM ‘MICO’ DE CAMPEONATO

A duas horas de Nova Iorque, a cidade de Allentown recebia o primeiro “Campeonato de Surfe Interno”. O bicampeão mundial, Tom Caroll venceu Michael Ho em uma final com pouco público e a água turva devido ao excesso de cloro. Um evento que foi considerado um fracasso de crítica e até mesmo público. Pouco mais de 5000 ingressos foram vendidos.

No Dorney Park, Tom Caroll teve 2 pés de onda para satisfazer poucos espectadores (Reprodução)
No Dorney Park, Tom Caroll teve 2 pés de onda para satisfazer poucos espectadores (Reprodução)


:: 1989 – PARECE ATÉ DESENHO

Em 1ª de junho de 1989 a Disney inaugura seu segundo maior parque aquático dentro de seu complexo na Flórida. O cenário reproduz uma ilha tropical no Leste Asiático com ondas 1 metro e meio em um intervalo de 6 segundos.

Em 2009, as praias da Flórida recebiam o King of Groms, espécie de mundial sub-18 da categoria. Sem nenhum bom swell previsto até o final da janela de espera, o diretor da prova, Matt Kechele, levou a decisão para o parque. O americano Evan Geilseman ganhou o título na Disney e, de quebra, uma passagem à França. Na finalíssima do mundial, o título ficou com Gabriel Medina.


:: 2015 – BANHO DE ÁGUA FRIA

Dolgarogg é uma vila no País de Gales marcada por desastre na barragem no início do século passado. Em 2013, a comunidade voltou a fazer parte do noticiário internacional por uma nova enxurrada. Pela primeira vez na história, uma piscina começa a vender suas ondas para uso exclusivo dos surfistas.

Dois anos depois, em uma parceria com a Red Bull, surge o Unleashed (Desencadeado). O campeonato, realizado em pleno outono (mês de setembro) da Grã Bretanha, convidou vários surfistas famosos para a estreia oficial da piscina. A vitória do havaiano Albee Layer marcou o único evento do local. Após três meses, Slater afoga os planos da Snowdonia e entra de vez no surfe competitivo.

Como desgraça pouca é bobagem, em junho de 2016, a empresa galesa afirma problemas mecânicos, fecha o parque e demite 68 funcionários.

Como vimos, a Kelly Slater Wave Company foi o início de uma nova era no surfe. Em um futuro próximo, o esporte olímpico pode estrear o surfe em onda artificiais ou até mesmo criar uma nova categoria. A única certeza é que a obstinação do homem em reproduzir os dias épicos do mar pode garantir uma nova forma de surfar e competir. Como você viu, as ferramentas para isso já foram inventadas.

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