Pia mantém base de Vadão na primeira convocação pela seleção feminina

Yahoo Esportes
Pia faz primeira convocação pela seleção feminina (Lucas Figueiredo/CBF)
Pia faz primeira convocação pela seleção feminina (Lucas Figueiredo/CBF)

Anunciada pela CBF como nova técnica da seleção feminina em julho, Pia Sundhage fez sua primeira convocação na tarde desta terça-feira, visando o torneio amistosos de seleções que será realizado no Pacaembu, em São Paulo.

Apesar de ter apenas poucas semanas de trabalho, Pia viu alguns jogos in loco, mas preferiu usar os relatórios da antiga comissão técnica e anunciou uma lista de 23 jogadoras bastante similar àquela apresentada por Vadão para a Copa do Mundo da França.

Role para baixo para continuar lendo
Anúncio

As novidades são a lateral esquerda Joyce (Tenerife) e a zagueira Bruna Benites (Internacional), que já haviam sido chamadas por Vadão para alguns amistosos mas ficaram fora da Copa; a atacante Chú, que disputou a Copa América em 2014, mas não era convocada desde 2017; e as estreantes Yaya, meio-campista do São Paulo de apenas 17 anos, e a atacante Millene, artilheira do Corinthians. Andressinha e Cristiane ficaram fora por lesão (veja a lista completa no final da reportagem).

“Quero dar a elas uma segunda chance. Se você tem um grande coração e joga bem será convocada. Mas peço que deem tempo para me acostumar com o nível e poder entender as minúcias das jogadoras no Brasil", afirmou a treinadora, explicando a manutenção da maioria dos nomes.

“Temos atletas nos EUA, Noruega. Vou lá assistir aos jogos e depois para Europa e darei uma olhada nas mais jovens também. Mas seria um erro se só pegasse mais jovens porque a gente precisa de muita mudança. Seria brusca demais. Vamos fazer mudanças pequenas. É uma competição e isso é importante, real, verdadeiro. Se a pessoa trabalhar duro vai ter chances. Peço um pouco de paciência porque a mudança virá.”

Mais sobre futebol feminino no Deixa Ela Jogar:

A estreia de Pia será no dia 29 de setembro, diante da Argentina, no Pacaembu. O torneio quadrangular também terá Chile e Costa Rica, que se enfrentam no dia 29. A final e a disputa do bronze estão marcadas para dia 1º de setembro. Para a competição de estreia, Pia espera já poder ajustar erros da defesa brasileira.

“Uma coisa que espero que vejam é uma atitude um pouco diferente na defesa. Se estivermos sem posse de bola todo mundo precisa recuperá-la. E se a gente fizer isso vai ficar um pouco mais no entorno de quem está com a bola e construir o ataque. Espero que seja assim", projetou a comandante. “Temos alguns dias antes do primeiro jogo. Vai levar um tempo, mas pouco a pouco vocês vão ver as mudanças.”

"A gente já tinha começado uma linha de raciocínio para essa convocação", acrescentou Bia Vaz, auxiliar que acompanhou Vadão na Copa e que seguirá na comissão de Pia Sundhage. “É importante dar oportunidade para as atletas mostrarem trabalho para Pia e ela sim fazer suas avaliações para definirmos as novas diretrizes do trabalho.”

CBF apresentou os novos treinadores das seleções de base (Reprodução/CBFTV)
CBF apresentou os novos treinadores das seleções de base (Reprodução/CBFTV)

Além da convocação, a CBF também anunciou a criação de um Campeonato Brasileiro Sub-16, na esteira do Sub-18 realizado pela entidade pela primeira vez em 2019. A diretoria também apresentou as comissões técnicas das seleções sub-20 e sub-17, que estavam há meses sem comando técnico.

A sub-20 será comandada por Jonas Urias, ex-treinador do Sport, que será auxiliado por Jéssica de Lima, técnica da base da Ponte Preta. Já a sub-17 será comandada pela ex-jogadora Simone Jatobá, que terá Lindsay Camila como auxiliar e a ex-jogadora da seleção Maravilha como preparadora de goleiras.

O anúncio foi feito pelo coordenador de seleções femininas, Marco Aurélio Cunha, que esteve no palco ao lado de Pia Sundhage e do presidente Rogério Caboclo. Segundo Marco Aurélio, os nomes foram indicação do Supervisor de Futebol Feminino de Competições da CBF, Romeu Castro.

Leia mais:

Confira os principais pontos da coletiva de Pia Sundhage:

Quanto tempo vai demorar para a seleção poder brigar por títulos?

“Nós temos essa equipe jogando agora. Espero que em alguns meses nós vamos nos sair muito bem nos Jogos Olímpicos, mas é só metade da resposta. Tenho técnico para sub-20, sub-17, a gente pode fazer a mesma coisa. A CBF acabou de anunciar dois técnicos e que iria dar suporte ao futebol feminino. Nós podemos ser táticos, saudável, forte, mas temos jogadores técnicas. Por isso que adorei vir para cá. Juntos podemos fazer algo sensacional.”

Como você quer que a seleção jogue e que pontos fortes e fracos você viu no futebol feminino nessas primeiras semanas?

“Eu vi alguns jogos sim e diria que os pontos fortes são que as jogadoras usam dentro, fora, esquerda, direita, elas são muito imprevisíveis e isso pode ser muito bom também. Talvez os pontos fracos sejam a transição do ataque para a defesa. De repente está esperando alguém que defenda. Nós sempre vamos trabalhar na defesa quando estivermos sem posse de bola. Quando estiver sem a bola tem que fazer o possível para ajudar o time inteiro a retomar a bola. Bato o martelo nisso sempre. Temos muitas coisas boas no ataque.”

Como está a adaptação ao Brasil?

“Eu amo. É um país tão amigável, todos querem que a gente tenha sucesso. Quem mora nesse país geralmente ama o futebol. Eu tenho viajado um bocado e sinto-me confortável. Em breve Rio será a minha casa.”

Como está sendo o primeiro contato com a torcida brasileira?

“É sensacional ter esse apoio desde o início e no aeroporto alguém veio para tirar selfie. Eu adoro selfie! Não estão tirando só de mim, mas do futebol feminino. Por isso digo sim para tudo. Quando me reconhecem eu fico feliz, pois reconhecem o futebol feminino. É um bom começo. Mas eu digo para a minha equipe e para todos que temos que trabalhar muito. Nada vem fácil. O jogo feminino está ficando cada vez melhor e se você olhar os EUA, eles ganharam duas Copas seguidas. Se quiser interromper isso temos que trabalhar muito todos os dias. Não é suficiente trabalhar bem um mês antes. É isso que a gente tenta incentivar. Não só a seleção, como aquelas que estão fora também. Criar uma excelente partida.”

Como está a

Qual sua posição sobre o movimento de pagamentos igualitários no futebol feminino?

“O pagamento igualitário é importante e uma das razões pelas quais estou sentada aqui é que as pessoas pensaram nisso. Eu sou muito boa em focar naquilo que posso mudar. Aceitei essa posição e a próxima etapa vai ser criar uma equipe vencedora. É o melhor que posso fazer quando a gente fala de “equal pay”. Existem outras pessoas que são melhores. Eu não sou política, sou treinadora de futebol. Apoio 100%, mas quando discuto algumas coisas prefiro falar sobre mudar nosso plano de ataque e etc. Se fizermos o nosso trabalho vai ser mais fácil falar sobre os ganhos femininos. É importante ser igualitário. Quando comecei a jogar tinha 6 anos. Não me deixavam jogar porque era para meninos. E agora estou aqui sentada no que acredito que possa ser um dos melhores times do mundo.”

Qual a importância da Marta para a seleção?

“Marta é uma jogadora importante. Muito importante na verdade. Mas para deixar estrelas brilharem no time eu falei com ela. Ela fala sueco, conhece o estilo sueco, a cultura sueca. Eu converso muito com ela por esse motivo. E se a gente falar da Copa, sobre algumas jogadas dela, ela consegue tirar a melhor performance das outras jogadoras. Jogando em Orlando eu irei assistir a uma partida e conversar com o treinador para que estejamos na mesma página. Espero que ela consiga seu melhor desempenho nas Olimpíadas. Foi eleita a melhor tantas vezes. Ela tem o coração certo para fazer o melhor dela, é muito importante para o time.”

Qual vai ser sua relação com o trabalho das seleções sub-17 e sub-20?

“Vou dedicar tempo para viajar com os times sub-20 e sub-17 quando puder. Temos jogos que terei que ir para os EUA, Noruega. Mas também é importante vê-las, é claro. Antes de ir para lá era treinadora da sub-16 da Suécia. Tinha jovem de 15 anos que se desenvolveu tanto em seis meses... Uma coisa importante é que trabalhamos juntas. Tínhamos quatro na Suécia para cuidar de formas diferentes. O que posso fazer é viajar com elas e ver o que pode fazer quando elas tiverem 17, 20 anos. Estou ansiosa por isso. Temos um cronograma para que eu esteja no local certo.”

Como o futebol feminino pode ser massificado no Brasil?

“Esse tipo de pergunta me fazem o tempo todo na Suécia. Faço aquilo que sou boa em fazer. Sou técnica, tento trabalhar com outros técnicos e ganhar o jogo. O fato de ser um exemplo de pessoa há muito tempo talvez seja uma esperança, como se fosse um modelo. Mas a pergunta é algo que tem que ser respondido por alguém que tem poder de fazer a mudança. A pergunta é importante. Vejo isso na Suécia e pouco a pouco temos meninas nas escolas. Hoje nós temos meninas e meninos jogando.”

Veja a lista de convocadas:

Goleiras: Aline (Tenerife) e Barbara (Avaí)

Defensores: Letícia Santos (Frankfurt), Fabiana (Internacional), Joyce (Tenerife), Tamires (Corinthians), Kathellen (Bordeaux), Mônica, Erika (Corinthians) e Bruna Benites (Internacional)

Meio-campistas: Thaisa (Real Madrid), Luana (KSPO), Formiga (PSG) e Yaya (São Paulo)

Atacantes: Andressa Alves (Roma), Geyse (Benfica), Marta (Orlando Pride), Milene (Corinthians), Debinha (North Carolina Courage) e Chú (Changchun Dazhong), Bia Zanerato (Incheon Hyundai), Ludmila (Atlético Madrid) e Raquel (Sporting)

Leia também