Pia lamenta chuva, mas exalta "lição aprendida" e projeta futuro da seleção

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(foto: Olga Bagatini)
(foto: Olga Bagatini)

Sob a forte chuva que varreu a cidade de São Paulo neste domingo e alagou o gramado no Pacaembu, a seleção brasileira feminina perdeu a final do Torneio Uber Internacional para o Chile na disputa de pênaltis. Com uma escalação alternativa para testar as peças em sua segunda partida à frente da equipe, o time comandado por Pia Sundhage sofreu com o temporal e as poças no gramado no primeiro tempo, que atrapalharam o trabalho no meio de campo do Brasil e obrigou o time a alçar a bola na área, facilitando o trabalho da goleira Christiane Endler.

Na etapa complementar, a chuva apaziguou e o sistema de drenagem do estádio conseguiu dar conta do volume de água. Assim, o Brasil passou a jogar mais com a bola no pé, mas o Chile se fechou na defesa e levou a disputa para os pênaltis. Apesar da goleira Aline, de 1,63m, ter feito três defesas, o Brasil acabou derrotado por 5 a 4 ao chutar duas vezes para fora e outras duas nas mãos de Endler. Após a partida, Pia Sundhage avaliou o desempenho da equipe brasileira e as mudanças na equipe.

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"Nós fizemos as mudanças porque era o segundo jogo e queríamos dar chances para as jogadoras. É um bom jeito de avaliar se elas são boas o suficiente para jogarem da próxima vez”, avaliou Pia. “Não fizemos substituições na reta final da partida [como a entrada de Vic Albuquerque] porque acreditamos que estávamos perto de ganhar o jogo, nos 15 minutos finais, por isso optamos por manter o time como estava”.

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A treinadora citou o gramado pesado, mas evitou usá-lo como “desculpa”. “O campo estava diferente, mas foi um jogo interessante, que nos mostra a importância de saber jogar em diferentes condições. Na Olimpíada de 2020, por exemplo, as condições serão diferentes e precisaremos controlar isso", afirmou Pia.

“Não diria que a chuva é desculpa, mas é uma explicação, porque seria mais fácil lidar com isso se a gente estivesse jogando juntas há tempos. Também tem um pouco de nervosismo e ansiedade das jogadoras, que não seguiram 100% da estratégia do jogo, mas eu entendo. Aprendemos uma lição hoje”, acrescentou.

Pia elogiou a atuação da goleira Aline, que defendeu três cobranças de pênaltis, e disse que vai conversar individualmente todas as atletas, inclusive as que perderam suas cobranças — Raquel, Luana, Bruna Benites e Joyce — para entender melhor a dinâmica da seleção.

“A atuação da Aline foi gigante, fez um jogo muito bom. Essa partida vai elevar sua confiança como jogadora. Sobre a escolha para quem ia bater os pênaltis, como esse time tem uma história, eu perguntei aos auxiliares como eles tinham feito isso antes e me deram a lista das cinco jogadoras. A partir da sexta, eu perguntei quem queria bater. Depois vou falar conversar com todas elas, uma a uma, para entender. Pode ter sido falta de sorte, pode ter sido algo no jogo que influenciou”, afirmou Pia.

Visando a Olimpíada de Tóquio, em 2020, Pia falou sobre os compromissos futuros à frente da seleção.

“Temos um plano até as Olimpíadas e esperamos ter em breve jogos contra a Inglaterra, que foi muito bem na Copa, e a Polônia. Depois disso, teremos um torneio amistoso na China e dois períodos de treinamento muito importantes em dezembro e janeiro. Não poderemos contar com as jogadoras que atuam na europa, mas será uma chance de ver outras atletas em ação”, diz Pia.

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Sentiu as ausências de Marta e Cristiane?

Objetivo do time é sempre ganhar. O Brasil não vai vencer só por causa da Marta. Para ganhar, precisa ser um time, precisa de uma líder que vai ser capaz de ajudar a equipe a jogar melhor mesmo em condições adversas, como na chuva e com campo pesado. Tentamos tirar a bola do meio, onde estavam as poças, e jogar mais para o ataque. É importante ter uma liderança no setor defensivo, no meio e no ataque para ajudarem a mudar o jogo quando for preciso.

Que ajustes você vai priorizar na equipe?

Melhorar a defesa e um pouco mais o ataque, mantendo o estilo brasileiro e adicionando mais jogadas pelos lados do campo. O time ainda ataca muito reto. O estilo brasileiro é o jeito como jogaram contra a Argentina no ataque e como recuperam a bola. Se dá certo, é muito bonito, de primeiro mundo. O outro lado da moeda é que se esse plano de jogo não funciona, nada funciona. É importante tomar as decisões certas e se organizar. As jogadoras tem muitas peculiaridades e juntas dá para construir um coletivo forte. Será preciso tempo e organização para fazer com que o time esteja no lugar certo, no tempo certo e com as jogadoras certas.

Se arrepende de alguma escolha? Quais foram os pontos fortes e fracos do Brasil?

Não tenho arrependimentos das decisões. As jogadoras precisam de chances. Se não jogaram bem em um dia, precisam de oportunidade para poder jogar bem no futuro. Eu queria um jogo diferente, mas como o meio-campo estava molhado, não conseguimos seguir o plano de mandar a bola para o ataque. Gostei muito da Bia Zaneratto e da Ludmila e do entrosamento entre elas. Uma é muito forte, com presença de área, e a outra é muito rápida. Bia só precisa acertar mais passes e Ludmila precisa ler mais o jogo. Se fizeram isso treino a treino, jogo a jogo, serão muito perigosas.

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