'Pessoa desempregada fica mais fraca e mais propensa a adquirir um vírus', diz Bolsonaro

Gustavo Maia
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Bolsonaro afirmou que país gastou quase R$ 700 bilhões, 'de uma forma ou outra', para combater o vírus.

BRASÍLIA — O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, em transmissão ao vivo na internet, que uma pessoa desempregada fica mais fraca e mais propensa a adquirir um vírus ou outra doença. Ele defendia as ações do governo federal desde o início da pandemia da Covid-19, tanto no combate ao novo coronavírus como contra o desemprego causado pela crise econômica.

— Eu sempre disse, quero repetir aqui, lá atrás, que nós tínhamos dois grandes problemas pela frente. Era o vírus e o desemprego. E ambos deveriam ser tratados com responsabilidade e ao mesmo tempo [...] [Gastamos] quase R$ 700 bilhões, de uma forma ou outra para combater o vírus. Não só dinheiro na veia, diretamente para Estados e municípios, medidas outras para evitar o desemprego. Porque a pessoa desempregada fica mais fraca, fica mais propensa a adquirir um vírus, uma doença qualquer, se complicar — declarou Bolsonaro na live.

Dentre as várias "medidas concretas" tomadas "desde lá atrás, desde antes do Carnaval", Bolsonaro destacou a operação de resgate a brasileiros em Wuhan, cidade da China que foi o primeiro epicentro da doença. Ele também criticou o seu primeiro ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, demitido em abril, por ter editar uma portaria em março que determinou o isolamento domiciliar da pessoa com sintoma respiratório e das pessoas que residam no mesmo endereço, mesmo assintomáticas, pelo prazo de 14 dias.

— Ou seja, isolamento domiciliar [para] todo mundo. E esse isolamento domiciliar, tivemos na cidade dos Estados Unidos, Nova York, [um estudo] dizendo que quase 70% das pessoas se contaminaram em casa. É lógico que eu não quero dizer aqui que o Mandetta fez isso aqui de má fé, mas é uma medida que não deu certo — comentou o presidente, referindo-se a uma pesquisa divulgada em maio pelo governador de Nova York, Andrew Cuomo, que apontou que 66% das infecções registradas ao longo de três dias ocorreram dentro das residências.

Em seguida, Bolsonaro disse que sempre defendeu o isolamento vertical e reclamou da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que segundo ele "resolveu dizer que quem tomava essas medidas eram governadores e prefeitos".

— O que é pior, né? Eu acho que menos mal se o prefeito tomar essa decisão, não o governador, mas quando o governador tomava uma decisão, o prefeito não poderia tomar uma decisão mais branda que o governador, podia é arrochar mais — afirmou.

O que o STF decidiu em abril, por unanimidade, foi que as autoridades estaduais e municipais têm poderes para decretar medidas restritivas no combate ao coronavírus em seus territórios. Eles podem determinar temporariamente o isolamento, a quarentena, o fechamento do comércio e a restrição de locomoção por portos e rodovias. Os ministros concordaram que governo federal também pode tomar medidas para conter a pandemia, mas em casos de abrangência nacional.

— Bem... problemas temos, não quero culpar ninguém, o tempo, a história vai mostrar aí onde se errou ou não, e se poderia ou não ter evitado mortes. Todas as mortes, impossível serem evitadas. Mas mortes, com toda a certeza, poderiam ter sido evitadas, até mesmo com essa questão aqui [mostra uma caixa de hidroxicloroquina] que a gente... não é que eu não canso de falar. Se não tem alternativa, tá certo?, siga a recomendação médica. E ponto final — disse Bolsonaro.

Ele então citou o exemplo da mãe, que tem 93 anos de idade, e contou que um médico já deixou uma receita do remédio, que não tem eficácia cientificamente comprovada, pronta.

— Só falta ele botar a data, tá até assinada para a minha mãe tomar isso daqui. Como eu disse: deu certo comigo, com uns dez ministros, com mais de 100 servidores que trabalham no prédio da Presidência da República. E vamos tocando a vida. Não podemos nos acovardar. Vamos tomar cuidado, precaução, cuidar dos mais idosos, que são os mais sensíveis, e tocar a vida.