Pensando no futuro, engenheira de alimentos cria consultoria de produtos veganos

“Quem ainda não se atentou para este movimento ainda está olhando para o passado. Eu estou de olho no futuro”, disse. Foto: Divulgação
“Quem ainda não se atentou para este movimento ainda está olhando para o passado. Eu estou de olho no futuro”, disse. Foto: Divulgação

Pensando em um futuro em que todas as pessoas possam se alimentar com qualidade e sem crueldade contra os animais, a engenheira de alimentos Lorena Coimbra criou uma consultoria especializada em produtos veganos.

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Com a Foodtech Consultoria, Lorena diz trabalhar com três grandes pilares de atuação: inovação, qualidade e sustentabilidade. “Todos os processos implantados por nós busca: economia limpa, redução de perdas e qualidade alimentar”, explicou ao Yahoo.

Segundo ela, o futuro só será possível para a humanidade quando indústria e população acordarem para a necessidade de criar opções de produtos que não sejam de origem animal. “Teremos que ter plantações verticais para otimizar espaço de agricultura, teremos que utilizar cada vez mais proteínas vegetais. Quem ainda não se atentou para este movimento ainda está olhando para o passado. Eu estou de olho no futuro”, disse.

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Me conte um pouco sobre sua carreira. Quando e por qual motivo decidiu ser engenheira de alimentos?

Lorena Coimbra: Desde muito nova, sempre tive inclinação para matérias exatas, sempre fui muito boa em matemática, física e química. Quando passei para o ensino médio, prestei prova para a Escola Federal de Química de Nilópolis e passei, onde cursei o ensino técnico em Controle Ambiental. Quando prestei vestibular, foi intuitivo tentar para os ramos de engenharia voltados para a química. Lembro que, para a UFRRJ (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro), coloquei a engenharia de alimentos, e não sabia muito bem do que se tratava. Passei no vestibular e me apaixonei pela profissão.

Como foi o curso?

Lorena: O curso é árduo. São cinco longos anos para lapidar o profissional a pensar desde o processo de fabricação de alimentos, suas reações químicas e sua conservação. É muito desafiador. Mas sempre gostei de desafios. Todo profissional sai muito cru da graduação. É necessário desenvolver muito a parte de gestão e administração, este desenvolvimento começou quando estagiei no 7° período da faculdade na Nestlé Sorvetes. Eu era responsável por toda parte de higienização e boas práticas de fabricação da fábrica, que funcionava em três períodos em todos os dias da semana. Foi desafiador e me deu toda a base para ser a profissional que sou hoje.

Como foi depois disso?

Lorena: Logo depois que meu estágio terminou, mas antes mesmo de terminar a graduação, já estava empregada na Matte Leão, onde fui especialista em segurança de alimentos. Minha vontade de empreender veio em 2016, quando trabalhava em uma empresa familiar. Era uma fábrica de salgados integrais, de lá me inspirei para começar a produzir meus produtos. 

Quando lançou seu negócio?

Lorena: Então, em julho de 2016, lancei a Koky Alimentos. Ela era uma marca de brigadeiros funcionais a base de biomassa verde e colágeno. Junto com a Koky, também comecei a prestar serviços de consultoria de engenharia de alimentos para marcas que fui conhecendo durante a trajetória empreendedora. Infelizmente, no final de 2018, eu encerrei a Koky, pois tinha um gap de vendas e virei todo meu mindset para a consultoria. Então, em 2019, nasceu a FoodTech Consultoria.

Você sempre quis se especializar em produtos veganos?

Lorena: Acabou surgindo com o tempo. Hoje, o mercado de alimentos está muito dinâmico e sempre vem com muita inovação. Este movimento se aliou ao boom de empreendedorismo que aconteceu no País nos últimos quatro anos. Hoje em dia, não dá para fazer mais do mesmo e as pessoas estão aprendendo a se alimentar melhor. Antigamente, o mais importante era quantidade de comida. Hoje em dia, falamos sobre sua qualidade e onde o seu processo produtivo impacta no mundo.

Como funciona a sua consultoria?

Lorena: A Foodtech Consultoria tem três grandes pilares de atuação: inovação, qualidade e sustentabilidade. Todos os processos implantados por nós busca: economia limpa, redução de perdas e qualidade alimentar. Quando falamos sobre qualidade alimentar, entram alguns conceitos como: slow food e clean label. E falando sobre processos sustentáveis e até mesmo que impactam sobre filosofia de vida, entra o veganismo.

Como é fazer esses alimentos?

Lorena: Fazer alimentos com todos esses conceitos é muito complexo, envolve estudo e muitos testes. Pois, se pararmos para analisar, a maioria dos produtos da indústria possuem alguma matéria-prima de origem animal. Isso falando sobre de alimentos complexos sem aditivos químicos, como: pães, biscoitos, carnes propriamente ditas e por aí vai. É necessário entender as texturas, sabores e estruturas desses alimentos para reproduzi-los sem proteínas de origem animal.

Como fazer isso?

Lorena: Hoje em dia, há uma gama de proteínas vegetais que podemos usar para sua substituição, se falássemos de cinco anos atrás, só encontraríamos a soja. A indústria tem se adequado e muito aos novos padrões do consumidor, só estou fazendo o mesmo com a linha de serviços oferecidos.

Por qual motivo acha importante se especializar na área?

Lorena: É o futuro. Não só pela filosofia vegana, mas pela própria sobrevivência do planeta. A FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations - Organização de Alimentos e Agricultura das Nações Unidas) diz que, nos próximos 30 anos, teremos que alimentar 10 bilhões de pessoas em todo o mundo! E como gerar alimento para toda essa gente? Onde plantar? Teremos água suficiente? Não haverá pasto para produzir tanto gado. Além disso, este é um processo que impacta severamente no ecossistema. Quando falamos sobre proteína isolada de insetos, proteína animal sendo feita em laboratórios, também estamos falando da sobrevivência humana. 

Como otimizar esses espaços?

Lorena: Teremos que ter plantações verticais para otimizar espaço de agricultura, teremos que utilizar cada vez mais proteínas vegetais. Esse é o grande desafio da indústria de alimentos. Então, quem ainda não se atentou para este movimento ainda está olhando para o passado. Eu estou de olho no futuro.

De onde veio a ideia de criar consultoria em produtos veganos?

Lorena: Foi intuitivo e há uma grande demanda para esse mercado. Como já havia dito, é o futuro. Além disso, muitos donos de empresas de alimentos inovadores, não são técnicos. Eles conseguem desenvolver os sabores, mas quando vão escalar seus negócios eles necessitam de técnicos no assunto para viabilizar o produto em linha industrial, e é quando eu entro.

Como funciona a consultoria? Me conte sobre esse processo?

Lorena: A consultoria é praticamente uma assessoria. Atuo no dia a dia da empresa. Temos algumas etapas que são cruciais para o sucesso dos projetos, que são: diagnóstico, entendimento dos valores da empresa, proposta de processos e desenvolvimento do produto. Conseguimos, neste formato, realmente em poucos passos e pouco tempo, executar exatamente o que o cliente precisa. Criamos elo com os clientes e, provavelmente, essa é a nossa maior geração de valor. A maioria dos empresários são um pouco solitários. Além do serviço bem executado vendemos apoio e divisão de tarefas dentro do que eles executam.

Como é o retorno?

Lorena: Além dos serviços de desenvolvimentos de produtos, tem: desenvolvimento de processos, gestão ambiental, gestão de segurança de alimentos, gestão de qualidade e gerenciamento de produção e seus processos. Temos tido ótimas respostas do mercado, crescemos 1,5% neste ano e estamos provisionando 2% para 2020. Este é só o início de pensar a atuação no mercado de consultorias.

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