Pelé e Maradona, uma vida de rivalidade e amizade

Maradona e Pelé. Foto: PATRICK KOVARIK/AFP via Getty Images
Maradona e Pelé. Foto: PATRICK KOVARIK/AFP via Getty Images

Eleitos os dois maiores jogadores da história, Pelé e Maradona jamais se encontraram nos campos ao longo da carreira, mas a rivalidade e amizade entre os dois ultrapassou qualquer barreira do futebol. Entre respeito mútuo, enfrentamentos e reconciliações, foram dois dos personagens mais famosos do mundo, mesmo entre aqueles que não acompanham o esporte.

Não se sabe ao certo quando a rivalidade entre Pelé e Maradona começou, mas é consenso que ela teve seu auge na eleição realizada pela FIFA no ano 2000, na qual Pelé foi eleito o melhor jogador do século XX, em votação de especialistas. No voto popular Maradona ficou com o prêmio. Inicialmente a FIFA daria apenas o prêmio pela votação online, mas o presidente da federação na ocasião, Joseph Blatter, resolveu que seria um escândalo não premiar Pelé na festa. A entidade então resolveu a situação criando mais um prêmio, o escolhido por um comitê de especialistas. Quando o brasileiro foi chamado ao palco para receber a honraria, Maradona foi embora da festa, deixando todos envolvidos em uma grande saia-justa.

Em 2020 quando Maradona morreu, Pelé fez questão de homenagear o argentino através de suas redes sociais. "Eu perdi um grande amigo e o mundo perdeu uma lenda", escreveu o Rei na ocasião. Dias antes, no aniversário de Maradona, Pelé já o havia chamado de "grande amigo".

Diferentes na vida pessoal, Pelé e Maradona foram a personificação da rivalidade Brasil-Argentina, considerada uma das maiores do futebol, e juntos apresentaram ao mundo a genialidade do futebol sul-americano, evocando respeito e admiração até hoje pelas jogadas inesquecíveis.

Durante suas vidas, os dois trocaram farpas e elogios, e mais de uma vez Maradona afirmou que Pelé era o melhor jogador da história, mas que não era correto o brasileiro "ter deixado Garrincha morrer na ruína", se referindo ao ex-companheiro de seleção do Rei. Maradona também era bastante crítico em relação ao papel que Pelé deveria ter desempenhado no futebol. Segundo ele, o brasileiro nunca utilizou sua influência para melhorar as condições do esporte, em especial para os jogadores, sendo muito mais um garoto-propaganda e embaixador da FIFA do que uma voz ativa contra a entidade.

Em 2005 Maradona virou apresentador de televisão na Argentina, e o primeiro convidado do La Noche del 10, como era chamado o programa, foi justamente Pelé. Transmitido ao vivo para Argentina e Brasil, além de outros países da América Latina, o encontro teve uma conversa franca sobre futebol e drogas. Maradona falou sobre sua recuperação, enquanto Pelé lembrou os problemas que passou com o filho, o ex-jogador Edinho, preso por associação ao tráfico. Os dois ainda bateram bola no palco e trocaram abraços.