Pelé supera Messi e Cristiano em média de gols oficiais

ALEX SABINO E BRUNO RODRIGUES
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Primeiro foi Lionel Messi, depois Cristiano Ronaldo. O argentino e o português ganharam manchetes no mundo todo nas últimas semanas, com notícias de que superaram marcas históricas de Pelé. Messi, a de maior artilheiro com a camisa de um único clube. Ronaldo, a de gols totais na carreira. Os europeus consideram para esses recordes apenas os gols anotados em jogos por competições, convencionalmente chamados de gols oficiais. Essa política de estatísticas causa controvérsia no Brasil porque, historicamente, os dados e feitos em amistosos sempre foram contabilizados pelos clubes. Pelé marcou 1.282 gols na carreira, 1.081 deles pelo Santos. Nenhum desses feitos foi igualado até hoje no futebol. A Europa nunca organizou suas informações dessa forma. E o futebol brasileiro, que só foi ganhar um calendário mais amplo de torneios a partir do fim da década de 1950, com o surgimento da Taça Brasil e da Copa Libertadores, construiu parte importante de sua trajetória em amistosos e excursões. Especialmente o Santos, de Pelé, após o título mundial da seleção brasileira em 1958. Como no ano seguinte, 1959, quando o time alvinegro foi à Europa pela primeira vez para uma viagem que durou 43 dias, durante os quais disputou 22 partidas amistosas. O Santos enfrentou o Real Madrid de Di Stéfano, na única vez que ele e Pelé se encontraram. No estádio Santiago Bernabéu, os donos da casa venceram por 5 a 3, e o Rei marcou um dos gols santistas. Contra a Inter de Milão, em Valência, os brasileiros golearam os italianos por 7 a 1, e Pelé fez quatro gols. Para os espanhóis que viram aquele confronto, certamente foi uma lembrança inesquecível. Para os estatísticos, porém, nada mais que uma anedota, insuficiente para constar nos seus registros. "O argumento de alguns analistas é que outros tantos destes 448 gols marcados em disputas amistosas foram diante de adversários frágeis, como seleções de pequeno porte ou combinados regionais. Ainda assim, as partidas foram disputadas com uniformes oficiais, com as regras oficiais do jogo e com súmula", escreveu Fernando Ribeiro, da Associação dos Pesquisadores e Historiadores do Santos FC, em texto divulgado pelo clube. É uma discussão controversa, pois há divergência entre fontes com relação aos números de Pelé, mesmo se o recorte for o de gols oficiais usados como padrão pelos europeus. Com os dois gols marcados diante da Udinese em 3 de janeiro, Cristiano Ronaldo chegou a 758 na carreira (atualmente tem 759). A imprensa da Europa --e a de boa parte do mundo-- considera que Pelé tem 757 gols em jogos competitivos. O português teria batido, portanto, o seu recorde nessa comparação. De acordo com informações cedidas pelo Santos, conferidas em sites de estatísticas e checadas pela reportagem jogo a jogo, os 757 gols de Pelé são divididos da seguinte forma: 643 com a camisa do Santos, 37 pelo Cosmos e 77 pela seleção brasileira. Há quem use, porém, 763 como referência, considerando seis gols que ele marcou em jogos pela seleção paulista, em torneios organizadas pela então Confederação Brasileira de Desportos. Esses dados não foram considerados no levantamento de gols oficiais da reportagem. Existe ainda um debate acerca de um gol que Pelé não teria marcado pelo Santos. Foi em uma partida do clube da Vila Belmiro diante do São Bento, em 1967, pelo Campeonato Paulista, que algumas fontes da época creditaram como gol contra no empate em 1 a 1. Com isso, alguns levantamentos contabilizam 762 gols na carreira. O Santos dá o gol a Pelé. Com essas estatísticas, o Rei fica atrás de Messi em gols oficiais anotados por um mesmo clube. O argentino, ao marcar contra o Valladolid em dezembro do ano passado, passou da marca de 644 pelo Barcelona. Hoje, tem 648. Considerado o padrão europeu do que é oficial, não há polêmica no fato de que Pelé, mesmo retirados mais de 500 gols anotados em excursões, jogos entre combinados e amistosos, tem média consideravelmente superior às de Messi e Cristiano Ronaldo. Com 757 gols oficiais em 822 partidas, o camisa 10 da seleção no tricampeonato mundial registra índice de 0,92 gol por jogo. Quase um gol a cada duelo por competições durante sua carreira. Autor de 719 gols em 894 jogos, Lionel Messi tem média de 0,8. Cristiano Ronaldo, que já disputou 1.037 partidas na carreira e balançou a rede em 759 oportunidades, possui média de 0,73. Desde que se aposentou do futebol, em 1977, Pelé passou a ser o ponto referencial da excelência no esporte. A discussão sobre o melhor jogador da história circula a figura do Rei até hoje e, mais recentemente, foram os seus gols que integraram o debate no futebol mundial. Paulo Vinicius Coelho, o PVC, escreveu em texto publicado no jornal Folha de S.Paulo que é preciso considerar (e respeitar) os contextos de cada época. "Messi tem a sua relação, provavelmente a mais justa de todas. O que não exclui considerar as anteriores, feitas quando as pessoas levavam em consideração coisas diferentes. [...] Os jogos de Pelé foram contabilizados em outro tempo e com outro olhar. Eram gols de outro mundo."