Paulo Skaf é denunciado por receber propina da Odebrecht

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Justiça aceita denúncia contra Paulo Skaf por recebimento de propina da Odebrecht (Photo by MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)
Justiça aceita denúncia contra Paulo Skaf por recebimento de propina da Odebrecht (Photo by MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images)

A justiça eleitoral aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Eleitoral contra o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf (MDB), acusado de receber R$ 5,1 milhões em propinas e caixa dois da Odebrecht, durante a campanha de 2014, ao governo do estado.

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A denúncia leva em conta a delação da Odebrecht e ainda diversas conversas entre agentes da Transnacional, transportadora responsável pela entrega do dinheiro, e do doleiro Álvaro Novis. Em mensagens internas, funcionários da corretora e da transportadora conversavam sobre senhas, datas, endereços, codinomes e nomes dos intermediários da propina e seus telefones.

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Segundo a empreiteira, os pagamentos a Skaf teriam sido feitos sob os codinomes ”Kibe” e “Tabule”. Uma das entregas registradas pela empreiteira e pela transportadora, no dia 21 de agosto de 2014, teria sido no Hotel Bourboun, na Avenida Paulista, em São Paulo.

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O juiz Marco Antonio Martin Vargas, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, considerou que a peça acusatória demonstra a presença de indícios suficientes de materialidade e autoria com relação à falsidade ideológica eleitoral, à corrupção passiva e a à lavagem de dinheiro na investigação para autorizar o início da ação penal.

Vargas apontou que diversos elementos juntados aos autos - depoimentos de delatores, documentos de corroboração - como planilhas, emails e contratos, além de laudos periciais produzidos no curso do inquérito - constituem um “conjuntos de indícios, por ora, capaz de reforçar a convicção sobre o envolvimento dos denunciados no complexo esquema de pagamento de propina, omissão de dados à Justiça Eleitoral e lavagem de capitais, supostamente erigido para dissimular os fins ilícitos dos grupos políticos e empresariais apontados”.

DEFESA NEGA

A defesa de Paulo Skaf nega a acusação apresentada pelo Ministério Público Eleitoral e ressalta que a admissibilidade da denúncia é mera formalidade procedimental.

"A defesa de Paulo Skaf, uma vez mais, afirma o caráter completamente infundado da acusação que lhe foi dirigida pelo Ministério Público Eleitoral. A defesa informa que está à disposição da Justiça e que todas as doações recebidas pela campanha de Skaf ao governo de São Paulo em 2014 estão devidamente registradas na Justiça Eleitoral, que aprovou sua prestação de contas sem qualquer reparo de mérito. Paulo Skaf reitera que ele nunca pediu e nem autorizou ninguém a pedir qualquer contribuição de campanha que não as regularmente declaradas. Salienta, uma vez mais, a absoluta confiança no Poder Judiciário, o qual restabelecerá a verdade.”

GOVERNO BOLSONARO

Aliado do presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato ao governo paulista em 2022, Skaf vem atuando nos bastidores para aproximar o presidente de empresários. Nesta semana, após participar de reunião com Bolsonaro e empresários ligados à Fiesp, Skaf publicou nas redes sociais um vídeo com duras críticas ao governo paulista.

“Essas medidas que o governo do Estado de São Paulo vem tomando de forma horizontal tratando todos os municípios da mesma forma prejudica todo mundo. Se nós temos 645 cidades em São Paulo são 645 histórias”, disse o presidente da entidade.

No encontro com os empresários, Bolsonaro declarou “guerra” ao governador de São Paulo, João Doria, e pediu aos participantes que pressionassem o governador. “Um homem está decidindo o futuro de São Paulo, o futuro da economia do Brasil”. E completou: Os senhores, com todo o respeito, tem que chamar o governador e jogar pesado, porque a questão é séria, é guerra”.

Nesta sexta-feira (22), Skaf reuniu-se com o presidente no Palácio do Planalto.

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