Rei do acesso, treinador português trabalha no futebol do Norte há 11 anos

Colaboradores Yahoo Esportes
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Paulo Morgado é o técnico português mais longevo do Brasil. Foto: João Normando/FAF
Paulo Morgado é o técnico português mais longevo do Brasil. Foto: João Normando/FAF

Jorge Jesus em 2019 e Abel Ferreira em 2020. Os dois últimos times campeões da Libertadores são brasileiros com técnicos por portugueses. Além disso, o Vasco foi dirigido no Nacional de 2020 por Ricardo Sá Pinto, demitido durante o torneio. Carlos Carvalhal e Pepa foram dois outros treinadores lusitanos cobiçados nos últimos meses.

Os portugueses estão na moda, mas isso não surpreende a Paulo Morgado, 46 anos. Nascido em Lisboa e torcedor do Benfica. Ele está há 11 anos trabalhando no Brasil.

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"Até que demorou (o protagonismo dos portugueses). O trabalho do Jorge Jesus fez com que os times daqui abrissem os olhos para a capacidade dos treinadores de Portugal", afirma Morgado.

Depois de mais de uma década, ele ainda tenta se tornar mais conhecido e talvez desbravar novos mercados. Desconhecido nos estados com times na Série A, o técnico fez carreira no Amazonas, onde já trabalhou no Rio Branco, Fast, Penarol, Manaus, Nacional e comanda atualmente o JC Futebol Clube. Também teve passagens pelo Icasa, no Ceará, e Ypiranga, em Pernambuco.

"Quando eu cheguei foi muito difícil porque me falaram sobre uma estrutura e um time que não existiam. Achei que o Rio Branco era uma coisa e era outra completamente diferente. Tive de trabalhar com o que era possível e, aos poucos, os resultados apareceram. Você precisa se adaptar sempre", relembra.

Morgado não conquistou títulos na elite do Amazonas, Ceará ou Pernambuco, mas se notabilizou por tirar equipes da segunda divisão. Fez isso com Manaus, São Raimundo e JC Futebol Clube.

"Não foi a única dificuldade que enfrentei e acho que os treinadores portugueses não encontram problemas com os jogadores ou o nível do futebol. O problema maior é a organização, a pressão que existe sobre o trabalho e a imprensa, que é agressiva", avalia.

Se Morgado tem trabalhos dos quais se orgulha, encontrou a realidade do futebol do Brasil em outros clubes. No Penarol, em 2012, ficou apenas dez dias. Perdeu dois jogos, criticou a qualidade do elenco (o que hoje se arrepende de ter feito) e acabou demitido. Em 2017 conseguiu a façanha de ser dispensado duas vezes pelo São Raimundo em um mês.

"Aquilo foi uma confusão da diretoria. Uma parte queria uma coisa, outra queria outra. Já tínhamos jogadores acertados para contratar, mas não fiquei. Estava tudo apalavrado, mas não foi cumprido pelos diretores", afirma.

Em janeiro daquele ano, o São Raimundo anunciou Morgado como técnico para a temporada. Na semana seguinte, ele foi dispensado por problemas financeiros. Dez dias depois, o clube divulgou a informação que o português seria, sim, o treinador. Menos de duas semanas depois, a equipe voltou atrás e divulgou que o comandante da equipe seria outro.

Antes de chegar ao Amazonas, Morgado fez carreira como treinador em pequenos times do seu país natal. O último foi Odivelas, hoje na quarta divisão.

Quando trabalhava no sub-17 do Belenenses, teve contato com Jorge Jesus, cotado para voltar ao Flamengo neste ano.

"Conversamos algumas vezes porque ele sempre foi muito interessado no que acontece nas divisões inferiores. Aprendi bastante sobre a maneira de armar o time e a filosofia de trabalho com o grupo de atletas", afirma ele, que também o enfrentou em um jogo-treino quando estava no Sintrense, em 2009. Jesus dirigia o Benfica.

Jovem para a profissão de técnico, Morgado tem a esperança de que o seu trabalho pode fazê-lo se destacar no futebol nacional. Assim como aconteceu com seus compatriotas que estão no radar de equipes brasileiras.

"O Brasil é um mercado difícil. Mais difícil do que vários países da Europa e o treinador não tem muito tempo para mostrar o que pode. Mas é um mercado com muitas opções de times e os portugueses que chegam e têm sucesso abrem portas", finaliza.