FPF não descarta ir à Justiça contra paralisação do Paulista e 'estuda com cautela' jogos em outros estados

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Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF), participou na tarde desta quarta-feira (17) do programa Seleção SporTV e expôs sua insatisfação com a recusa do Ministério Público (MP) em autorizar a continuidade do Campeonato Paulista no estado de São Paulo, que entrou na fase mais restritiva do isolamento até dia 30 de março pelo aumento do número de casos de Covid-19.

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- Os clubes vão nas casas dessas pessoas para testar familiares. Vamos esperar isso do governo? É isso que a gente quer? Impedir essas pessoas de terem um atendimento? Eu não consigo entender por que o protocolo de A, B e C ser bom, mas o do futebol não serve. A ciência e a medicina dizem que é seguro. Se disserem que temos que parar, paramos, não somos negacionistas. O futebol não é cego. Nós vamos chegar a quatro mil mortes e continuamos vivendo, nós temos plano de saúde, condição financeira, mas e as pessoas que não têm? Manda para casa? A situação é grave, meus amigos, é grave - declarou Bastos.

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O dirigente ofereceu detalhes do plano proposto pela federação ao Ministério Público e governo, e disse que o próximo passo é a tentativa de viabilizar a realização dos jogos do Paulistão em outros estados do país.

- Nós propomos ao Ministério Público e ao governo do estado testar todos os atletas, isolar todos, quem tem CT, no CT, quem não tem, em hotéis. Testar antes de todas as partidas, ninguém sairia da bolha, com um número reduzido dos profissionais do clube e dos que fazem as partidas. Em média temos 176 pessoas em uma partida de futebol, íamos reduzir para 55. Imprensa, só os detentores dos direitos. Seríamos extremamente rígidos, mas, mesmo assim, sem ciência e medicina, não foi aceito. Próximos passos: estamos estudando com cautela a alternativa de jogar em outros estados. Por enquanto, com muita cautela, só após estar ajustado com prefeitos e governadores que daremos esse passo - explicou o presidente da FPF.

Bastos ainda disse que uma das últimas cartadas da FPF seria levar o caso para a Justiça.

- Óbvio que a Justiça é a última das opções, mas quem não teve um problema com inquilino, batida de automóvel, problema com patrão e foi para a Justiça resolver? Ir atrás disso faz parte da democracia. O futebol procurou o governo e o Ministério Público várias vezes, esgotamos qualquer forma de diálogo. Justiça é a última opção, quando não tiver mais caminho - afirmou.

O presidente da Federação Paulista se mostrou preocupado com os clubes de pequeno porte, que devem sofrer mais com a paralisação, e negou a possibilidade de o Paulistão ser cancelado.

- O cara precisa do salário para sustentar a família. A gente não defende a manutenção das competições por causa de grandes clubes, de atletas que recebem grandes salários. Queremos salvar a saúde financeira e física dos pequenos, dos humildes. Se eles forem para casa ficarem nesses 15 dias, perdem os testes, acompanhamento médico e até correm chance de perder o salário. E não são só atletas, são os massagistas, preparadores… Vamos pensar no todo, parar de pensar só na elite, esses têm plano de saúde. A gente tem que cuidar dos humildes. Nesse momento triste a gente quer que esse grupo grande, mas humilde, seja empurrado para a fila do SUS? Vá para a fila da UTI? Nós temos controlado, os clubes têm controlado a saúde dessas pessoas. A gente luta para cuidar de gente, salvar vida - disse.

Bastos finalizou a entrevista explicando o descontentamento da Federação Paulista de Futebol com o MP e o governo do estado de São Paulo.

- O que nos incomoda muito é parar o futebol por uma recomendação do Ministério Público, sem respeito à ciência e à medicina. O que incomodou a Federação foi parar o futebol, ajustar uma reunião com o governo, com o Ministério Público. Fomos para essa reunião com três secretários do estado. Levamos a possibilidade da bolha. Dissemos que pararíamos a Séries A2 e A3, que o futebol não é cego, propusemos a bolha. Mas todos, sem nenhum exceção, fizeram qualquer crítica ao projeto apresentado. Nenhuma crítica. Nossa surpresa foi, quando na coletiva, o governador Doria trocou o interlocutor do Centro de Contingência da Covid-19, que faltou com a verdade. Todos elogiaram o protocolo e a proposta da Federação. Na reunião de noite com o Ministério Público, usando essa fala do Paulo Menezes, manteve a decisão. Não teve ciência, não teve medicina, e não foi isso que conversamos na reunião. Isso incomodou muito a federação e os clubes - concluiu o presidente.