Paulistão: Aos 120 anos, estadual se mantém como o mais rico do país, com clubes do interior mostrando força e tradição

·3 min de leitura

Completando 120 anos, o Campeonato Paulista começa hoje com o jogo único entre Palmeiras e Novorizontino — adiantado da quinta rodada por causa da participação alviverde no Mundial de Clubes da Fifa — na melhor forma possível. Torneio estadual mais antigo do país, é também o mais rico e estruturado.

Os cinco clubes daquele longínquo 1902 não disputam mais o campeonato (São Paulo Athletic, Paulistano, Mackenzie, Internacional e Germânia), mas a força do interior paulista permanece e se renova, ainda que o domínio dos títulos seja de Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo, atual campeão.

Sem serem eclipsados pelos grandes da capital, os times de menor investimento são fundamentais para fazer a roda do futebol girar.

Num recorte de 2010 até hoje, apenas em quatro edições os grandes dominaram os primeiros quatro lugares. Os times do interior apareceram no pódio do Paulistão 11 vezes, sendo o Ituano campeão em 2014.

No Carioca, por exemplo, neste mesmo período não houve um campeão fora dos quatro grandes Botafogo, Flamengo, Fluminense e Vasco. Os chamados pequenos só apareceram seis vezes entre os quatro primeiros.

— O interior paulista é uma força não apenas no esporte, mas nas áreas econômica, social e estrutural. Há muitas cidades muito bem planejadas, de variados tamanhos, regiões metropolitanas abastadas e polos regionais tecnológicos. O futebol do interior de São Paulo, que já conquistou títulos nacionais, é um dos pilares que mantém a relevância e a importância do Campeonato Paulista há 120 anos, formando e revelando talentos e fomentando a paixão por times de todos os portes — afirma o ex-jogador Mauro Silva, vice-presidente da Federação Paulista de Futebol.

O constante investimento no interior, vide o caso mais recente do Bragantino, vice-campeão da Copa Sul-Americana, não é fruto do acaso e está associado à própria estrutura de São Paulo. É natural que o estado mais rico do país concentre as melhores oportunidades e aportes financeiros em todas as áreas.

Com projetos que dão certo, o dinheiro é reinvestido na região, gerando um ciclo virtuoso que mantém São Paulo como centro do futebol, independentemente dos tamanhos dos clubes e das ambições esportivas.

Isso se reflete a nível nacional. O Campeonato Paulista possui hoje 25% dos times da Série A do Brasileiro e 20% dos clubes da Série B.

— A força do Paulistão passa pela renda per capita, passa também pelo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) das cidades e uma malha viária que facilita todo o processo de logística, integrando praticamente todas as cidades — diz o executivo do futebol José Domingos Chavare Júnior, que passou por vários clubes do interior paulista.

Chavare Júnior chama a atenção para o trabalho integrado dos clubes com a federação. Alguns projetos da entidade ajudam a manter esse nível mais alto dos times de variados portes em comparação com outros centros de futebol. Entre eles, a manutenção dos gramados, programas facilitadores de categorias iniciantes, como sub-11 e sub-13, e os fortes estaduais de base.

A presença dos times médios no pódio do sub-20 é ainda maior. Nas 12 últimas edições, foram dois campeões: Portuguesa (2010) e Mogi Mirim (2013). E houve pelo menos um entre os quatro primeiros.

— Nós trabalhamos pelo sucesso dos clubes e para aumentar a participação dos times paulistas em competições nacionais — diz Mauro Silva, que jogou no Guarani, há mais de uma década fora da Série A. — Há ciclos, campanhas e trabalhos notáveis, ainda que não resultem em título. O investimento na base se multiplicou no interior paulista nos últimos anos. A competitividade entre os grandes aumentou nos últimos anos. Mas acreditamos que há margem para aumentarmos estes percentuais a nível nacional.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos