Destaque da J-League, Patric pensa na seleção japonesa

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Patric antes de um amistoso pré-temporada (Pakawich Damrongkiattisak/Getty Images)
Patric antes de um amistoso pré-temporada (Pakawich Damrongkiattisak/Getty Images)

Por Marcelo Guimarães

Há sete anos no futebol japonês, o atacante Patric conquistou títulos, fez muitos gols e tornou-se ídolos. Hoje no Sanfrecce Hiroshima, ele não pensa em voltar ao futebol brasileiro. Faz questão de exaltar a sua adaptação e o carinho da família ao país. Uma paixão de criança, porém, poderia ter abreviado a sua passagem pela Ásia.

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Torcedor declarado do Palmeiras, ele lamentou não ter tido a oportunidade de vestir o uniforme alviverde. Patric lembrou que o se nome chegou a ser especulado no ano passado, quando Roger Machado ainda era o técnico, sem que houvesse uma proposta oficial. Sobre Luiz Felipe Scolari, atual comandante do time paulista, o atacante não escondeu a sua admiração e revelou que seria uma realização trabalhar com o treinador campeão do mundo em 2002.

- Eu não tive muitas sondagens de clubes brasileiros, porque nunca pensei em voltar ao país. Sempre deixei isso bem claro para o meu empresário. Estou há quase sete anos no futebol japonês e, graças a Deus, conquistei alguns títulos e tive o reconhecimento do torcedor, não só dos clubes por onde eu joguei, mas de toda a J-League. Surgiu um boato do meu nome no Palmeiras, o meu nome foi cogitado, mas os diretores disseram que não tinham interesse, no tempo que o Roger (Machado) estava lá. Ficou por isso, mesmo. O Felipão chegou ao clube em um momento difícil e não tive contato com ele. Gostaria de ter tido a oportunidade, porque é um sonho jogar no Palmeiras. É a equipe que torcia, quando criança. Quando enfrentei o Felipão na Copa da Ásia, eu me destaquei e fui bastante elogiado por ele. É um treinador que eu admiro muito, desde a sua primeira passagem pelo Palmeiras. Seria uma honra e realização jogar no time que torço e ser comandado por um treinador como ele. Infelizmente, não tive contato e propostas oficiais.

Patric chegou ao Japão com 25 anos e, neste período defendeu Kawasaki Frontale, Ventforet Kofu e Gamba Osaka, antes de chegar ao Sanfrecce Hiroshima. No Brasil, ele jogou por Democrata, Americano, Mixto, Vila Nova-GO, Atlético-GO, Fortaleza e Vasco. Em São Januário foi onde ele permaneceu mais tempo. Foram dois anos vestindo a camisa cruz-maltina, período em que conquistou o título da Copa do Brasil de 2011.

Para o jogador, faltaram oportunidades para deslanchar no clube carioca e no futebol brasileiro. Ele elogiou a qualidade técnica do elenco vascaíno e lembrou que era a terceira opção para o ataque, atrás de Alecsandro e Élton.

- No Brasil, eu tive poucas oportunidades nos clubes que joguei, além de ter ficado pouco tempo. Só três meses em cada clube. Onde eu fiquei mais tempo foi no Vasco, mas, infelizmente, não tive uma sequência de jogos, já que o clube tinha atacantes muito bons, como Élton e o Alecsandro, que viviam uma fase muito boa. Fui titular em apenas uma oportunidade nos dois anos que fiquei no Rio de Janeiro e a maioria dos jogos foram pela equipe sub-23. No profissional, os atacantes estavam vivendo um momento muito bom. Eu era a terceira opção e nossa equipe tinha um elenco muito bom. Fomos campeões da Copa do Brasil e vice do Campeonato Brasileiro. Para ter o reconhecimento de clubes e torcedores, é preciso conquistar títulos e fazer muitos gols, e foi isso o que aconteceu no Japão.

Sonho de jogar pela seleção japonesa

O carinho e reconhecimento dos japoneses despertaram o desejo de defender a seleção asiática. Ele já havia iniciado o processo, mas, como deixou o país há dois anos, precisou recomeçar. Segundo o jogador, é preciso passar mais de cinco anos no país, sem viajar para outra nação. Desde então, ele tem se dedicado muito ao idioma e à cultura local.

A possibilidade de defender o Japão na Copa América deste ano é remota, já que é preciso cumprir tudo um protocolo. Porém, para o Mundial do Qatar, em 2022, a possibilidade aumenta.

- É um sonho que eu tenho de defender a seleção japonesa. Isso não foi criado da noite para o dia, vem de alguns anos. Foi em uma entrevista que eu dei no Brasil e teve grande repercussão no Japão. Quando eu voltei ao país, depois de um período de férias no Brasil, a imprensa toda veio em mim para saber se era verdade. E eu falei que sim, pela gratidão que tenho ao país, que me acolheu muito bem. Tudo o que eu conquistei na minha carreira foi no Japão. Seria um sonho que gostaria de realizar, podendo enfrentar o Brasil seria muito gratificante. Estou ainda no período de autorização. É preciso ficar cinco anos no país direto, sem poder sair e fazer uma prova. Tenho me dedicado bastante, estudado muito. Já consigo ler e escrever em japonês. Para a Copa América será muito difícil. Acabei voltando ao país depois de cinco anos e perdi o visto. Agora preciso iniciar o processo do zero. Os cinco anos vão estar completos na próxima Copa do Mundo. Independente de qualquer coisa, é um país que gosto muito, aprendi a admirar e tem um lugar no meu coração.

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