Passado é inspiração para Alemanha superar tropeço da estreia na Copa do Qatar e evitar fiasco de 2018


Nunca é bom sinal questionar o poder de reação da Alemanha. Após a derrota de virada na estreia para o Japão, imediatamente o filme da Copa do Mundo de 2018 e a frustrante eliminação ainda na primeira fase vieram à tona. Entretanto, historicamente, o time germânico já deu mostras de poder reverter situações desfavoráveis na fase de grupos do Mundial no passado. E é a inspiração para evitar um novo fracasso.


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O maior exemplo da força alemã veio em 1954. A equipe caiu no Grupo 2 da competição, disputada na Suíça. Pelo regulamento esdrúxulo, uma seleção só jogaria contra duas das três rivais que completariam a chave. E o sorteio tirou do caminho germânico a Coreia do Sul.

Após vencer com autoridade a Turquia por 4 a 1 em sua estreia, no dia 17 de junho, a Alemanha decidiria a sua classificação três dias depois. Mas do outro lado estava a Hungria, já apontada como uma das principais favoritas. E assim acabou atropelada: 8 a 3 para os húngaros.

Para se classificar às quartas de final, os germânicos tiveram que passar por uma eliminatória desempate extra diante da Turquia. E aí a reação começou a ser desenhada. Goleada histórica por 7 a 2. Depois de eliminar a Ioguslávia, alcançaria outro placar dilatado frente a Áustria na semifinal: 6 a 1. E na final, contra a mesma Húngria, em 4 de julho, no episódio conhecido como o 'Milagre de Berna', venceu de virada por 3 a 2.

Alemanha x Argélia - 1982
Alemanha x Argélia - 1982

Argelinos surpreenderam a favorita na estreia de ambos no Mundial da Espanha, em 1982(Foto: Fifa)

ANOS 1980: PRIMEIRA FASE SE TORNOU UM CALVÁRIO

Nunca mais a Alemanha repetiu uma história como àquela de Berna. Contudo, na década de 80, onde a equipe alcançou três finais seguidas (recorde só igualado pelo Brasil em 2002), reservaram fortes emoções aos germânicos.

Em 1982, na Espanha, em uma das maiores zebras da história das Copas, os alemães estrearam no Grupo 2 contra a Argélia, que estreava em Mundiais, no dia 16 de junho, em Gijón. Acabaram perdendo por 2 a 1.

Depois de uma combinação de resultados da chave (incluindo os 4 a 1 sobre o Chile, no dia 17 de junho), a última rodada reservava o encontro entre Alemanha e Áustria. Ambos entraram em campo no dia 25 de junho sabendo do resultado do dia anterior, em que os argelinos bateram os sul-americanos por 3 a 2, em um capricho do regulamento da época.

No que ficou conhecido como o 'Jogo da Vergonha', os germânicos sabiam o que fazer para se classificarem e puxarem junto os vizinhos. E assim foi feito: vitória por 1 a 0, em que a maior parte do tempo de jogo foi de toques de bola e quase nenhuma chance clara criada, sob vaias dos torcedores presentes em Gijón. O episódio manchou a campanha alemã, que terminou com o vice após derrota para a Itália na final.

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Quatro anos depois, no México, a Alemanha também penou na primeira fase. No Grupo E, os germânicos estrearam mal empatando com o Uruguai em jogo que venciam até o final, no dia 4 de junho.

Na segunda rodada, quatro dias depois, a equipe fez a sua parte, venceu a Escócia por 2 a 1 e viu a Dinamarca, com uma das maiores gerações de sua história, aplicar um impetuoso 6 a 1 nos uruguaios e garantir a sua classificação antecipadamente.

A promessa era de jogo fácil na última rodada para os germânicos se garantirem nas oitavas de final, mas a Dinamarca mostrou que não estava para brincadeira. Venceu por 2 a 0, deixando os alemães empacados com três pontos. Para sorte deles, no jogo de fundo da chave, o Uruguai não conseguiu vencer a lanterna Escócia (ficou no empate sem gols).

E assim a Alemanha continuou sua trajetória até a final, onde encontrou o furacão Diego Maradona e não foi párea para a Argentina, saindo com mais um vice na década de ouro do futebol germânico.

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