Parlamentares que tentarem invadir hospitais serão tratados como criminosos, diz Doria

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Doria lamentou invasão dos deputados ao Hospital de Campanha do Anhembi e declaração do presidente incitando apoiadores a fazer o mesmo. (Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Sipa USA)(Sipa via AP Images)
Doria lamentou invasão dos deputados ao Hospital de Campanha do Anhembi e declaração do presidente incitando apoiadores a fazer o mesmo. (Foto: Aloisio Mauricio/Fotoarena/Sipa USA)(Sipa via AP Images)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que as tentativas de invasões aos hospitais onde são internados pacientes do novo coronavírus serão tratadas como crime pelo setor de Segurança Pública, inclusive se forem protagonizadas por parlamentares.

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A ameaça do governador acontece na esteira da declaração do presidente Jair Bolsonaro, feita na transmissão ao vivo de quinta-feira (11), para que seus apoiadores dessem “um jeito” de entrar nos hospitais e filmar as áreas restritas dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

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Um dia após a fala de Bolsonaro, um grupo formado por pelo menos seis pessoas entrou no Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, unidade de referência no Rio, e invadiu alas restritas a médicos e pacientes na tarde de sexta-feira.

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“Sobre invasões aos hospitais, o mau exemplo desses deputados foi condenado por todos. Lamentavelmente, uma figura da República incitou outras invasões. Invadir é crime e agredir é crime. Se tiver qualquer outra tentativa de invasão a hospitais, a segurança pública saberá agir e criminalizar os invasores, sejam parlamentares ou não”, afirmou Doria.

Há duas semanas, cinco deputados estaduais de São Paulo, acompanhados de seus assessores, invadiram as instalações do Hospital de Campanha do Anhembi e causaram um tumulto no local. A alegação do grupo é de que fariam uma vistoria e acusaram Doria e o governo paulista de mentir e inflar os número de casos e mortes pela Covid-19 no estado.

A invasão foi protagonizada pelos deputados Adriana Borgo (Pros), Marcio Nakashima (PDT), Leticia Aguiar (PSL), Coronel Telhada (PP) e Sargento Neri (Avante), que forçaram a entrada nas instalações hospitalares do Anhembi, inclusive em áreas com alto risco de contaminação.

Uma vez lá dentro, os parlamentares fizeram vídeos e postaram nas redes sociais, questionando o número de internados e criticando as medidas de isolamento social adotadas pelo governo.

O governador ainda ressaltou que o poder fiscalizador de um cargo parlamentar não garante o livre acesso ou permite o desrespeito à lei. “A condição de parlamentar não dá livre acesso ou permite desrespeitar a lei, a medicina ou a doença. Um mandato não significa impunidade. Se voltarem a invadir, receberão tratamento como invasores”, finalizou o governador.

Ainda sobre a invasão ao Hospital de Campanha do Anhembi, Doria afirmou que foi feito um registro policial por parte da Prefeitura de São Paulo, da gestão Bruno Covas (PSDB), uma vez que a unidade de saúde é mantida pelo município. “Aliás, deveriam ser os deutados os primeiros a obedecerem a lei, a cumprirem a lei. Esses deputados deram um péssimo exemplo à população e serão responsabilizados por isso”.

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