Parceira de equipe, Amanda Nunes condena postura de Colby: "Expulsaria da academia"

Em tempos em que o ‘trash talk’ parece fundamental para a consolidação de novos ídolos no MMA, alguns atletas ganham visibilidade instantânea mais pela promoção fora do octógono do que por suas apresentações dentre dele. E nesse cenário, o nome de Colby Covington é a bola da vez, tanto pela repercussão de suas polêmicas como pelas críticas que recebeu.

Campeã peso-galo (61 kg) do UFC, Amanda Nunes, que embora tenha ficada marcada pelas declarações após sua vitória contra Ronda Rousey, acumula uma carreira pacata e sem grandes rivalidades, treina na academia American Top Team, celeiro de grandes nomes do esporte que também conta com Covington como um de seus representantes. E por presenciar a postura do atleta no seu dia a dia, a brasileira garantiu surpresa.

“O Colby eu conheço da academia. Não entendi nada dessa palhaçada. Ele era um cara com quem eu trocava ideia na academia, mas nunca treinamos juntos. A academia é grande, é todo mundo legal lá, nos falamos e cada um vai para o seu canto. A academia não é um time, tem a academia, você escolhe seus treinadores e treina. O Colby me surpreendeu porque quase todos os treinadores são brasileiros”, narrou durante conversa com a reportagem da Ag. Fight antes de apontar para a surpresa com a falta de punição ao americano.

“Essa postura, se eu fosse o dono, teria expulsado. Tinha saído da academia, com certeza absoluta. O head coach é o [Marcus] Conan, tem o [Marcos] Parrumpinha… São todos brasileiros. Isso é desrespeito com os treinadores e com a nossa nação. Sempre fui tranquila com ele, era um cara que eu gostava, mas ele desviou o caminho e começou a desrespeitar. Não gostei, sou brasileira, então claro que não vou ficar do lado dele”, garantiu.

Tal postura, de acordo com Amanda, é usada para aumentar o poder de promoção. Afinal, o grande público, que não necessariamente acompanha o noticiário diário do esporte, é atraído pelas polêmicas, o que aumenta as chances dos ‘falastrões’ aumentarem suas vendas de pay-per-view e, assim, cortarem caminho rumo ao cinturão do evento. No entanto, a recompensa só é possível porque o UFC aceitou esse jogo.

“Na verdade, o público se acostumou com isso. Veio o Sonnen, depois o Conor McGregor, e o UFC deu ênfase. Automaticamente os fã vão esperar por isso. Veio do atleta, mas o evento abraçou. E se não tivesse abraçado e colocado isso na TV toda hora, não seria assim. […] Não gosto, não gosto. Um trash talk limpo, beleza. Mas quando desrespeita, sendo que é um esporte… Eu venho da disciplina do judô, acredito que se for sem desrespeito, até da para levar. Mas quando começa a falar da mãe, do pai, dar tapa na bunda, dedo na cara, xingar o país… Isso é outro nível. Desrespeito total com pessoas que não tem nada a ver”, garantiu.

Em sua última luta, quando venceu Valentina Shevchenko e manteve o cinturão dos galos, Amanda travou uma verdadeira guerra de nervos com sua oponente. Após provocações, uma polêmica encaradas em que a brasileira foi acusada de socar a rival – Amanda garante que foi tocada primeiro – ditou o ritmo nada amigável até que a revanche fosse realizada.

“Honestamente, depende da oponente. Valentina foi uma pela saco, ela é uma pela saco. Uma palhaça. Teve momentos em que eu queria meter a mão na cara dela. Não vou mentir, me segurei várias vezes. Até o dia que ela tocou no meu rosto. ‘Não toca em mim’. Vamos ter uma dia para lutar. […] Depende da opoente. Se tocar em mim, sai de baixo porque eu vou tocar de volta. Depende da emoção ali na hora. O trash talk, se eu for falar, eu falo para o atleta. Uso as falhas dela para falar dela. São coisas da luta, o que ela fez na última luta dela. Fica limpo. Mas comigo é mais do momento, se falar algo que não gostei eu rebato. Foi assim com a valentina”, finalizou.