Paraguai joga com o Brasil em busca de sobrevivência nas Eliminatórias

Foto: AP/Jorge Saenz

O Paraguai não tem muito o que almejar nas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Em sétimo lugar e apenas dois pontos atrás do Equador, que no momento está pegando repescagem, a seleção junta forças para se defender contra o Brasil e quem sabe sair com um ponto da Arena Corinthians, na terça-feira.

Sem montar uma equipe minimamente competitiva desde 2011, quando chegou até a final da Copa América, o Paraguai é treinado por Francisco Arce e é conhecido por eliminar o Brasil nas edições de 2011 e 2015 da Copa América. Mas como o momento favorece demais uma nova vitória dos comandados de Tite, agora a missão paraguaia é outra em território brasileiro.

Restando cinco jogos para o fim da competição, a definição dos quatro classificados e do país que irá para a repescagem é quase que totalmente imprevisível. Com exceção do Brasil, que abriu sete pontos de vantagem para o Uruguai e caminha a passos largos para a Rússia, nenhum dos outros classificados está perto da vaga. O Paraguai é um deles. Em sétimo lugar, com 18 pontos, a equipe venceu o Equador na rodada passada e ganhou um pouco de confiança, mas continua precisando somar e torcer por tropeços dos concorrentes à sua frente na tabela.

Numa hipótese bizarra de vitória contra o Brasil, os paraguaios chegariam aos 21 pontos e poderiam passar Chile e Equador, seus concorrentes diretos no bolo. Entretanto, como isso parece impossível de acontecer, ficamos mesmo com um empate como o melhor cenário para Arce e seus comandados. Com 19 pontos, eles terão o Chile (fora), Uruguai (casa), Colômbia (fora) e Venezuela (casa). Uma sequência bem complicada que envolve dois rivais diretos longe do território paraguaio. Além do Uruguai, que é uma seleção mais qualificada, em Asunción.

Supõe-se que o primeiro passo para essa pedreira é fazer uma atuação convincente diante do Brasil. Como então lidar com a melhor seleção do continente, que tem atropelado seus rivais com enorme facilidade? Mesmo o Uruguai, em Montevidéu, poderia ter sido goleado por muito mais do que 4-1 nos 90 minutos. Desde que Tite assumiu o comando, foram sete vitórias seguidas, sempre com mais de um gol marcado. A margem mais estreita foi o 2-1 contra a Colômbia, no segundo jogo com o novo técnico. Antes disso, a seleção havia empatado com o Paraguai por 2-2 no Defensores del Chaco, um ano atrás.

Até o momento, Arce conta com alguns jogadores em destaque para a sua empreitada rumo à Rússia: Almirón, Lezcano, Derlis González e Cecílio Domínguez. Os irmãos Oscar e Ángel Romero marcam presença nas convocações, mas não entraram contra a Bolívia e o Equador, apenas contra o Peru, em novembro de 2016, quando os paraguaios foram goleados por 4-1. Considerados como promessas internacionais da fase atual da Albirroja, os Romero fizeram bom papel na heroica vitória diante da Argentina, em Córdoba, no ano passado, por 1-0.

Ao que depender do time do último jogo, o Paraguai não terá nenhum dos gêmeos no time titular contra o Brasil. Mas Arce pode muito bem escalar Ángel como uma arma no segundo tempo. O que Tite precisa ficar atento é com a bola aérea dos defensores paraguaios e as jogadas ensaiadas, que estão se provando um trunfo recente. Pode até faltar o talento das gerações de 1998 e 2010, mas este Paraguai é um pouco mais móvel e melhor posicionado do que as últimas equipes que vimos.

O prognóstico mais claro é o de se defender os 90 minutos para evitar qualquer gol do Brasil. É a única forma do Paraguai sair de Itaquera com algum ponto na bagagem. Ou quem sabe em um contragolpe veloz pelas laterais, aproveitando os espaços deixados por Marcelo na esquerda. A questão é que os paraguaios dependerão de erros individuais do Brasil para isso e contra o Uruguai, vimos que as chances foram mínimas. Deixando claro que a bobagem de Marcelo no lance do pênalti em Cavani foi um ponto fora da curva.

Em suma, o Paraguai vem para tentar a atuação do ano contra o Brasil. Só assim se credenciam de alguma forma a brigar por uma das quatro vagas restantes para a Copa do Mundo. Será que eles podem “cometer o crime” contra os meninos de Tite na terça-feira? Digamos que existe entre 0,5 e 1% de chance, um número que não pode ser desprezado.