Pará e Amapá acumulam mais da metade das mortes de quilombolas por Covid-19

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Pandemia avança sobre territórios de remanescentes de quilombolas; já são mais de 350 casos confirmados. Foto: Thiago Gomes/Agência Para
Pandemia avança sobre territórios de remanescentes de quilombolas; já são mais de 350 casos confirmados. Foto: Thiago Gomes/Agência Para

Texto: Flávia Ribeiro | Edição: Nataly Simões

A região Amazônica é a que mais acumula mortes de quilombolas por Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. São 31 mortes das 59 registradas pelo observatório online “Quilombosemcovid19.org”, administrado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) em parceria com o Instituto Socioambiental (Isa). Ao todo, são 353 casos confirmados e 178 monitorados nos territórios de todo o país, até essa sexta-feira (5).

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Com 19 óbitos, o Pará segue como o estado com mais mortes de quilombolas. Em seguida vem o Amapá, com 13 registros. Com isso, os dois estados são responsáveis praticamente pela metade dos óbitos do país. Além deles, ainda há registro nos estados do Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Amazonas e Ceará.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possuía, em 2019, quase 6 mil comunidades quilombolas. Os estados com maior número de povoados são Bahia, Maranhão e Minas Gerais, locais que também convivem com o medo da chegada do vírus.

O observatório destaca que a desigualdade do enfrentamento ao coronavírus, que já se mostra evidente nas periferias urbanas, terá um impacto arrasador nos quilombos se a doença mantiver este ritmo de alastramento e letalidade.

Sobre a situação dos quilombolas do Pará, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) informou que orienta e capacita profissionais e gestores municipais de saúde quanto às notas técnicas, protocolos e fluxos estabelecidos para assistência à pacientes confirmados ou com suspeita de Covid-19 em comunidades quilombolas, assim como o acesso a leitos clínicos e de UTI em todos os hospitais.

A secretaria formou um grupo de trabalho com a Coordenação das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Pará (Malungu), a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (SEJUDH) e líderes quilombolas para intensificar as ações.

A Sespa informou ainda que monitora por meio das Regionais de Saúde e Municípios, os casos de Covid-19 nas comunidades. A pasta realiza junto com os municípios um inquérito epidemiológico para confirmar todos os casos e óbitos por coronavírus entre os quilombolas.

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