Para Diniz, treinar finalizações não basta para melhorar pontaria do time


O São Paulo passou por um período, antes da paralisação das competições, em que o time criava muitas chances de gol, porém as desperdiçava na mesma proporção. Dessa forma, os resultados não estavam acontecendo e as cobranças começaram a atingir jogadores de ataque e comissão técnica. Para torcedores e alguns analistas a solução era bem óbvia: treinar finalizações, mas para Fernando Diniz a questão vai além da fundamentação técnica.

Em entrevista ao programa "Troca de Passes", do SporTV, o treinador do Tricolor classificou como simplista a análise de que colocar os jogadores para treinar chutes a gol insistentemente bastaria para resolver os problemas de conclusão de um time. Para Diniz, isso passa também pelo aspecto psicológico do atleta, já que no campo de jogo encontrará outros fatores para lidar.

- As pessoas acompanham o treinamento de finalização lá no São Paulo, que a gente faz como rotina. Quando cabe, a gente tem que fazer fundamentação técnica, mesmo no profissional, às vezes a gente está deixando de fazer na base. A gente treina muito finalização e os no treinamento analítico, sem oposição, sem a emoção do jogo, o aproveitamento dos jogadores é sempre muito alto. Quando você chega na cara do gol, tem muitos elementos que fazem você marcar o gol e fazem você deixar de marcar o gol, e talvez o principal seja a questão da confiança e do acreditar no tamanho do jogador que você pode ser, que são questões que dificilmente são debatidas em programas esportivos, a solução é sempre muito simplificada, é treinar finalização - explicou o comandante são-paulino antes de completar:

- Pode treinar o dia inteiro que você melhora pouco esse quesito, quando te falta confiança no jogo, porque do jogo tem a oposição, tem a televisão que está filmando você errar, tem a torcida no estádio, esses fatores são difíceis de mensurar o quanto eles interferem ou não, mas quase nunca eles estão na discussão. A gente tende a minimizar todos os efeitos do futebol, fazer simplificações, ou teorizações, porque a teoria é sempre muito fácil, por isso que tem muita gente na universidade criando teorias e pouca gente praticando.





E é justamente aí que entra o diferencial do trabalho de Fernando Diniz em relação aos seus jogadores. De acordo com o treinador, é preciso desenvolver coragem nos atletas para que eles reproduzam no campo aquilo que é pedido, pois isso será testado durante os jogos. Além disso, ele diz que para esse tipo de método ter sucesso é necessário ser trabalhado constantemente.

- É muito mais difícil você se arriscar, se experimentar. Aquilo que a teoria diz, às vezes a prática e a realidade são muito diferentes do que a teoria está preconizando. Uma coisa está muito ligada a outra, você tem que desenvolver coragem para as pessoas poderem entender os mecanismos do jogo que eu pretendo fazer, então é uma coisa ligada quase simbioticamente, os jogadores precisam ter coragem e ao mesmo tempo você vai desenvolvendo inteligencia tática - comentou o técnico antes de complementar:

- Não é um jogo tão difícil, é um jogo só diferente, você precisa colocar o jogador nessa situação diferente, treinar exaustivamente e depois fazer com que o jogo também seja um treino, porque ele vai testar no jogo a sua coragem e seu medo o tempo todo, aí você corrige e insiste. Então essas coisas eu tive que trabalhar o tempo todo e esse trabalho é constante, pois ele nunca para.

Por fim, Diniz falou sobre os momentos em que a ideia passa a não funcionar ou de alguma forma fica estagnada. Para ele há duas opções nessas situações, ou buscar se igualar a outros times, ou continuar buscando alternativas dentro de sua filosofia. Sua escolha é sempre a segunda e é o que tem feito seu trabalho cair cada vez mais nas graças do torcedor são-paulino.

- Em determinados momentos o nosso time vai exercer uma pressão muito bem feita e pode travar. Aí só tem duas coisas para fazer quando trava: ou você insiste e melhora a sua ideia ou você larga mão e vai ficando parecido com os outros times. A minha tendência muito clara é insistir e buscar cada vez mais os mecanismos mais sofisticados para dar seguranças aos jogadores para poderem desenvolver a ideia de jogo na hora das partidas - concluiu.








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