'O lucro de Lima-2019 é o legado que ficará para a população', diz dirigente

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Carlos Neuhaus durante coletiva sobre os Jogos de Lima (Divulgação/Lima-2019)
Carlos Neuhaus durante coletiva sobre os Jogos de Lima (Divulgação/Lima-2019)

Por Marcelo Laguna (@MarceloLaguna)

Há pouco mais de dois anos, não seria exagero dizer que existia um risco nada desprezível da cidade de Lima perder a sede dos Jogos Pan-Americanos de 2019.

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Motivos para isso não faltaram. Primeiro, uma grave crise econômica e política no Peru, que culminou com a renúncia do presidente Pedro Pablo Kuczynski, em março de 2018. Um ano antes, uma tragédia natural causadas pelas chuvas que atingiram quase todo o país, tendo com saldo centenas de mortes, também colocaram em dúvida a capacidade do país em poder organizar o evento multiesportivo das Américas.

O atraso nas obras para erguer ou remodelar diversas arenas também contribuiu para colocar um ponto de interrogação na capacidade da capital peruana em receber o evento. Mas após um esforço conjunto entre o comitê organizador dos Jogos e a Panam Sports (novo nome da Odepa, entidade responsável pelo esporte olímpico das Américas), as coisas entraram nos trilhos.

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A menos de dois meses para a cerimônia de abertura, em 26 de julho, Lima já está ficando com a cara do Pan. Enquanto corre para finalizar os últimos preparativos para o evento, o presidente do comitê organizador dos Jogos, Carlos Neuhaus, falou ao blog Mundo Olímpico sobre as dificuldades que Lima enfrentou, questões ligadas ao orçamento da competição, o aumento do número de vagas olímpicas que serão distribuídas e o legado que ficará ao povo peruano após o Pan-Americano.

A menos de dois meses para a abertura, qual a grande expectativa que o senhor tem em relação aos Jogos Pan-Americanos?

Carlos Neuhaus: Esta contagem regressiva vem sendo emocionante e intensa, mas estamos mantendo a tranquilidade, mesmo com os dias avançando. Os locais esportivos estão sendo entregues e os sorteios das modalidades realizados. Na última semana, realizamos eventos de teste do atletismo [com a disputa do Campeonato Sul-Americano] e vôlei. Outras instalações também serão testadas nos próximos dias.

Em recente visita a São Paulo, o presidente da Panam Sports, Neven Ilic, admitiu que em 2017, após assumir o cargo, estava preocupado se o Pan aconteceria em Lima, tal o atraso nas obras. Para o senhor, o que foi determinante para que as obras necessárias saíssem do papel e fossem concluídas?

Acredito que tenha sido o resultado do trabalho responsável de muitas pessoas engajadas, além de serem profissionais de primeiro nível, que estão envolvidos não apenas na organização do Pan-Americano, como também dos Jogos Parapan-Americanos.

Em relação às arenas, o que falta ser entregue e qual o balanço das que estão prontas?

O Complexo Esportivo Villa Maria del Triunfo foi completamente entregue. Lá acontecerão as disciplinas dom polo aquático, hóquei sobre grama, rúgbi seven, softbol, beisebol, frontón peruano e pelota basca. Na Villa Deportiva Nacional (Videna) foi entregue a pista de aquecimento do Estádio de Atletismo, que também foi reformado, além do centro de boliche. No mesmo local, os ginásios Polideportivo 1 e 2 já foram concluídos e testados para os eventos de judô e levantamento de peso paralímpico.

Outros locais que o comitê organizador já liberou são o Estádio da Universidade de São Marcos, onde foi disputado o Sul-Americano Sub 17 de futebol, assim como o Coliseo Miguel Grau e o Polideportivo Callao, que serão palcos do vôlei e taekwondo, respectivamente. No dia 5 de junho, será entregue o moderno Poliderportivo Villa El Salvador, que receberá as provas de ginástica e caratê, além de rúgbi em cadeira de rodas e bocha do Parapan.

O orçamento previsto para o Pan de Lima foi respeitado? Qual a porcentagem de verbas públicas e privadas usadas na organização do evento?

O investimento total será menor do que o estimado no orçamento do plano diretor. O orçamento original previa 4,3 bilhões de sóis peruanos, mais impostos (R$ 5,18 bilhões), mas após uma revisão, este valor será um pouco menor e chegaremos a um custo final de cerca de 4 bilhões de sois (R$ 4,81 bilhões).

Muito se fala em legado, assim como ocorreu com o Rio de Janeiro, após a Olimpíada de 2016. Como que Lima irá trabalhar a questão do legado após o Pan e o Parapan?

O nosso plano de legado foi dividido em quatro partes: econômico, socio-educacional, esportivo e urbano-ambiental. O legado será em benefício da população dos bairros de Villa Maria del Triunfo, San Luis, San Miguel e Callao (áreas da Lima metropolitana), além de áreas da região de Lima. Foram desenvolvidos 22 Planos de Gestão para os locais, sobre como os proprietários dos cenários poderão usá-los bem ao final dos Jogos, gerando cada um deles seu próprio orçamento. Este procedimento faz parte do Plano de Legado desde 2017 e foi desenvolvido no âmbito do acordo do governo do Peru com o governo do Reino Unido, objetivos que estão sendo atendidos de forma coordenada.

Entre todas as sedes, quais serão permanentes e quais as provisórias?

A maioria delas será permanente, o que se transformará em um legado para o esporte peruano. Apenas os locais em áreas naturais serão temporários.

As vendas de ingressos começaram apenas em 27 de maio. Por que houve essa demora para o início da comercialização dos bilhetes?

Preferimos nos preparar com muito cuidado para que as vendas começassem sem problemas. O comitê organizador está consciente de que o Pan-Americano despertará atenção de pessoas de muitos países, interessados em adquirir ingressos. Aliás, estamos esperando a presença de muitos brasileiros e que eles possam ver os melhores Jogos Pan-Americanos da história. Que venham apoiar seus atletas e possam aproveitar de nossa hospitalidade, cultura e gastronomia.

Qual a importância para o sucesso do evento o fato do Pan-Americano estar concedendo mais vagas olímpicas em todos os tempos?

Este foi um acerto da Panam Sports com as federações internacionais de cada esporte. Mas é claro que dará uma emoção ainda maior aos Jogos e certamente veremos um nível técnico muito alto durante o Pan-Americano de Lima.

Em sua opinião, o Pan-Americano será um evento que trará lucro financeiro ou servirá para trazer um maior engajamento do povo do Peru com o esporte olímpico?

Se formos ver como um show, os Jogos representam uma despesa. Mas se analisarmos do ponto de visto do legado, trata-se de um investimento a longo prazo. Nosso olhar é o do legado, o dia seguinte. O engajamento do governo peruano com o esporte olímpico já existe. Agora, é o momento de adicionarmos o povo peruano de modo geral, para que sintam a importância do esporte para a nossa sociedade.

O senhor faz algum tipo de previsão de desempenho do Peru neste Pan-Americano?

Meu desejo é que a delegação peruana faça uma excelente participação e possa demonstrar o progresso feito no esporte local. Espero sinceramente que o Peru aproveite esta oportunidade de ter os Jogos Pan-Americanos em casa e conseguir o maior número de medalhas possível.

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