Palmeiras x Grêmio: herdeiro da 7 que já foi de Renato Gaúcho, Matheus Henrique vive maior final da carreira

Marcello Neves
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"Cuidado garoto. Não vai conseguir andar com esse número". A brincadeira de Renato Gaúcho já virou rotina ao encontrar Matheus Henrique. Herdeiro da camisa 7 do Grêmio, o volante sabe da história que ela carrega. Mas apesar dos 1,75 m e de apenas 71 kg, a vida trouxe casca para o volante de 23 anos. Se vive a maior final da carreira — o Grêmio enfrenta o Palmeiras, às 18h (de Brasília), pela final da Copa do Brasil — existem dois motivos que o levaram a tal: perseverança e apoio familiar.

O pai, João Henrique, técnico em enfermagem, e a mãe, Cláudia Cristina, pedagoga, sempre ouviram que o filho tinha talento acima da média para o futebol. De tanto os treinadores da infância insistirem, o levaram para jogar no Nacional, de São Paulo, aos 8 anos. No entanto, ao passar dos anos, as dificuldades financeiras foram ficando evidentes.

— A maioria dos jogadores teve um lado sofrido para alcançar os objetivos. Comigo não foi diferente, mas Graças a Deus meus pais sempre se esforçaram. Minha maior dificuldade era ficar longe de casa. Lembro que meus pais sempre me deram apoio financeiro para pegar ônibus, metrô para ir aos treinos. Minha maior dificuldade mesmo foi sair de casa cedo e assumir grandes responsabilidades com 13 anos de idade — conta Matheus Henrique, em entrevista ao EXTRA.

Curiosamente, dentro de casa, Matheus vive uma rivalidade particular: graças a influência do pai, era palmeirense na infância, ia ao antigo Palestra Itália e comemorava gols de Diego Souza, seu companheiro no Grêmio. No entanto, hoje não nega a importância que os gaúchos tiveram em sua carreira. Seu João também não esconde a torcida para que o filho seja campeão.

Nascido em Paradas de Taipas, na Zona Norte de São Paulo, Matheus virou destaque e uma promessa no Nacional. Disputou a primeira Copa São Paulo de Futebol Júnior aos 15 anos e quase parou no Fluminense.

— Fiquei três meses em avaliação. Acredito que não deu certo por parte minha também. Creio que era para acontecer, pois logo depois apareceu a oportunidade de eu vir para o Grêmio, na minha primeira passagem, e foi onde tudo começou a melhorar na minha carreira. Não me arrependo de ter tentado no Fluminense e acho que era pra ser assim — completa.

Eis que o caminho de Matheus Henrique e Grêmio se cruzou pela primeira vez. Em Porto Alegre, teve uma adaptação mais fácil. Ficou até o fim de 2013, quando acabou dispensado. Voltou a São Paulo e se destacou no São Caetano até fazer os gaúchos perceberem o erro que tinham competido. De volta, trilhou os passos até o elenco profissional.

Matheus, porém, mudou. Antes meia-atacante, se tornou volante após observação de César, um dos treinadores da base gremista, e a lapidação de Renato Gaúcho, que o trata como o sucesso de Arthur, vendido ao Barcelona por R$ 120 milhões em 2018 e atualmente na Juventus, da Itália.

— Quando o Arthur estava aqui no clube, eu tinha acabado de subir e nossas características são muito semelhantes. Temos o mesmo gosto de ficar com a bola, limpar os adversários, o jogo curto e ele deu certo aqui. Logo depois que ele foi vendido pro Barcelona eu assumi a titularidade, tive boas atuações e acabei sendo chamado pra seleção brasileira. Com certeza teve uma influência, ela foi muito válida para mim, pois o Arthur é um jogador e uma pessoa que eu admiro muito. Sempre deixei muito claro que quero construir uma caminhada vitoriosa como ele construiu aqui.

O Grêmio busca o hexacampeonato, igualando recorde do Cruzeiro, mas não será tarefa fácil: na ida, em Porto Alegre, o Palmeiras venceupor 1 a 0 e fica com o troféu com empate.