Palmeiras perde do River em jogo dramático, mas volta à final da Libertadores após 20 anos

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SÃO PAULO, SP, 12.01.2021 – PALMEIRAS-RIVER PLATE: Partida entre Palmeiras e River Plate, válida pela segunda partida da semifinal da Copa Libertadores da América 2020/2021, realizada na Arena Allianz Parque, na zona oeste de São Paulo, na noite desta terça-feira (12).  (Foto: Fernando Roberto/Uaifoto/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 12.01.2021 – PALMEIRAS-RIVER PLATE: Partida entre Palmeiras e River Plate, válida pela segunda partida da semifinal da Copa Libertadores da América 2020/2021, realizada na Arena Allianz Parque, na zona oeste de São Paulo, na noite desta terça-feira (12). (Foto: Fernando Roberto/Uaifoto/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A espera do torcedor palmeirense enfim terminou. Após 20 anos -mais 90 minutos com o coração na boca- o Palmeiras está de volta à final da Copa Libertadores e vai em busca de seu segundo título continental, no próximo dia 30, no Maracanã.

O time alviverde quase fez com que a vantagem de 3 a 0 construída na semana passada, em Avellaneda, quase desmoronasse nesta terça-feira (12). Mas a derrota por 2 a 0 para o River Plate, com atuação ruim da equipe de Abel Ferreira, confirmou o clube alviverde na decisão.

Além do susto no placar, o Palmeiras foi salvo em duas oportunidades pelo VAR, que anulou um gol por impedimento e um pênalti inicialmente marcado pelo árbitro, mas que depois de rever no monitor, entendeu que Matías Suárez se jogou antes de receber o contato.

A última vez que o clube alviverde esteve em uma final de Libertadores, em junho de 2000, ficou com o vice-campeonato diante do Boca Juniors (ARG), adversário que poderá reencontrar na atual edição caso os argentinos passem pelo Santos. Eles se enfrentam nesta quarta (13), na Vila Belmiro, após empate sem gols na Bombonera.

Eliminar o River, que esteve em quatro semifinais consecutivas do torneio, é a coroação não da atuação em São Paulo, mas da ótima campanha do Palmeiras na Libertadores.

Havia a dúvida se o bom desempenho e os resultados expressivos contra times menores, como as goleadas por 5 a 0 contra Bolívar (BOL), Tigre (ARG) e Delfín (PAR), seriam apenas ilusórios e insuficientes na hora de enfrentar um gigante do continente.

A partida de ida contra o River Plate de Marcelo Gallardo, semifinalista nas últimas quatro edições e bicampeão sob o comando do técnico, mostrou que não.

Em Avellaneda, uma equipe praticamente liderada por garotos mostrou a maturidade dos grandes times. Gabriel Menino, Patrick de Paula e Danilo encararam o River como se estivessem disputando a décima Libertadores na carreira. Eles estão apenas na primeira.

Quando o Palmeiras foi campeão continental, em 1999, nenhum dos três havia nascido. No ano seguinte, quando o clube alviverde retornou à decisão, Patrick de Paula tinha somente pouco mais de dois meses de vida.

O 3 a 0 na Argentina, construído depois que Rony abriu o placar e desmoronou a estrutura tática do adversário, encaminhou a classificação palmeirense. Que apesar das restrições impostas pela pandemia, viu torcedores se aglomerarem do lado de fora do estádio para receberem com festa o ônibus alviverde.

A aposta nos jovens, protagonistas da campanha, mostra uma mudança de perfil na formação da equipe, reforçada em peso nos últimos anos para atender à obsessão das arquibancadas por um novo título da Libertadores.

Para a campanha de 2017, por exemplo, a parceira Crefisa investiu aproximadamente R$ 100 milhões no elenco, trazendo ao clube nomes como Bruno Henrique, Borja, Deyverson e Guerra. O Palmeiras caiu nas oitavas de final, para o Barcelona de Guayaquil (EQU).

Nesta temporada, somente Rony chegou após grande investimento. A diretoria desembolsou R$ 27 milhões na contratação do atacante, que depois de um período de desconfiança e atuações irregulares com Vanderlei Luxemburgo, passou a dar retorno técnico sob o comando de Abel Ferreira.

Mas da mesma forma que a juventude foi protagonista no jogo de ida, talvez tenha faltado à equipe alviverde experiência para lidar com a partida desta terça diante de um adversário forte com o River de Gallardo, e com uma vantagem que não foi administrada com o nível de atenção que pede essa instância da competição.

Rony teve a oportunidade de aumentar a boa vantagem trazida da Argentina logo no início do jogo, mas não conseguiu driblar o goleiro Armani, que desarmou o atacante.

Ainda no primeiro tempo, o River, que achou espaços pelo lado direito do ataque, balançou as redes de Weverton duas vezes. Primeiro com Rojas, aos 28 minutos, de cabeça, após escanteio cobrado por De La Cruz pela direita.

A partir do gol, o roteiro do jogo lembrou bastante o da última semana, em Avellaneda, mas com os personagens em papéis invertidos.

Sem Gustavo Gómez, que deixou o campo lesionado, o Palmeiras perdeu o comando de sua defesa, incapaz de segurar o River Plate. Minutos depois da saída do paraguaio, os argentinos descontaram novamente, aos 43, com Rafael Santos Borré, que aproveitou cruzamento de De La Cruz da direita e cabeceou na segunda trave.

Na etapa final, o Palmeiras adiantou um pouco suas linhas e passou a ficar mais com a bola, tirando o ímpeto do River que, cansado depois da pressão no primeiro tempo, corria atrás do time alviverde.

A missão palmeirense foi facilitada pela expulsão de Rojas, que recebeu o segundo amarelo aos 27 minutos e deixou o time de Gallardo com um a menos.

Os sustos, porém, não acabaram com a saída do paraguaio. Depois de ter gol anulado por impedimento após revisão no VAR, a tecnologia entrou em campo a serviço do Palmeiras outra vez. O árbitro marcou pênalti de Empereur em Matías Suárez, mas reviu a jogada no monitor e entendeu que o argentino se jogou antes do contato.

Nos minutos finais, já nos acréscimos, o árbitro voltou a visualizar um lance no VAR de possível pênalti para os argentinos, mas descartado depois que a imagem mostrou impedimento de Borré.

Classificado para a quinta final de sua história (1961, 1968, 1999, 2000 e 2020), o Palmeiras agora espera pelo vencedor da outra semifinal entre Santos e Boca Juniors.

Se a equipe de Cuca confirmar uma vaga, será a terceira final de Libertadores com times brasileiros, a primeira decidida entre paulistas.

Mas se o Boca chegar à decisão, repetirá um duelo que traz boas lembranças aos argentinos. Em 2000, liderado por Juan Román Riquelme, a equipe se sagrou campeã ao superar o Palmeiras nos pênaltis, no antigo Palestra Itália.

Ambos se reencontraram na semifinal em 2001, e o Boca levou a melhor mais uma vez, de novo nos pênaltis. O time de Buenos Aires foi à decisão e bateu o Cruz Azul (MEX) para ficar com o título, o quinto de sua história.

A última conquista dos argentinos na Copa Libertadores aconteceu em 2007, com mais um rival brasileiro pela frente. Na final, enfrentaram o Grêmio, e com duas vitórias levantaram o troféu. Miguel Ángel Russo, atual treinador do Boca Juniors, era o técnico boquense naquela ocasião.

Já o português Abel Ferreira vai em busca de sua primeira Libertadores e poderá repetir o feito de seu compatriota Jorge Jesus, campeão da última edição, a de 2019, quando levou o Flamengo ao título.

PALMEIRAS

Weverton; Marcos Rocha (Kuscevic), Gustavo Gómez (Luan), Alan Empereur e Viña; Danilo (Raphael Veiga), Gabriel Menino e Zé Rafael (Emerson Santos); Gustavo Scarpa (Breno Lopes), Rony e Luiz Adriano. Técnico: Abel Ferreira

RIVER PLATE

Armani; Montiel, Rojas, Díaz, Pinola (Girotti) e Angileri (Casco); Nacho Fernández, Enzo Pérez e De La Cruz (Alvaréz); Borré e Suárez. Técnico: Marcelo Gallardo

Estádio: Allianz Parque, em São Paulo (SP)

Juiz: Esteban Ostojich (URU)

Cartões Amarelos: Danilo, Alan Empereur, Luan, Marcos Rocha (Palmeiras); Rojas, Borré (River Plate)

Cartão Vermelho: Vitor Castanheira (Palmeiras); Díaz (River Plate)

Gols: Rojas, aos 28 minutos do primeiro tempo, e Borré, aos 43 minutos do primeiro tempo