Palmeiras perde do Al Ahly e faz pior campanha sul-americana em Mundiais

LUCIANO TRINDADE
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Palmeiras saiu do Brasil há pouco mais de uma semana com a glória de ter sido campeão da Copa Libertadores. Voltará do Qatar com o carimbo de pior campanha de um time sul-americano no Mundial de Clubes da Fifa. Nesta quinta-feira (11), o time alviverde foi derrotado pelo Al Ahly (EGI) nos pênaltis, por 3 a 2, depois de um empate sem gols no tempo regulamentar. Felipe Melo desperdiçou a cobrança que definiu a derrota. Rony e Luiz Adriano também perderam, enquanto Weverton defendeu uma dos egípcios e outra bateu na trave. Os outros quatro times sul-americanos que também foram derrotados nas semifinais —Internacional (2010), Atlético-MG (2013), Atlético Nacional-COL (2016) e River Plate-ARG (2018)— ao menos voltaram para casa com uma vitória na bagagem, na disputa pelo terceiro lugar. O revés alviverde foi ainda mais frustrante para um clube que sonhava com uma inédita conquista em sua segunda participação no campeonato. Em 1999, acabou superado pelo Manchester United (ING), 1 a 0, em final no antigo formato do torneio, em que se enfrentavam apenas o campeão europeu e o sul-americano. No histórico geral, em seus três jogos em Mundiais, o Palmeiras não conseguiu marcar nem sequer um gol e volta do Qatar com o pior ataque da competição —na semifinal, perdeu do Tigres (MEX) por 1 a 0. Contra times africanos, antes desse confronto, o Palmeiras havia disputado três jogos: Cornerstone e Accra Great Olympics, de Gana, e Stationery Stores, da Nigéria, diante dos quais venceu duas vezes e empatou uma. O Palmeiras terá pouco tempo para tentar assimilar a decepcionante campanha no Mundial de Clubes. A equipe já volta a campo no domingo (14), contra o Fortaleza, o primeiro de seus últimos cinco jogos pelo Campeonato Brasileiro, em um intervalo de 12 dias. Três dias após o final de sua participação no Nacional, a equipe alviverde faz em 28 de fevereiro o primeiro jogo da final da Copa do Brasil contra o Grêmio. O segundo duelo será no dia 7 de março, quando o time encerra o ano futebolístico de 2020 com 79 partidas –duas dessas pela Florida Cup–, o número máximo de jogos que um time brasileiro poderia alcançar na temporada. Praticamente sem tempo para treinar entre uma disputa e outra, o técnico Abel Ferreira terá que trabalhar na base da conversa para tentar recuperar ânimo dos jogadores, visivelmente abalados pelo desempenho recente, para tentar alcançar a tríplice coroa com o título do torneio mata-mata contra os gaúchos. O time egípcio, por sua vez, repetiu o seu melhor desempenho na competição. Em 2006, a equipe também ficou com o terceiro lugar, ao superar o América (MEX). Ao fim da partida contra os palmeirenses, atletas e comissão técnica do clube africano comemoraram muito o resultado. Embora tenha terminado o primeiro tempo com mais posse de bola (52% contra 48%) e com mais chutes a gol (8 a 5), o Palmerias imprimiu um ritmo lento, com poucas oportunidades claras de abrir o placar, enquanto o Al Ahly esteve mais perto do gol. O time egípcio rondava a área de Weverton mesmo tendo de jogar sem os seus dois principais homens de ataque, Mahmoud Kahraba e Hussein El Shahat, banidos da competição pela Fifa por quebrarem regras de proteção contra a Covid-19 na estreia da equipe, na derrota para o Bayern de Munique (ALE), por 2 a 0. A melhor chance da etapa inicial foi dos africanos, aos 25 minutos. Felipe Melo errou uma saída de bola, El Soleya recuperou na entrada da área e bateu cruzado, próximo à trave direita de Weverton. O volante alviverde foi uma das quatro mudanças na escalação de Abel Ferreira em relação ao duelo com o Tigres. Mayke, Patrick de Paula e Willian também iniciaram o jogo, nos lugares de Marcos Rocha, Zé Rafael, Danilo e Gabriel Menino. Mesmo com as trocas, o Palmeiras teve na etapa inicial uma atuação ainda pior do que havia apresentado contra os mexicanos. Somente Rony, assim como na semifinal, conseguiu finalizar uma bola que exigiu boa defesa de El Shenawy, quando o atacante desviou para o gol um cruzamento de Viña. Em seu 72º jogo na temporada, o Palmeiras demonstrava cansaço, desatenção em alguns lances e pouca criatividade ofensiva, com o abuso de ligações diretas para o campo de ataque. Cenário que não foi muito diferente na etapa final. Tanto que o Al Ahly, novamente, teve a primeira boa chance de gol, aos 25. El Soleya recebeu uma bola dentro da grande área e finalizou de voleio, exigindo boa defesa de Weverton. No rebote, Ajayi mandou para o gol, mas estava em posição irregular. Abel Ferreira demorou 80 minutos para tentar mudar a postura de sua equipe, ao colocar Gabriel Menino, Danilo e Gustavo Scarpa no jogo. Espaçado em campo, o Palmeiras seguiu sem fazer o goleiro El Shenawy trabalhar até os pênaltis.​ Após a derrota, o técnico Abel Ferreira ainda valorizou o desempenho de sua equipe na competição. "É um privilégio estar entre os quatro melhores do mundo, fomos os quarto, temos que aceitar", afirmou. "O que eu levo daqui é um orgulho tremendo dessa equipe." AL-AHLY El Shenawy; Hany, Benoun, Ayman e Yasser; El Soulia, Hamdy e Akram (Dieng); Afsha (Sherif), Bwalya (Ajayi) e Taher (Mohsen). T.: Pitso Mosimane PALMEIRAS Weverton; Mayke, Luan, Gustavo Gómez e Viña; Felipe Melo, Patrick de Paula (Danilo) e Raphael Veiga (Gabriel Menino); Willian (Gustavo Scarpa), Rony e Luiz Adriano. T.: Abel Ferreira Estádio: Education City, em Doha (QAT) Árbitro: Maguette Ndiaye (SEN) Assistentes: Djibril Camara e El Hadji Samba (SEN) Quarto Árbitro: Mário Escobar (GUA) VAR: Drew Fischer (CAN) Cartões amarelos: Weverton, Willian, Patrick de Paula (PAL) Pênaltis: Benoun (gol), Rony (defendido); El Soulia (defendido); Luiz Adriano (para fora); Mohsen (trave); Gustavo Scarpa (gol); Hany (gol); Gustavo Gómez (gol); Ajayi (gol); Felipe Melo (defendido)