Palmeiras pela Libertadores vira ringue no estádio e nas mesas redondas de TV

Você achou mesmo que a pancadaria vergonhosa ocorrida ontem no estádio Centenário, em Montevideu, pararia ali mesmo, após a chegada da polícia e acalmada dos ânimos?

Errou feio. As discussões e trocas de farpas foram parar também na TV. E sobrou pra todo mundo.

Em sua coluna na Folha, ontem, Juca Kfouri afirmou que o time do Palmeiras está rachado e que o jogador Róger Guedes só foi escalado contra a Ponte Preta, pelas semifinais do Campeonato Paulista, por exigência do gerente de futebol do clube, Alexandre Mattos. E foi além: Eduardo Baptista foi escolhido a dedo pela diretoria justamente porque é mais “maleável” para acatar “ordens que vêm de cima”.

Para piorar a situação, o repórter da Globo, Léo Bianchi, que acompanhava o Palmeiras na viagem – e gravou o início do treino do time na véspera do jogo quente de ontem -, flagrou Felipe Melo batendo boca com Guedes, chamando-o de moleque e pedindo respeito. Não faltava mais nada para explodir o barril de pólvora – que culminou naquele triste final de espetáculo que as TVs exibiram na noite de ontem.

Mas não parou no gramado: em sua entrevista coletiva após o jogo – em que o Palmeiras virou, cabe aqui lembrar -, Eduardo Baptista, bravíssimo com os problemas no vestiário e toda a tensão que se virou contra ele, soltou o verbo contra Kfouri. Ao vivo e sem cortes.

Defendeu-se falando sobre a escalação de Róger e, aos gritos, foi taxativo.

– Cobraram muito dos treinadores depois de 2014. Eu estou vendo um monte de gente boa surgindo, companheiros da sala de aula da CBF, que estão se aprimorando e estudando. Os treinadores estão estudando, então as pessoas que colocam isso tem que ter responsabilidade. E se tem a fonte, fala a fonte.

Ao mesmo tempo, nos estúdios da SporTV, outro Roger, o Flores, também criticava Juca Kfouri e sua coluna. Ele, ex-jogador, que foi muito criticado pelo colunista, enquanto atuava nos gramados.

Mágoas guardadas à parte, Juca, que nem estava nos estúdios na hora da confusão, entrou imediatamente ao vivo na ESPN para falar sobre o caso, por telefone:

– É um desabafo de quem tava com 500 kg sobre as costas e precisando vencer o Peñarol. Ele faz uma baita confusão. A começar pela coerência. Ele exige que um jornalista entregue suas fontes. Talvez sem saber que até na Constituição Brasileira o jornalista tem o direito de manter suas fontes sigilosas. É a matéria prima do nosso trabalho ter fontes e manter sigilosas quando elas pedem. Ele não cita o nome do jornalista. Ele podia ter dito: ‘estou me referindo ao jornalista Juca Kfouri’. Ele não diz, ele diz que respeita, admira, que é fã. Mas não entrega o nome do jornalista. Ele preserva a fonte. Eu entendo o desabafo, isso faz parte. A informação eu mantenho. Ele faz uma confusão. Em nenhum momento, a nota se trata do Willian ser reserva ou titular. Ele teve uma discussão com o Róger Guedes porque disse ao Róger Guedes que ele seria titular contra o Peñarol. E na “Hora H’ Róger Guedes não estava como titular e foi cobrá-lo. O Róger Guedes por isso foi tirado do banco, nem estava na concentração. É isso que está na nota. O desabafo dele ele tem todo direito de desabafar”.

E continua…