Países precisam ajudar os mais pobres para sair da crise, diz Nobel de economia

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Aos 47 anos, Esther Duflo é a mais jovem mulher a ganhar o Nobel de Economia (Foto: AP Photo/Michael Dwyer)
Aos 47 anos, Esther Duflo é a mais jovem mulher a ganhar o Nobel de Economia (Foto: AP Photo/Michael Dwyer)

Muito se especula sobre como os países sairão da crise causada pela pandemia do novo coronavírus. Segundo a vencedora do Prêmio Nobel de Economia de 2019, Esther Duflo, os países que ajudarem a população mais pobre sairão dessa crise serão menos afetados. 

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“Se olharmos para o futuro, haverá uma diferença entre os países que passarão por um tempo mais longo na crise e aqueles que apoiaram a população mais pobre. Quanto mais a população mais pobre for afetada, pior, pois não poderão colaborar para a retomada”,explicou a economista franco-americana, que participou de um dos painéis da Expert XP 2020 nesta quinta-feira (16).

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Com seus colegas Michael Kremer e Abhijit Banerjee, Esther recebeu o prêmio pelo trabalho com abordagens experimentais para aliviar a pobreza global. Durante o evento, ela ressaltou a importância dos programas sociais, voltados para a população mais vulnerável.

“Muitos dos sistemas de proteção social baseiam-se no medo de que as pessoas que precisam de ajuda vão se tornar preguiçosas e parar de trabalhar se receberem. Mas isso não passa de uma intuição de como as pessoas vão se comportar”, afirmou. 

Apoio aos mais pobres para diminuir a desigualdade 

Na opinião de Esther, muitos países da América Latina estavam conseguindo reduzir as décadas de aumento da desigualdade social antes da pandemia. No entanto, ela avalia que não é o momento de retroceder esse processo.  “O ideal é que os governos atendam às necessidades dos mais vulneráveis. As pessoas mais pobres são aquelas que a gente tem que garantir que estejam preparadas para enfrentar a crise econômica”, explicou. 

A economista entende que os países que souberem lidar com essa situação poderão sair de alguma forma fortalecidos. “Não é uma questão de como eles foram impactados, mas sim de como eles lidaram com a sua população mais pobre. Os vulneráveis afetados pela crise não têm onde se segurar, por isso atingem um nível de pobreza que é difícil de sair depois”, falou.

Muito vai deixar de ser globalizado?

Esther não se sente confortável de fazer projeções econômicas, mas não acredita que a pandemia possa gerar uma onda de “desglobalização”, em que os países adotariam medidas mais protecionistas. 

“O que deixa um país exposto é justamente o quanto ele depende totalmente de sua própria economia. Talvez isso não seja um grande problema para o Brasil ou a Índia. Mas no caso da França, se fossemos depender só do que é produzido no país, não teríamos respiradores para colocar em nossos hospitais”, exemplificou.

Para contribuir com a mudança no mundo, a economista acredita que é necessário mais mulheres e outros grupos de minorias passem a estudar e ocupar mais as profissões relacionadas à economia. 

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